Os temas preferidos do MPSP em cada matéria: o mapa completo para estudar sem desperdiçar tempo

Os temas preferidos do MPSP em cada matéria: o mapa completo para estudar sem desperdiçar tempo

Introdução: a diferença entre estudar tudo e estudar o que cai

Existe uma verdade inconveniente que poucos professores têm coragem de dizer aos candidatos: você não tem tempo para estudar tudo. O Direito Penal tem 361 artigos, a Constituição Federal tem 250, o Código Civil ultrapassa 2 mil artigos. Se você tentar dominar cada vírgula de cada lei, vai chegar no dia da prova exausto e sabendo um pouco de tudo — mas sem dominar nada do que realmente importa.

A grande pergunta estratégica não é “o que estudar?”, mas sim “o que o MPSP realmente cobra dentro de cada matéria?”. E aqui vem o dado que muda tudo: a análise das 200 questões das provas de 2023 e 2025 revela que cada disciplina tem seus “temas preferidos” — assuntos que aparecem repetidamente, enquanto outros conteúdos extensos simplesmente nunca foram cobrados.

Mais do que isso: saber os temas preferidos não basta. É preciso entender como estudar cada um deles. Alguns exigem domínio de jurisprudência atualizada, outros só se rendem à lei seca, e há aqueles que dependem de súmulas específicas. Errar essa estratégia é jogar fora dezenas de horas de estudo ineficiente.

Este artigo vai dissecar, matéria por matéria, quais são os temas que o MPSP adora cobrar, quanto eles representam na prova e, principalmente, se você deve estudá-los por lei seca, informativos de jurisprudência, súmulas ou doutrina. Prepare-se para transformar seu estudo de um tiro no escuro em um planejamento cirúrgico.

Direito Penal: quando a parte especial encontra o controle de constitucionalidade

Os temas que dominam a prova

Se você acha que Direito Penal é apenas decorar tipos penais, prepare-se para uma surpresa: o MPSP tem predileção por temas que misturam dogmática penal com grandes julgados do STF. A análise das 15 questões de cada edição revela quatro grandes blocos temáticos que concentram quase 80% da prova.

Teoria do Crime representa 20% das questões, com foco absoluto em erro de tipo (essencial versus acidental) e omissão penalmente relevante. Não é à toa: esses institutos aparecem em casos práticos que exigem raciocínio jurídico sofisticado, não apenas memorização. Em 2025, por exemplo, uma questão complexa sobre dolo eventual em homicídio qualificado exigiu que o candidato distinguisse erro sobre elemento do tipo de erro sobre circunstância qualificadora.

Crimes contra a Dignidade Sexual e Honra lideram com 25% da cobrança. Aqui a preferência é clara: invasão de dispositivo informático (artigo 154-A do CP), injúria racial (com a recente equiparação ao crime de racismo pela Lei 14.532/23) e estupro de vulnerável. O MPSP tem especial interesse em questões que envolvem vulnerabilidade — seja ela etária, psicológica ou tecnológica.

Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro aparecem em 20% das questões, sempre com enfoque na literalidade da Lei 12.850/13 e da Lei 9.613/98. O examinador gosta de testar o conhecimento sobre requisitos da organização criminosa (associação de quatro ou mais pessoas) e sobre as fases autônomas da lavagem.

Feminicídio e Violência Doméstica completam 15% da prova, com ênfase na Lei Maria da Penha e nas qualificadoras do homicídio. Aqui entra um diferencial importante: o MPSP cobra não apenas a lei seca, mas principalmente como o STF interpreta esses crimes — veja o caso da ADPF 779, que vedou o uso da tese de legítima defesa da honra.

Como estudar: a estratégia híbrida

Direito Penal exige uma abordagem de três frentes simultâneas, e aqui está o peso de cada uma:

⏱️ Jurisprudência responde por 45% da preparação necessária. Você precisa dominar julgados de controle concentrado que criaram ou modificaram a aplicação de tipos penais. A ADO 26, que equiparou homofobia e transfobia ao crime de racismo, é recorrente. A ADPF 779, sobre legítima defesa da honra, já foi cobrada duas vezes em formatos diferentes. Decisões do STF sobre desclassificação de crimes e sobre aplicação de qualificadoras também são essenciais.

⏱️ Lei seca consome 40% do seu tempo de estudo. O foco deve ser triplo: Código Penal (especialmente Parte Geral para teoria do crime), Lei de Drogas (11.343/06), Lei do Desarmamento (10.826/03) e Lei de Crimes Raciais (7.716/89 alterada pela 14.532/23). Não se deixe enganar — o examinador cobra artigos específicos com suas numerações exatas.

⏱️ Doutrina exige 15% da atenção, concentrada na Parte Geral. Você precisa dominar a teoria do erro (essencial, acidental, de tipo, de proibição), concurso de crimes (material, formal, continuado) e os elementos do fato típico. A doutrina clássica de Zaffaroni, Roxin e Juarez Cirino é suficiente — não se perca em debates teóricos de nicho.

Direito Processual Penal: o império da jurisprudência pós-pacote anticrime

Os temas que definem o gabarito

Esta é a disciplina que sofreu a transformação mais radical entre 2023 e 2025. Se antes o CPP literal ainda tinha relevância, hoje 70% da prova depende exclusivamente de jurisprudência. O MPSP está testando se você acompanha as decisões do STF sobre a reforma processual penal.

Juiz das Garantias e Inquérito Policial dominam 30% das questões. O foco está nas ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305, que suspenderam diversos artigos da Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime). O candidato precisa saber exatamente o que foi declarado inconstitucional, o que permanece vigente e quais dispositivos foram modulados. Em 2025, uma questão cobrou especificamente a diferença entre a suspensão liminar e a declaração definitiva de inconstitucionalidade dos artigos sobre o juiz das garantias.

Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) representa 20% da prova. Aqui o MPSP testa três aspectos: requisitos objetivos (pena mínima inferior a 4 anos), requisitos subjetivos (confissão formal), e a questão da retroatividade. A Resolução 181/2017 do CNMP é cobrada de forma literal, inclusive quanto aos casos de recusa fundamentada pelo Ministério Público.

Prisões e Medidas Cautelares aparecem em 25% das questões, com dois enfoques principais: a revisão obrigatória de 90 em 90 dias da prisão preventiva (artigo 316, parágrafo único do CPP) e a legalidade da busca pessoal realizada por Guardas Municipais. Súmulas do STJ sobre prisão domiciliar e do STF sobre condução coercitiva (ADPFs 395 e 444) são recorrentes.

Como estudar: informativos acima de tudo

⏱️ A estratégia aqui é brutal e direta: 70% do seu tempo deve ser dedicado à jurisprudência do STF. Não adianta ler manuais tradicionais de processo penal — eles estão desatualizados em relação às decisões recentes do Supremo. Você precisa de três ferramentas: informativos semanais do STF (especialmente as decisões do Plenário), ementas completas das ADIs sobre o Pacote Anticrime, e súmulas do STJ sobre provas e prisões.

⏱️ Lei seca consome apenas 30% da preparação, concentrada em dois blocos: procedimento do Júri (artigos 406 a 497 do CPP) e recursos (especialmente apelação e revisão criminal). São os únicos temas onde a literalidade ainda resolve questões sem apoio jurisprudencial.

Direito Constitucional: controle de constitucionalidade como protagonista

Os temas estratégicos

Constitucional no MPSP não é uma prova sobre teoria pura — é uma prova sobre como o STF interpreta a Constituição na prática. A análise das 12 questões revela uma preferência clara por três grandes eixos.

Ministério Público concentra 25% da cobrança. O examinador adora testar autonomia funcional e administrativa, o processo de nomeação do Procurador-Geral da República, e as competências do Conselho Nacional do Ministério Público. Em 2025, uma questão específica cobrou a possibilidade de o CNMP rever decisões dos órgãos de execução do MP — tema que exige conhecimento combinado da CF/88 e da jurisprudência do STF sobre limites da revisão administrativa.

Controle de Constitucionalidade representa 20% das questões, com foco absoluto em aspectos procedimentais: requisitos do amicus curiae, efeitos da declaração de inconstitucionalidade (ex tunc, erga omnes, vinculante), e técnicas de decisão (interpretação conforme, declaração parcial sem redução de texto). O MPSP não cobra teoria abstrata — cobra decisões reais do STF.

Organização do Estado e Municípios completa 20% da prova. Aqui entram temas como autonomia municipal (capacidade de auto-organização), intervenção federal em estados, e repartição de competências legislativas (concorrente versus privativa). O Tema 445 do STF, sobre os limites de controle dos Tribunais de Contas, foi cobrado em 2025.

Como estudar: ADIs recentes são obrigatórias

⏱️ Informativos e ADIs consomem 65% do estudo necessário. Você precisa acompanhar as decisões do Plenário do STF, especialmente aquelas com repercussão geral reconhecida. Temas como o 72 (salário-maternidade), 445 (Tribunais de Contas), e ADIs sobre emendas constitucionais são essenciais. O site do STF tem uma seção de “Controle Concentrado” onde você pode filtrar por ano — priorize decisões de 2023 a 2025.

⏱️ Doutrina exige 20% da preparação, concentrada em Poder Constituinte (originário, derivado, difuso) e em classificações das normas constitucionais (eficácia plena, contida, limitada). Autores como José Afonso da Silva, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes são as referências clássicas.

⏱️ Lei seca (15%) deve focar em direitos fundamentais (artigos 5º ao 17) e na estrutura do Poder Judiciário e do Ministério Público (artigos 92 a 130-A).

Tutela de interesses difusos e coletivos: a espinha dorsal da prova

Os temas que definem a aprovação

Esta é a disciplina mais importante do concurso do MPSP — e também a que mais exige atualização constante. Com 14 questões, ela representa mais de 15% da prova objetiva, e o perfil das questões é implacável: 60% dependem de Temas de Repercussão Geral e Repetitivos.

Improbidade Administrativa lidera com 30% das questões. O foco está na Lei 14.230/21, que alterou profundamente a Lei de Improbidade. O MPSP cobra especialmente: os novos tipos de improbidade (enriquecimento ilícito, lesão ao erário, violação de princípios), o elemento subjetivo exigido (dolo para enriquecimento e lesão; dolo ou culpa para princípios), e o Tema 1199 do STF sobre a aplicação retroativa da lei mais benéfica. Em 2025, uma questão exigiu conhecimento sobre a modulação dos efeitos dessa decisão.

Meio Ambiente representa 25% da prova, com ênfase em três subtemas: Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal no Código Florestal (Lei 12.651/12), responsabilidade civil ambiental objetiva (artigo 225, §3º da CF), e licenciamento ambiental. O examinador gosta de criar casos práticos envolvendo construções irregulares em APP e responsabilização de pessoas jurídicas.

Consumidor e Saúde concentram 20% das questões. O Tema 1069 do STJ, que trata da possibilidade de planos de saúde negarem cobertura de tratamentos experimentais, foi cobrado em ambas as provas. Outros temas recorrentes: inversão do ônus da prova (artigo 6º, VIII do CDC), cadastro positivo, e legitimidade do Ministério Público para ações coletivas de saúde.

Como estudar: Temas Repetitivos são essenciais

⏱️ Jurisprudência de Temas consome 60% do tempo. Você precisa conhecer não apenas a tese fixada, mas também os fundamentos da decisão e sua aplicação prática. Os Temas essenciais são: 1199 (STF – retroatividade da LIA), 1069 (STJ – planos de saúde), 548 (STF – educação infantil), 1103 (STF – vacinação obrigatória), 984 (STJ – cadastro de inadimplentes) e 643 (STJ – multa civil e dano moral). O site do STJ tem uma ferramenta de busca por “Temas dos Recursos Repetitivos” que é extremamente útil.

⏱️ Lei seca exige 40% de dedicação, dividida entre quatro pilares: Lei de Ação Civil Pública (7.347/85), Código de Defesa do Consumidor (8.078/90), Estatuto da Cidade (10.257/01) e Lei de Improbidade (8.429/92 com alterações da 14.230/21). O foco deve ser nos procedimentos do inquérito civil, nas hipóteses de cabimento da ACP, e nos requisitos das ações coletivas.

Direito Administrativo: licitações e servidores no centro

Os temas estratégicos

Direito Administrativo no MPSP tem um perfil bem definido: legalidade estrita na Nova Lei de Licitações e jurisprudência do STF em temas sensíveis como improbidade e servidores públicos.

Lei 14.133/21 (Nova Lei de Licitações) domina 30% da prova. Os subtemas preferidos são: dispensa e inexigibilidade de licitação (artigos 75 e 74), diálogo competitivo como nova modalidade, e regime diferenciado de contratação integrada. O MPSP cobra artigos específicos e suas numerações — não há espaço para “achismo”.

Servidores Públicos representam 20% das questões, com foco em três grandes temas: direito de greve (MI 670, 708 e 712 do STF), vedação ao nepotismo (Súmula Vinculante 13), e aposentadoria especial (EC 103/19). Em 2025, o examinador cobrou especificamente a aplicação analógica da Lei de Greve do setor privado aos servidores públicos, conforme decidido pelo STF.

LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro) aparece em 15% das questões, sempre focando nos artigos 20 a 30 incluídos pela Lei 13.655/18. Os temas são: dever de motivação nas decisões administrativas, regime de transição quando há mudança de orientação, e consequencialismo jurídico.

Como estudar: lei seca com jurisprudência seletiva

⏱️ Lei seca consome 60% do estudo. Leitura exaustiva e anotada da Lei 14.133/21 é indispensável — foque especialmente nos artigos 1º a 80 (licitação) e 156 a 173 (contratos). A Lei de Acesso à Informação (12.527/11) também merece atenção, especialmente quanto aos prazos e às hipóteses de sigilo.

⏱️ Jurisprudência exige 40% de dedicação, concentrada em: ADIs 7042 e 7043 (constitucionalidade da Lei de Improbidade), RE 693456 (acumulação de cargos públicos), e Súmula Vinculante 13 (nepotismo). Não se perca em jurisprudência antiga — priorize decisões de 2020 em diante.

Direito Civil e Processual Civil: as fortalezas da lei seca

Os temas que resistem à jurisprudencialização

MPSP

Estas são as duas disciplinas que mais recompensam quem domina a literalidade dos Códigos. Com 10 questões cada, elas mantêm um perfil conservador e técnico.

Em Direito Civil, Família e Sucessões dominam 40% da prova. Os subtemas recorrentes são: alimentos (pressupostos, prisão civil, execução), regime de bens (comunhão parcial, participação final nos aquestos), adoção (requisitos, efeitos) e ordem de vocação hereditária. O MPSP adora criar casos práticos sobre partilha de bens e cálculo de legítima versus parte disponível.

Em Processual Civil, Recursos e Execução concentram 40% das questões. O foco está em: cabimento de apelação versus agravo de instrumento, efeitos dos recursos (devolutivo, suspensivo), e procedimento do cumprimento de sentença (artigos 523 e seguintes do CPC). Prazos processuais são cobrados de forma implacável — você precisa saber se o prazo é de 5, 15 ou 30 dias e se ele corre em dias úteis ou corridos.

Como estudar: código anotado é sua bíblia

⏱️ Lei seca consome 85% do estudo. Você precisa de um Código Civil e um CPC anotados com suas próprias observações. A técnica mais eficiente é: primeira leitura completa para visão geral, segunda leitura com marcação dos artigos mais técnicos, terceira leitura apenas dos artigos marcados. Para Civil, foque em: Parte Geral (negócio jurídico, prescrição e decadência), Família (artigos 1.511 a 1.783) e Sucessões (artigos 1.784 a 2.027). Para Processual, priorize: competência (artigos 42 a 53), recursos (artigos 994 a 1.044) e execução (artigos 513 a 538).

⏱️ Súmulas representam 15% da preparação, especialmente do STJ. As mais recorrentes são: Tema 1235 (impenhorabilidade de bem de família), Súmula 309 (débito alimentar e prisão civil), e Súmula 387 (legitimidade para execução).

Infância e juventude: tecnicidade pura no ECA

Os temas essenciais

Com apenas 6 questões, esta disciplina tem um perfil extremamente técnico e 90% focado na literalidade do ECA e do SINASE.

Medidas Socioeducativas e SINASE representam 40% da prova. O MPSP cobra: tipos de medidas (advertência, obrigação de reparar, prestação de serviços, liberdade assistida, semiliberdade, internação), requisitos para aplicação, prazos de reavaliação e procedimento de execução. A Lei 12.594/12 (SINASE) é cobrada especialmente quanto aos princípios da execução e aos planos individuais de atendimento.

Proteção e Acolhimento aparecem em 30% das questões, focando em: acolhimento institucional versus familiar, prazos máximos de acolhimento, e procedimento de destituição do poder familiar.

Como estudar: memorização sistemática

⏱️ Lei seca consome 90% do tempo. Leia o ECA do artigo 1º ao 260 de forma sistemática, criando mapas mentais para os procedimentos. Os artigos mais cobrados são: 98 a 102 (medidas de proteção), 112 a 128 (medidas socioeducativas), e 153 a 199 (procedimentos judiciais). A Lei do SINASE deve ser lida na íntegra — são apenas 91 artigos.

Direito Empresarial: crises da empresa e sociedades

Os temas concentrados

Com apenas 4 questões, Direito Empresarial exige foco cirúrgico em temas específicos. A análise das provas de 2023 e 2025 revela que o MPSP concentra sua cobrança em institutos relacionados à crise da empresa e à estrutura societária.

Falência e Recuperação Judicial dominam 60% das questões. O examinador tem predileção por cobrar: requisitos da falência (impontualidade injustificada, execução frustrada, atos de falência do artigo 94 da Lei 11.101/05), procedimento da recuperação judicial (prazo para apresentação do plano, assembleia de credores, homologação), e efeitos da falência sobre os contratos (artigo 117 e seguintes). A Lei 14.112/20, que reformou profundamente a Lei de Falências, é fonte recorrente de questões — especialmente os novos institutos de financiamento durante a recuperação.

Sociedades e Títulos de Crédito completam 40% da prova. Em sociedades, o foco está em: dissolução parcial versus total, direito de retirada do sócio, e responsabilidade dos sócios e administradores. Em títulos de crédito, a preferência é por cheque (requisitos, prescrição, ação de execução) e nota promissória (aval, endosso, vencimento).

Como estudar: lei seca com súmulas do STJ

⏱️ Lei seca consome 55% do estudo. A Lei 11.101/05 (Lei de Falências e Recuperação Judicial) deve ser lida de forma completa, com atenção especial aos artigos: 1º a 50 (recuperação judicial), 75 a 160 (falência), e as alterações promovidas pela Lei 14.112/20. O Código Civil também deve ser estudado nos artigos sobre sociedades (artigos 981 a 1.141).

⏱️ Súmulas e Temas do STJ exigem 35% de dedicação. As súmulas mais cobradas são: Súmula 560 (falência e execução individual), Súmula 250 (cheque prescrito), e Temas Repetitivos sobre responsabilidade de sócios em sociedades limitadas. O site do STJ oferece uma seção específica de jurisprudência empresarial que deve ser consultada.

⏱️ Doutrina representa 10% da preparação, concentrada em compreender a lógica dos institutos — por exemplo, a diferença entre liquidação comum e liquidação judicial, ou entre recuperação judicial e extrajudicial.

Direitos Humanos: tratados e proteção de grupos vulneráveis

Os temas estratégicos

Com 4 questões, Direitos Humanos tem um perfil bem definido no MPSP: análise do status constitucional dos tratados internacionais e aplicação prática da proteção de grupos vulneráveis. Esta disciplina exige conhecimento simultâneo de normativa internacional e da jurisprudência do STF sobre sua internalização.

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência domina 40% das questões. O MPSP cobra especialmente: o conceito de pessoa com deficiência para fins de aplicação da Convenção (modelo social versus modelo médico), o status de emenda constitucional conferido à Convenção (equivalência ao §3º do artigo 5º da CF/88), e os direitos específicos garantidos (acessibilidade, inclusão, capacidade legal). Em 2025, uma questão cobrou a aplicação direta da Convenção para afastar a incapacidade absoluta do Código Civil — tema que exige conhecimento do diálogo entre tratado e legislação ordinária.

Combate ao Racismo e Igualdade Racial representa 30% da prova. Aqui o foco está na Lei 12.288/10 (Estatuto da Igualdade Racial), na Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, e principalmente na jurisprudência do STF sobre ações afirmativas. A ADC 41, que declarou constitucional a reserva de 20% das vagas para negros em concursos públicos federais, é recorrente.

Proteção de Grupos Vulneráveis e Meio Ambiente completam 30% das questões. O MPSP cobra: Convenção sobre os Direitos da Criança, Convenção de Belém do Pará (violência contra a mulher), e decisões do STF em ADIs ambientais — como a ADI 7056, que declarou inconstitucional lei estadual que autorizava “briga de galos” por violar o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Como estudar: tratados com jurisprudência do STF

⏱️ Jurisprudência do STF consome 50% do estudo. Você precisa dominar como o Supremo interpreta e aplica os tratados internacionais de direitos humanos. As decisões essenciais são: ADC 41 (cotas raciais), ADI 7056 (rinhas de animais), e RE sobre aplicação da Convenção sobre Pessoas com Deficiência. Os informativos do STF que tratam de direitos fundamentais e grupos vulneráveis são indispensáveis.

⏱️ Tratados internacionais exigem 50% de dedicação. Leia o texto seco dos seguintes tratados: Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (aprovada com status de emenda constitucional), Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, Convenção de Belém do Pará, e Convenção sobre os Direitos da Criança. Foque nos artigos que definem direitos específicos e nas obrigações do Estado brasileiro.

Direito Eleitoral: o império das súmulas do TSE

Os temas concentrados

Com apenas 3 questões, Eleitoral exige foco cirúrgico. 70% da prova é resolvida pelas Súmulas do TSE.

Propaganda e Inelegibilidade (Ficha Limpa) dominam 60% das questões. O MPSP cobra especialmente: propaganda eleitoral antecipada (Súmula 58), inelegibilidade por parentesco (Súmula 45), e efeitos da Lei da Ficha Limpa (LC 135/10). Em 2025, uma questão exigiu conhecimento sobre a aplicação da Súmula 70 do TSE (filiação partidária para fins de elegibilidade).

Ações e Recursos Eleitorais completam 40% da prova. O foco está em: ação de impugnação de mandato eletivo (prazo, legitimidade), recursos eleitorais (agravo, recurso ordinário, recurso especial), e representação por propaganda irregular.

Como estudar: súmulas primeiro, lei depois

⏱️ Súmulas do TSE consomem 70% do estudo. Decore as Súmulas 45 (desincompatibilização e parentesco), 58 (propaganda antecipada), 59 (divulgação de pesquisas), 70 (filiação partidária) e 72 (candidatura nata). Essas cinco súmulas aparecem em praticamente todas as provas do MPSP. A técnica mais eficiente é criar cartões de memorização (flashcards) com o número da súmula de um lado e o enunciado completo do outro.

⏱️ Lei seca (30%) deve focar no Código Eleitoral, especialmente os artigos sobre crimes eleitorais (artigos 283 a 364) e sobre inelegibilidades (artigo 14, §§ 4º a 9º da CF/88 combinado com a LC 64/90 alterada pela LC 135/10).

Quadro-síntese: onde investir seu tempo em cada matéria

MatériaTemas preferidos (% da prova)Como estudar
PenalTeoria do Crime (20%), Dignidade Sexual/Honra (25%), Org. Criminosa (20%), Feminicídio (15%)Jurisprudência 45%, Lei Seca 40%, Doutrina 15%
Processo PenalJuiz das Garantias (30%), ANPP (20%), Prisões (25%)Jurisprudência 70%, Lei Seca 30%
ConstitucionalMinistério Público (25%), Controle (20%), Organização do Estado (20%)Informativos/ADIs 65%, Doutrina 20%, Lei Seca 15%
DifusosImprobidade (30%), Meio Ambiente (25%), Consumidor/Saúde (20%)Temas 60%, Lei Seca 40%
AdministrativoLicitações (30%), Servidores (20%), LINDB (15%)Lei Seca 60%, Jurisprudência 40%
CivilFamília e Sucessões (40%)Lei Seca 85%, Súmulas 15%
Processual CivilRecursos e Execução (40%)Lei Seca 85%, Súmulas 15%
ECAMedidas Socioeducativas (40%), Acolhimento (30%)Lei Seca 90%, Jurisprudência 10%
EmpresarialFalência/Recuperação (60%), Sociedades/Títulos (40%)Lei Seca 55%, Súmulas/Temas STJ 35%, Doutrina 10%
Direitos HumanosConvenção Pessoa com Deficiência (40%), Racismo/Igualdade (30%), Grupos Vulneráveis (30%)Jurisprudência STF 50%, Tratados 50%
EleitoralPropaganda/Ficha Limpa (60%), Ações/Recursos (40%)Súmulas TSE 70%, Lei Seca 30%

Fechamento estratégico: estudar com inteligência é estudar com foco

A análise de 200 questões do MPSP revela uma verdade libertadora: você não precisa estudar tudo — você precisa estudar o que realmente cai. E agora você sabe exatamente o quê.

Sabe que em Processo Penal não adianta ler manuais tradicionais se você não dominar as ADIs sobre o Juiz das Garantias. Sabe que em Difusos e Coletivos, os Temas Repetitivos valem mais do que qualquer doutrina. Também sabe que em Civil e Processual Civil, a lei seca ainda é rainha absoluta. Sabe que em Direitos Humanos, precisa combinar o texto dos tratados com a jurisprudência do STF. Sabe que em Empresarial, a Lei de Falências alterada pela Lei 14.112/20 é essencial. E sabe que em Eleitoral, decorar cinco súmulas do TSE é mais eficiente do que ler o Código Eleitoral inteiro.

A grande diferença entre quem passa e quem fica próximo não está no tempo de estudo — está na precisão estratégica. Candidatos que estudam 8 horas por dia sem foco são superados por aqueles que estudam 5 horas com direcionamento cirúrgico.

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