Questão
2012
INSTITUIÇÃO SOLER
Prefeitura Municipal da Estância Hidromineral de Ibirá (SP)
2024
VER HISTÓRICO DE RESPOSTAS
4000592394
Leia fragmentos de “Morte e Vida Severina “de João Cabral de Melo Neto abaixo e responda às questões: 

MORTE E VIDA SEVERINA  

(AUTO DE NATAL PERNAMBUCANO) 

PRIMEIRO FRAGMENTO 

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI 

(...) 

— O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia. (...) 

Somos muitos Severinos 

iguais em tudo na vida: 

na mesma cabeça grande 

que a custo é que se equilibra, 

no mesmo ventre crescido 

sobre as mesmas pernas finas, 

e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta. 

E se somos Severinos 

iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina: 

que é a morte de que se morre 

de velhice antes dos trinta, 

de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia 

(de fraqueza e de doença 

é que a morte severina 

ataca em qualquer idade, 

e até gente não nascida). 

Somos muitos Severinos 

iguais em tudo e na sina: 

a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima, 

a de tentar despertar 

terra sempre mais extinta, 

a de querer arrancar 

algum roçado da cinza. 

Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias 

e melhor possam seguir 

a história de minha vida, 

passo a ser o Severino 

que em vossa presença emigra. (...) 

SEGUNDO FRAGMENTO 

— Seu José, mestre carpina, que habita este lamaçal, sabes me dizer se o rio 

a esta altura dá vau? 

sabe me dizer se é funda esta água grossa e carnal? 

— Severino, retirante, 

jamais o cruzei a nado; quando a maré está cheia vejo passar muitos barcos, barcaças, alvarengas, 

muitas de grande calado. 

— Seu José, mestre carpina, para cobrir corpo de homem não é preciso muito água: basta que chega ao abdome, basta que tenha fundura igual à de sua fome. 

(...) 

— Severino, retirante, 

o meu amigo é bem moço; sei que a miséria é mar largo, não é como qualquer poço: mas sei que para cruzá-la vale bem qualquer esforço. 

— Seu José, mestre carpina, e quando é fundo o perau? quando a força que morreu nem tem onde se enterrar, por que ao puxão das águas não é melhor se entregar? 

— Severino, retirante, 

o mar de nossa conversa precisa ser combatido, sempre, de qualquer maneira, porque senão ele alaga 

e devasta a terra inteira. 

— Seu José, mestre carpina, e em que nos faz diferença que como frieira se alastre, ou como rio na cheia, 

se acabamos naufragados num braço do mar miséria? 

— Severino, retirante, 

muita diferença faz 

entre lutar com as mãos 

e abandoná-las para trás, porque ao menos esse mar não pode adiantar-se mais. (...) 

— Seu José, mestre carpina, que diferença faria 

se em vez de continuar tomasse a melhor saída: 

a de saltar, numa noite, 

fora da ponte e da vida? 

(...)

“Há décadas Furnas volta sua atenção também para a preservação do meio ambiente”. A regência que se estabelece entre o substantivo atenção e seu complemento refere-se a: 

A
Regência Verbal.  
B
Regência Transitiva Direta.  
C
Regência Nominal. 
D
Regência Objetiva Direta.