A revolução da biotecnologia: questões da sociabilidade
A biologia agora é uma ciência exata. A vida não é um mistério, é só um processo complexo, que está começando a ser totalmente definido. (Andrew Simpson)
Durante quase todo o século XX a física foi considerada a mais poderosa das ciências. No final desse mesmo século a biologia assume esse caráter. Os recentes avanços da genética molecular no conhecimento da composição, estrutura e funcionamento dos organismos vivos impõem instigantes questões. A firme crença na correlação entre características e genes correspondentes e na capacidade da biotecnologia nos leva a pensar que estamos vivenciando o início de uma revolução que sinaliza que a humanidade não mais necessitará se sujeitar aos fatores de caráter aleatório que marcaram a história. Existe agora a possibilidade de transformar e controlar de acordo com desígnios bem definidos a natureza em seu núcleo elementar. As fronteiras entre a ficção e a realidade científica parecem cada vez mais tênues.
Um intenso debate começa a se projetar na vida cotidiana, para fora das academias, dos gabinetes políticos e das sedes das grandes corporações. No momento quando a terapia genética e a alimentação com vegetais geneticamente modificados já são realidade, cabe perguntar pelos fundamentos lógicos que delimitam os alvos teóricos/práticos, as hipóteses e os resultados das modernas pesquisas genéticas; cabe perguntar sobre os valores éticos e culturais que orientam tais pesquisas e, sobretudo, os impactos objetivos pela difusão da biotecnologia. Embora essas questões permaneçam obscuras, tamanha é a força com a qual a genética molecular se assume no imaginário coletivo, que as ciências sociais recebem o convite, quase um ultimato, para participarem de uma aventura intelectual baseada em premissas biológicas.
VICTORINO, V. I. P. A revolução da biotecnologia: questões da sociabilidade. Tempo soc., São Paulo, v. 12, n. 2, p. 129-145, Nov. 2000. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0103-20702000000200010&lng=en&nrm=iso. Acesso em 24/jan/2020. [Adaptado]
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ), com base no texto.
( ) Uma dentre as palavras seguintes não segue a mesma regra de acentuação gráfica das paroxítonas terminadas em ditongo oral: ciências – aleatório – história – núcleo – tênues.
( ) Em “Existe agora a possibilidade de transformar e controlar de acordo com desígnios bem definidos a natureza em seu núcleo elementar.” (1° parágrafo), o termo sublinhado pode ser colocado entre vírgulas, pois está sintaticamente intercalado entre o verbo e seu complemento.
( ) A oração “Embora essas questões permaneçam obscuras […]” (2° parágrafo) pode ser reescrita como “Apesar de essas questões permanecerem obscuras […]”, sem prejuízo de significado e sem ferir a norma culta da língua escrita.
( ) Em “tamanha é a força com a qual a genética molecular se assume no imaginário coletivo, que as ciências sociais recebem o convite […]” (2° parágrafo), a conjunção “que” introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva.
( ) Em “A firme crença na correlação entre características e genes correspondentes e na capacidade da biotecnologia nos leva a pensar […] (1° parágrafo), a forma verbal sublinhada pode ser substituída por “levam”, sem ferir a norma culta da língua escrita.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.