{"id":58335,"date":"2024-03-18T20:38:29","date_gmt":"2024-03-18T23:38:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/?p=58335"},"modified":"2024-03-18T20:38:35","modified_gmt":"2024-03-18T23:38:35","slug":"prova-comentada-legislacao-penal-especial-mp-sc-promotor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/prova-comentada-legislacao-penal-especial-mp-sc-promotor\/","title":{"rendered":"Prova Comentada Legisla\u00e7\u00e3o Penal Especial MP SC Promotor"},"content":{"rendered":"<a id=\"cta-icon\" href=\"https:\/\/sndflw.com\/i\/promotorias-grupo\" target=\"blank\" style=\"background:rgb(83,193,88)\">\n            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/07160657\/whatsapp_1385.webp\" alt=\"\" alt=\"whatsapp_1385\"><span > Acesse agora o Grupo de Estudos para Concurso de Promotorias <\/span><\/a>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ol\u00e1, pessoal, tudo certo?!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 17\/03\/2024, foi aplicada a prova objetiva do concurso p\u00fablico para o <strong>Minist\u00e9rio P\u00fablico do estado de Santa Catarina<\/strong>. Assim que encerrada, nosso time de professores elaborou o gabarito extraoficial, que, agora, ser\u00e1 apresentado juntamente com a nossa <strong>PROVA COMENTADA<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este material visa a auxili\u00e1-los na aferi\u00e7\u00e3o das notas, elabora\u00e7\u00e3o de eventuais recursos, verifica\u00e7\u00e3o das chances de avan\u00e7o para fase discursiva, bem como na revis\u00e3o do conte\u00fado cobrado no certame.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde j\u00e1, destacamos que nosso time de professores identificou <em>1 quest\u00e3o pass\u00edvel de recurso e\/ou que deve ser anulada<\/em>, por apresentarem duas ou nenhuma alternativa correta, como veremos adiante. No tipo de prova comentado, trata-se da<em> quest\u00e3o 25.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo complementar, elaboramos tamb\u00e9m o <strong>RANKING do MP-SC<\/strong>, em que nossos alunos e seguidores poder\u00e3o inserir suas respostas \u00e0 prova, e, ao final, aferir sua nota, de acordo com o gabarito elaborado por nossos professores. Atrav\u00e9s do ranking, tamb\u00e9m poderemos estimar a nota de corte da 1\u00ba fase. Essa ferramenta \u00e9 gratuita e, para participar, basta clicar no link abaixo:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"http:\/\/Prova matutina: https:\/\/cj.estrategia.com\/cadernos-e-simulados\/cadernos\/09409274-8715-4b93-8bfc-498ed5e2c65e\"><strong>Prova matutina<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/cadernos-e-simulados\/cadernos\/333ecc99-ae13-4dca-a664-0f1510a87541\">Prova vespertina<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, montamos um caderno para nossos seguidores, alunos ou n\u00e3o, verem os coment\u00e1rios e comentar as quest\u00f5es da prova:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/cadernos-e-simulados\/cadernos\/09409274-8715-4b93-8bfc-498ed5e2c65e\">Prova matutina<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/cadernos-e-simulados\/cadernos\/333ecc99-ae13-4dca-a664-0f1510a87541\">Prova vespertina&nbsp;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, comentaremos a prova, as quest\u00f5es mais pol\u00eamicas, as possibilidades de recurso, bem como a estimativa da nota de corte no <strong>TERM\u00d4METRO P\u00d3S-PROVA<\/strong>, no nosso canal do Youtube. Inscreva-se e ative as notifica\u00e7\u00f5es! <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@EstrategiaCarreiraJuridica\"><strong>Estrat\u00e9gia Carreira Jur\u00eddica &#8211; YouTube<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-pale-ocean-gradient-background has-background wp-block-paragraph\"><strong>Confira <a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/gabarito-extraoficial-mp-sc-promotor\/\">AQUI<\/a> as provas comentadas de todas as disciplinas!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-1\" id=\"h-prova-comentada-legislacao-penal-especial\"><span id=\"prova-comentada-legislacao-penal-especial\">Prova Comentada Legisla\u00e7\u00e3o Penal Especial<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 65. Suponha que Joana tem a posse e est\u00e1 portando arma de fogo de uso permitido. Acontece que, seu registro est\u00e1 vencido a tr\u00eas meses. Nesta situa\u00e7\u00e3o, a conduta de Joana \u00e9 at\u00edpica, tratando-se de mera infra\u00e7\u00e3o administrativa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, sendo que a quest\u00e3o tratou sobre o Estatuto do Desarmamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fato de Joana ter a posse da arma n\u00e3o lhe autoriza a port\u00e1-la, mas apenas mant\u00ea-la apenas dentro de sua resid\u00eancia ou em suas depend\u00eancias, ou ainda, de em seu local de trabalho, caso ela seja a titular ou a respons\u00e1vel legal pelo estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme precedentes do STJ a \u201cposse\u201d da arma (crime do art. 12 da Lei n.\u00ba 10.826\/2003) com o registro vencido n\u00e3o \u00e9 conduta t\u00edpica: \u201c[\u2026] N\u00e3o obstante a reprovabilidade comportamental, a omiss\u00e3o restringe-se \u00e0 esfera administrativa, n\u00e3o logrando repercuss\u00e3o penal a n\u00e3o revalida\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica do certificado de registro [\u2026]\u201d (RHC n.\u00ba 80.365\/SP, publicado no DJe em 22\/3\/2017). \u201c[\u2026] Se o agente j\u00e1 procedeu ao registro da arma, a expira\u00e7\u00e3o do prazo \u00e9 mera irregularidade administrativa que autoriza a apreens\u00e3o do artefato e aplica\u00e7\u00e3o de multa. A conduta, no entanto, n\u00e3o caracteriza il\u00edcito penal [\u2026]\u201d (APn n.\u00ba 686\/AP, publicado no DJe em 29\/10\/2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso, a conduta de Joana n\u00e3o \u00e9 at\u00edpica, mas sim t\u00edpica, pois ela estava \u201cportando\u201d a arma, podendo configurar crime do art. 14 ou 16 da Lei n.\u00ba 10.826\/2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 66. Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e informa\u00e7\u00f5es requisitadas pelo juiz, Minist\u00e9rio P\u00fablico ou delegado de e pol\u00edcia, no curso de investiga\u00e7\u00e3o, ou do processo que envolve crime praticado por organiza\u00e7\u00f5es criminosas, comete o crime de desobedi\u00eancia disposto no C\u00f3digo Penal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, sendo que a quest\u00e3o tratou de crime previsto na Lei n.\u00ba 12.850\/2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conduta descrita configura o crime do art. 21 da Lei n.\u00ba 12.850\/2013: \u201cArt. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e informa\u00e7\u00f5es requisitadas pelo juiz, Minist\u00e9rio P\u00fablico ou delegado de pol\u00edcia, no curso de investiga\u00e7\u00e3o ou do processo: Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 67. Jo\u00e3o Marcos, maior e capaz, sem antecedentes criminais, foi preso em flagrante delito por portar sete quilos de maconha em sua e bolsa. Ao ser interrogado, disse que n\u00e3o pertencia a ele, posto que s\u00f3 estava transportando a subst\u00e2ncia em troca de dinheiro. Nesta situa\u00e7\u00e3o, se Jo\u00e3o Marcos for condenado pelo crime de tr\u00e1fico il\u00edcito de entorpecentes, a grande quantidade de maconha apreendida com ele n\u00e3o poder\u00e1 ensejar, simultaneamente, o aumento da sua pena-base e a nega\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio de redu\u00e7\u00e3o da pena nos termos da Lei n\u00ba 11.343\/2006.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou sobre o crime de tr\u00e1fico de drogas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme entendimento pacificado do STJ e constante na Edi\u00e7\u00e3o n.\u00ba 131 do Jurisprud\u00eancia em Teses (Compilado: Lei de Drogas), tese n.\u00ba 45: \u201c45) A natureza e a quantidade da droga n\u00e3o podem ser utilizadas simultaneamente para justificar o aumento da pena-base e para afastar a redu\u00e7\u00e3o prevista no \u00a74\u00ba do art. 33 da Lei n. 11.343\/2006, sob pena de caracterizar <em>bis in idem<\/em>\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 74. Em face do disposto na Lei de Crimes Hediondos (Lei n\u00ba 8.072\/1990), \u00e9 hediondo o homic\u00eddio cometido em atividade t\u00edpica de milicia, ainda que por um s\u00f3 agente. Da atual reg\u00eancia do C\u00f3digo Penal brasileiro, observando a sistem\u00e1tica dos crimes contra o patrim\u00f4nio, julgue os itens a seguir.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong>O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, pois a reda\u00e7\u00e3o literal do art. 1\u00ba, I, da Lei dos Crimes Hediondos trata sobre a hediondez dos crimes praticados em atividade t\u00edpica de \u201cgrupos de exterm\u00ednio\u201d e n\u00e3o \u201cmil\u00edcia\u201d, conceitos que tecnicamente n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos: \u201cArt. 1\u00ba S\u00e3o considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 &#8211; C\u00f3digo Penal, consumados ou tentados: I &#8211; homic\u00eddio (art. 121), quando praticado em atividade t\u00edpica de grupo de exterm\u00ednio, ainda que cometido por um s\u00f3 agente, e homic\u00eddio qualificado (art. 121, \u00a7 2\u00ba, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 78. Ant\u00f4nio foi denunciado por inj\u00faria racial (Art. 2\u00ba-A da Lei n\u00ba 7.716\/1989), pois, em 6 de maio de 2023, ofendeu Dandara, em raz\u00e3o da cor de sua pele preta e o aspecto do seu cabelo do tipo <\/strong><strong><em>Black<\/em><\/strong><strong>, com coment\u00e1rios jocosos durante um jantar, no qual arrancava gargalhadas dos participantes, constrangendo a ofendida. Em sua resposta a acusa\u00e7\u00e3o alegou que n\u00e3o teve o <\/strong><strong><em>animus<\/em><\/strong><strong> de injuriar e que seus coment\u00e1rios n\u00e3o passaram de piada com <\/strong><strong><em>animus jocandi<\/em><\/strong><strong>. Na audi\u00eancia, os fatos foram comprovados pelas testemunhas. Ao final, o juiz absolveu Ant\u00f4nio acolhendo a tese de aus\u00eancia de dolo de ofender e sim de <\/strong><strong><em>animus jocandi<\/em><\/strong><strong>. Nesse caso o Minist\u00e9rio P\u00fablico, em seu recurso, poder\u00e1 fundamentar, inclusive, que o racismo recreativo ao contr\u00e1rio de ser uma excludente de tipicidade \u00e9 uma causa de aumento da pena.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou sobre a Lei dos Crimes de Racismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o art. 20-A, inclu\u00eddo \u00e0 Lei n.\u00ba 7.716\/1989 pela Lei n\u00ba 14.532\/2023, ao racismo praticado com o intuito de provocar descontra\u00e7\u00e3o, divers\u00e3o ou recrea\u00e7\u00e3o aplica-se a causa de aumento de pena de 1\/3 (um ter\u00e7o): \u201cArt. 20-A. Os crimes previstos nesta Lei ter\u00e3o as penas aumentadas de 1\/3 (um ter\u00e7o) at\u00e9 a metade, quando ocorrerem em contexto ou com intuito de descontra\u00e7\u00e3o, divers\u00e3o ou recrea\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 80. Giovana, mulher trans, professora de uma faculdade privada, enquanto esperava seu companheiro, Jo\u00e3o, homem cis e empres\u00e1rio, foi abordada por um jovem aluno que aproveitou a oportunidade para tirar uma d\u00favida sobre a aula. Jo\u00e3o, que sempre demonstrou muito ci\u00fame de Giovana, ao ver a cena teve uma crise de ci\u00fames gritando com Giovana que ela n\u00e3o iria mais trabalhar, que n\u00e3o precisa de emprego, porque seu trabalho \u00e9 pretexto para ficar de conversa com outros homens. Ordenou aos gritos que Giovana entrasse no carro e ela, assustada, se recusou, quando ent\u00e3o Jo\u00e3o deu um soco da face de Giovana. Com a chegada da pol\u00edcia, Giovana foi conduzida para exame de corpo de delito, tendo sido constatado hematoma na regi\u00e3o orbital e palpebral do olho direito. Giovana, em seu depoimento policial, manifestou o desejo de obter as medidas protetivas de urg\u00eancia, destacadamente para evitar que Jo\u00e3o se aproxime dela. No caso em exame, a Lei Maria da Penha (Lei n\u00b0 11.340\/2006) n\u00e3o se aplica, vez que exige que a viol\u00eancia seja baseada no g\u00eanero e que a v\u00edtima seja do sexo feminino.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, tendo a quest\u00e3o tratado da aplica\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o STJ, a Lei Maria da Penha tamb\u00e9m se aplica \u00e0 mulher transsexual: \u201c[&#8230;] 4. Para alicer\u00e7ar a discuss\u00e3o referente \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba da Lei Maria da Penha \u00e0 esp\u00e9cie, necess\u00e1ria \u00e9 a diferencia\u00e7\u00e3o entre os conceitos de g\u00eanero e sexo, assim como breves no\u00e7\u00f5es de termos transexuais, transg\u00eaneros, cisg\u00eaneros e travestis, com a compreens\u00e3o voltada para a inclus\u00e3o dessas categorias no abrigo da Lei em comento, tendo em vista a rela\u00e7\u00e3o dessas minorias com a l\u00f3gica da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher. 5. A balizada doutrina sobre o tema leva \u00e0 conclus\u00e3o de que as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero podem ser estudadas com base nas identidades feminina e masculina. G\u00eanero \u00e9 quest\u00e3o cultural, social, e significa intera\u00e7\u00f5es entre homens e mulheres. Uma an\u00e1lise de g\u00eanero pode se limitar a descrever essas din\u00e2micas. O feminismo vai al\u00e9m, ao mostrar que essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o de poder e que produzem injusti\u00e7a no contexto do patriarcado. Por outro lado, sexo refere-se \u00e0s caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas dos aparelhos reprodutores feminino e masculino, bem como ao seu funcionamento, de modo que o conceito de sexo, como visto, n\u00e3o define a identidade de g\u00eanero. Em uma perspectiva n\u00e3o meramente biol\u00f3gica, portanto, mulher trans mulher \u00e9. [&#8230;] 8. Recurso especial provido, a fim de reconhecer a viola\u00e7\u00e3o do art. 5\u00ba da Lei n. 11.340\/2006 e cassar o ac\u00f3rd\u00e3o de origem para determinar a imposi\u00e7\u00e3o das medidas protetivas requeridas pela v\u00edtima L. E. S. F. contra o ora recorrido\u201d. (REsp n.\u00ba 1.977.124\/SP, Rel. Min, Rog\u00e9rio Schietti Cruz, julgado em 5\/4\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 83. Bentinho, tendo sido flagrado com 20 gramas de maconha que se destinava a venda em uma favela dominada por uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa, ou seja, em territ\u00f3rio sob o dom\u00ednio de uma fac\u00e7\u00e3o de traficantes, n\u00e3o pode, mesmo sendo prim\u00e1rio e de bons antecedentes, ser beneficiado pela causa de diminui\u00e7\u00e3o do par\u00e1grafo 4\u00ba do Art. 33, da Lei n\u00b0 11.343\/2006, o chamado tr\u00e1fico privilegiado, pois, presume-se, em raz\u00e3o do territ\u00f3rio, que o agente integra a organiza\u00e7\u00e3o criminosa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>. A quest\u00e3o tratou do crime de tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que a causa de diminui\u00e7\u00e3o do art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n.\u00ba 11.343\/2006 seja afastada deve haver prova efetiva que Bentinho se dedica a atividades criminosas ou fa\u00e7a parte de organiza\u00e7\u00e3o criminosa, n\u00e3o se admitindo presun\u00e7\u00f5es em desfavor do r\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 85. Em rela\u00e7\u00e3o aos crimes e aos procedimentos previstos na Lei n\u00b0 11.101\/2005, sabe-se que a senten\u00e7a que decreta a fal\u00eancia concede a recupera\u00e7\u00e3o judicial ou a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial \u00e9 condi\u00e7\u00e3o objetiva de punibilidade das infra\u00e7\u00f5es penais descritas nessa Lei.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>, tendo a quest\u00e3o abordado sobre aspectos penais da Lei de Fal\u00eancias e Recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 de acordo com a literalidade do art. 180 da Lei n.\u00ba 11.101\/2005: \u201cArt. 180. A senten\u00e7a que decreta a fal\u00eancia, concede a recupera\u00e7\u00e3o judicial ou concede a recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial de que trata o art. 163 desta Lei \u00e9 condi\u00e7\u00e3o objetiva de punibilidade das infra\u00e7\u00f5es penais descritas nesta Lei\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 86. Ana afirmou ser v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica praticada pelo seu ex-namorado, Jos\u00e9, com quem se relacionou durante um ano, at\u00e9 romperem em decorr\u00eancia dos ci\u00fames excessivos do rapaz. Nos meses subsequentes ao t\u00e9rmino, Jos\u00e9, inconformado, come\u00e7ou a realizar diuturnas liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas para o aparelho celular da ex-namorada pela manh\u00e3, tarde, noite e alta madrugada. Ana pediu a troca de n\u00famero a sua operadora diversas vezes. Jos\u00e9 conseguiu obter os novos n\u00fameros, prosseguiu nas tentativas de contato telef\u00f4nico e come\u00e7ou a enviar e-mails di\u00e1rios ao perceber que Ana n\u00e3o o respondia. Desesperada e atormentada psicologicamente, Ana procurou uma delegacia e obteve, da magistrada competente, medida protetiva de urg\u00eancia que determinou que seu ex-namorado, Jos\u00e9, n\u00e3o a procurasse por quaisquer meios de comunica\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o que ele, entretanto, descumpriu ao descobrir que Ana havia viajado para Jurer\u00ea Internacional no carnaval 2024. As formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher est\u00e3o, taxativamente, previstas no Art. 7\u00ba da Lei ne 11.340\/2006 n\u00e3o sendo objeto de medidas protetivas de urg\u00eancia outras sen\u00e3o aquelas elencadas nesse dispositivo O caso d\u00e1 azo \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da medida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou da Lei Maria da Penha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 7\u00ba da Lei Maria da Penha \u201cn\u00e3o\u201d traz um rol taxativo, mas \u201cmeramente exemplificativo\u201d, conforme se infere da express\u00e3o \u201centre outras\u201d: \u201cArt. 7\u00ba S\u00e3o formas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher, entre outras: [&#8230;]\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 87. Considerando o Estatuto da Pessoa Idosa, o indiv\u00edduo que se apropria de pens\u00e3o da pessoa idosa, dando-lhe destina\u00e7\u00e3o diversa daquela definida como sua finalidade comete crime, previsto na referida lei, que respeitar\u00e1 o procedimento previsto na Lei n\u00b0 9.099, de 1995, sendo vedada a transa\u00e7\u00e3o penal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou sobre os crimes previstos no Estatuto do Idoso e suas repercuss\u00f5es processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conduta descrita no enunciado est\u00e1 prevista no art. 102 do Estatuto do Idoso: \u201cArt. 102. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pens\u00e3o ou qualquer outro rendimento da pessoa idosa, dando-lhes aplica\u00e7\u00e3o diversa da de sua finalidade:&nbsp; &nbsp; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 14.423, de 2022) Pena \u2013 reclus\u00e3o de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, por for\u00e7a do art. 94 do Estatuto do Idoso, com base no que decidiu o STF na ADI n.\u00ba 3.096, aplica-se o rito sumar\u00edssimo aos crimes com pena m\u00e1xima de at\u00e9 4 (quatro) anos, mas os seus institutos despenalizadores (transa\u00e7\u00e3o penal e SURSIS) n\u00e3o se aplicam: \u201cArt. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena m\u00e1xima privativa de liberdade n\u00e3o ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Penal e do C\u00f3digo de Processo Penal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDecis\u00e3o: Preliminarmente, o Tribunal, por unanimidade, n\u00e3o conheceu da a\u00e7\u00e3o direta relativamente ao art. 39 da Lei n\u00ba 10.741\/2003. Prosseguindo no julgamento, ap\u00f3s o voto da Senhora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia (Relatora), julgando parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para dar interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao art. 94 da referida lei, no sentido de aplicar-se apenas o procedimento previsto na Lei n\u00ba 9.099\/95 e n\u00e3o outros benef\u00edcios ali previstos, e ap\u00f3s o voto do Senhor Ministro Eros Grau, julgando-a improcedente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Carlos Britto. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Presid\u00eancia do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plen\u00e1rio, 19.08.2009\u201d. (ADI n.\u00ba 3.096).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 88. Estatuto da Pessoa com Defici\u00eancia &#8211; Lei n\u00b0 13.146 de 2015, destina-se a assegurar e a promover, em condi\u00e7\u00f5es iguais o exerc\u00edcio dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoas com defici\u00eancia, tendo como escopo \u00e0 sua inclus\u00e3o social e cidadania. Nesse diapas\u00e3o, o crime de abandonar pessoa com defici\u00eancia em hospitais, casas de sa\u00fade, entidades de abrigamento, ou cong\u00eaneres pr\u00f3prio e n\u00e3o admite tentativa. A consuma\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 no momento em que a v\u00edtima for abandonada nos locais indicados no caput do Art. 90 da Lei n\u00ba 13.146\/2015.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>. A quest\u00e3o tratou sobre os crimes previstos na Lei n.\u00ba 13.146\/2015 (Estatuto da Pessoa Com Defici\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crime do art. 90 da Lei n.\u00ba 13.146\/2015 prev\u00ea: \u201cArt. 90. Abandonar pessoa com defici\u00eancia em hospitais, casas de sa\u00fade, entidades de abrigamento ou cong\u00eaneres: Pena &#8211; reclus\u00e3o, de 6 (seis) meses a 3 (tr\u00eas) anos, e multa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 errado, pois n\u00e3o existe raz\u00e3o que impe\u00e7a qualquer pessoa de praticar o crime, n\u00e3o se trata de crime comissivo por omiss\u00e3o, tratando-se de crime comum. \u00c9 dispens\u00e1vel o v\u00ednculo entre o autor do fato e a v\u00edtima. Al\u00e9m disso, \u00e9 um crime que admite tentativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 89. No que concerne \u00e0 responsabilidade penal das pessoas jur\u00eddicas e a consequente aplica\u00e7\u00e3o da pena pela pr\u00e1tica de crimes ambientais, previstos na Lei n\u00ba 9.605\/1998, pode-se afirmar que nos delitos tipificados nesta normativa \u00e9 admitida a suspens\u00e3o condicional da pena, <\/strong><strong><em>sursis<\/em><\/strong><strong> ambiental, nos casos de condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pena privativa de liberdade n\u00e3o superior dois anos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, tendo a quest\u00e3o abordado a Lei n.\u00ba 9.605\/1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A norma mencionada (Lei n.\u00ba 9.605\/1998) trata sobre a responsabilidade penal de pessoas jur\u00eddicas, isto \u00e9, de fic\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas criadas por pessoas f\u00edsicas, que por serem abstratas, n\u00e3o podem sofrer pena corporal (privativa de liberdade), como consta do enunciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 21 da referida lei trata sobre as penas aplic\u00e1veis \u00e0s pessoas jur\u00eddicas: \u201cArt. 21. As penas aplic\u00e1veis isolada, cumulativa ou alternativamente \u00e0s pessoas jur\u00eddicas, de acordo com o disposto no art. 3\u00ba, s\u00e3o: I &#8211; multa; II &#8211; restritivas de direitos; III &#8211; presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da\u00ed porque n\u00e3o se cogita falar em aplica\u00e7\u00e3o de pena privativa de liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 91. Tendo como base a Lei n\u00ba 7.210\/1984, e as altera\u00e7\u00f5es realizadas com o advento do pacote anticrime, tem-se, que no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), passou a existir o direito do preso \u00e0 sa\u00edda da cela por duas horas di\u00e1rias para banho de sol, em grupos de at\u00e9 tr\u00eas presos, desde que n\u00e3o haja contato com presos do mesmo grupo criminoso.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou sobre o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), previsto na LEP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os grupos para o banho de sol podem ser de at\u00e9 4 (quatro) e n\u00e3o de 3 (tr\u00eas) presos, conforme art. 52, IV, da LEP: \u201cArt. 52. A pr\u00e1tica de fato previsto como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasionar subvers\u00e3o da ordem ou disciplina internas, sujeitar\u00e1 o preso provis\u00f3rio, ou condenado, nacional ou estrangeiro, sem preju\u00edzo da san\u00e7\u00e3o penal, ao regime disciplinar diferenciado, com as seguintes caracter\u00edsticas: [&#8230;] IV &#8211; direito do preso \u00e0 sa\u00edda da cela por 2 (duas) horas di\u00e1rias para banho de sol, em grupos de at\u00e9 4 (quatro) presos, desde que n\u00e3o haja contato com presos do mesmo grupo criminoso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 92. Jo\u00e3o enviou duas fotografias com cenas de sexo expl\u00edcito envolvendo Maria e Catarina, crian\u00e7as contando com seis e oito anos de idade, respectivamente, por meio de um e-mail, para Vit\u00f3rio. No momento do cumprimento do mandado de busca e apreens\u00e3o na resid\u00eancia de Jo\u00e3o, foram encontradas e apreendidas outras dez fotos de pornografia infantil em seu computador, al\u00e9m de um \u00e1lbum contendo mais cem fotografias de adolescentes em cenas de nudez. De acordo com o disposto no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, pode-se concluir que Jo\u00e3o ser\u00e1 responsabilizado, exclusivamente, pelo crime preceituado no Art. 241-A do ECA. O crime elencado no Art. 241-B, da Lei n\u00ba 8.069\/1990, ser\u00e1 absorvido, princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o, pelo tipo previsto no Art. 241-A, porque constitui meio de execu\u00e7\u00e3o desse crime, conforme entendimento consolidado do STJ e do STF. Cumpre destacar que a conduta elencada no Art. 241-A do ECA \u00e9 hedionda.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, tendo a quest\u00e3o tratado sobre o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o e sobre crimes previstos no ECA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o tema repetitivo do STJ n.\u00ba 1.168 n\u00e3o aplica o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o entre as condutas do art. 241-A e 241-B do ECA, considerando a distin\u00e7\u00e3o entre os bens jur\u00eddicos tutelados pela norma: \u201cOs tipos penais trazidos nos arts. 241-A e 241-B do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente s\u00e3o aut\u00f4nomos, com verbos e condutas distintas, sendo que o crime do art. 241-B n\u00e3o configura fase normal, tampouco meio de execu\u00e7\u00e3o para o crime do art. 241-A, o que possibilita o reconhecimento de concurso material de crimes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, \u00e9 o art. 241-B do ECA que \u00e9 crime hediondo (e n\u00e3o o art. 241-A): \u201cArt. 1\u00ba [&#8230;] Par\u00e1grafo \u00fanico. Consideram-se tamb\u00e9m hediondos, tentados ou consumados: [&#8230;] VII &#8211; os crimes previstos no \u00a7 1\u00ba do art. 240 e no art. 241-B da Lei n\u00ba 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente). (Inclu\u00eddo pela Lei 14.811, de 2024)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 93. O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente estabelece expressamente como crime a conduta espec\u00edfica de simular a participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a ou adolescente em cena de sexo expl\u00edcito ou pornogr\u00e1fica por meio de adultera\u00e7\u00e3o, montagem ou modifica\u00e7\u00e3o de fotografia, v\u00eddeo ou qualquer outra forma de representa\u00e7\u00e3o visual.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>, tendo a quest\u00e3o trato de crimes previstos no ECA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conduta descrita no enunciado se trata do crime previsto no art. 241-C do ECA: \u201cArt. 241-C.&nbsp; Simular a participa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a ou adolescente em cena de sexo expl\u00edcito ou pornogr\u00e1fica por meio de adultera\u00e7\u00e3o, montagem ou modifica\u00e7\u00e3o de fotografia, v\u00eddeo ou qualquer outra forma de representa\u00e7\u00e3o visual: Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 1 (um) a 3 (tr\u00eas) anos, e multa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 94. No que concerne aos crimes contra a ordem tribut\u00e1ria, econ\u00f4mica e as rela\u00e7\u00f5es de consumo, estabelecidos na legisla\u00e7\u00e3o e p\u00e1tria, a conduta de promover publicidade que deveria saber ser pass\u00edvel de induzir os consumidores a comportarem-se de forma prejudicial ou perigosa \u00e0 sua sa\u00fade, como conduzirem motocicletas em alta velocidade e sem capacetes, configura crime nas rela\u00e7\u00f5es de consumo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong>O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, pois n\u00e3o existe a tipifica\u00e7\u00e3o dessa conduta em lei. Na verdade, tal conduta caracteriza-se como publicidade abusiva, nos termos do art. 37, \u00a7 2\u00ba, do CDC: \u201cArt. 37 [&#8230;] \u00a7 2\u00b0 \u00c9 abusiva, dentre outras a publicidade discriminat\u00f3ria de qualquer natureza, a que incite \u00e0 viol\u00eancia, explore o medo ou a supersti\u00e7\u00e3o, se aproveite da defici\u00eancia de julgamento e experi\u00eancia da crian\u00e7a, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa \u00e0 sua sa\u00fade ou seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 114. Aos crimes cometidos contra idosos, cuja pena m\u00e1xima privativa de liberdade n\u00e3o ultrapasse quatro anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei n\u00ba 9.099\/1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Penal e do C\u00f3digo de Processo Penal. O STF, contudo, vedou, nesses casos, a possibilidade de que fossem aplicadas quaisquer das medidas despenalizadoras previstas na Lei n\u00ba 9.099\/1995.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>. A quest\u00e3o tratou sobre os crimes previstos no Estatuto do Idoso e suas repercuss\u00f5es processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 de acordo com o art. 94 do Estatuto do Idoso, com base no que decidiu o STF na ADI n.\u00ba 3.096: \u201cArt. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena m\u00e1xima privativa de liberdade n\u00e3o ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposi\u00e7\u00f5es do C\u00f3digo Penal e do C\u00f3digo de Processo Penal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDecis\u00e3o: Preliminarmente, o Tribunal, por unanimidade, n\u00e3o conheceu da a\u00e7\u00e3o direta relativamente ao art. 39 da Lei n\u00ba 10.741\/2003. Prosseguindo no julgamento, ap\u00f3s o voto da Senhora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia (Relatora), julgando parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o para dar interpreta\u00e7\u00e3o conforme ao art. 94 da referida lei, no sentido de aplicar-se apenas o procedimento previsto na Lei n\u00ba 9.099\/95 e n\u00e3o outros benef\u00edcios ali previstos, e ap\u00f3s o voto do Senhor Ministro Eros Grau, julgando-a improcedente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Carlos Britto. Ausentes, licenciados, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. Presid\u00eancia do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plen\u00e1rio, 19.08.2009\u201d. (ADI n.\u00ba 3096)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 115. Jo\u00e3o conduzia ve\u00edculo automotor imprimindo a velocidade de 95 km\/h numa via cuja sinaliza\u00e7\u00e3o indicava o limite m\u00e1ximo de 40 km\/h. Ao pegar o celular para enviar uma mensagem, atropelou Pedro, causando-lhe les\u00f5es leves. A a\u00e7\u00e3o penal ser\u00e1 condicionada \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, salvo se Jo\u00e3o estivesse embriagado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>. A quest\u00e3o tratou sobre aspectos criminais do CTB. De acordo com a regra geral do art. 291, \u201ccaput\u201d, do CTB, em caso de les\u00e3o leve\/culposa, o crime proceder-se-\u00e1 mediante representa\u00e7\u00e3o do ofendido: \u201cArt. 291. Aos crimes cometidos na dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores, previstos neste C\u00f3digo, aplicam-se as normas gerais do C\u00f3digo Penal e do C\u00f3digo de Processo Penal, se este Cap\u00edtulo n\u00e3o dispuser de modo diverso, bem como a Lei n\u00ba 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, na hip\u00f3tese do enunciado, Jo\u00e3o conduzia o ve\u00edculo a 95 km\/ph, logo, 55 km\/ph acima da velocidade m\u00e1xima permitida (40 km\/ph), raz\u00e3o pela qual aplica-se a regra do art. 291, \u00a7 1\u00ba, III, do CTB: \u201cArt. 291 [&#8230;] \u00a7 1\u00ba&nbsp; Aplica-se aos crimes de tr\u00e2nsito de les\u00e3o corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995, exceto se o agente estiver: [&#8230;] III &#8211; transitando em velocidade superior \u00e0 m\u00e1xima permitida para a via em 50 km\/h (cinq\u00fcenta quil\u00f4metros por hora)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, no caso a a\u00e7\u00e3o penal ser\u00e1 p\u00fablica incondicionada, dispensando a representa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 118. O compartilhamento, para fins penais, de dados banc\u00e1rios e fiscais de contribuinte obtidos por meio da atividade fiscalizat\u00f3ria da Receita Federal com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, depende de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, pois na hip\u00f3tese narrada n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria autoriza\u00e7\u00e3o judicial, conforme decidiu o STF no tema de repercuss\u00e3o geral n.\u00ba 990: \u201c1. \u00c9 constitucional o compartilhamento dos relat\u00f3rios de intelig\u00eancia financeira da UIF e da \u00edntegra do procedimento fiscalizat\u00f3rio da Receita Federal do Brasil, que define o lan\u00e7amento do tributo, com os \u00f3rg\u00e3os de persecu\u00e7\u00e3o penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de pr\u00e9via autoriza\u00e7\u00e3o judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informa\u00e7\u00f5es em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional. 2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por meio de comunica\u00e7\u00f5es formais, com garantia de sigilo, certifica\u00e7\u00e3o do destinat\u00e1rio e estabelecimento de instrumentos efetivos de apura\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o de eventuais desvios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 119. A Lei Federal n\u00b0 12.850\/2013 conceitua organiza\u00e7\u00e3o criminosa de modo diverso do que estabelece a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es e Unidas, pois exige, para sua configura\u00e7\u00e3o, a associa\u00e7\u00e3o de quatro ou mais pessoas. A despeito da diferen\u00e7a num\u00e9rica para a caracteriza\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o criminosa, ambas as defini\u00e7\u00f5es normativas exigem que o grupo exista h\u00e1 algum tempo e que atue de modo estruturado e ordenado\/concertado com a finalidade de obten\u00e7\u00e3o de vantagens mediante a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>errado<\/strong>, pois o art. 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, da Lei n.\u00ba 12.850\/2013 n\u00e3o exige que o grupo exista h\u00e1 algum tempo: \u201cArt. 1\u00ba Esta Lei define organiza\u00e7\u00e3o criminosa e disp\u00f5e sobre a investiga\u00e7\u00e3o criminal, os meios de obten\u00e7\u00e3o da prova, infra\u00e7\u00f5es penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado. \u00a7 1\u00ba Considera-se organiza\u00e7\u00e3o criminosa a associa\u00e7\u00e3o de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divis\u00e3o de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais cujas penas m\u00e1ximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de car\u00e1ter transnacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 120. Dentre as t\u00e9cnicas especiais de investiga\u00e7\u00f5es previstas na Lei n\u00ba 12.850\/2013, a colabora\u00e7\u00e3o premiada mereceu especial aten\u00e7\u00e3o do legislador quando da reforma legislativa promovida pela Lei n\u00ba 13.964\/2019. A norma atual estabelece que para verificar a regularidade, legalidade e voluntariedade do acordo o juiz dever\u00e1 realizar a oitiva sigilosa do colaborador. Antes da reforma legislativa, a oitiva sigilosa era poss\u00edvel, mas n\u00e3o obrigat\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>, tendo a quest\u00e3o tratado sobre a colabora\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme art. 4\u00ba, \u00a7 7\u00ba, da Lei n.\u00ba 12.850\/2013: \u201cArt. 4\u00ba [&#8230;] \u00a7 7\u00ba Realizado o acordo na forma do \u00a7 6\u00ba deste artigo, ser\u00e3o remetidos ao juiz, para an\u00e1lise, o respectivo termo, as declara\u00e7\u00f5es do colaborador e c\u00f3pia da investiga\u00e7\u00e3o, devendo o juiz ouvir sigilosamente o colaborador, acompanhado de seu defensor, oportunidade em que analisar\u00e1 os seguintes aspectos na homologa\u00e7\u00e3o: (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Lei n\u00ba 13.964, de 2019)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O verbo utilizado na reda\u00e7\u00e3o atual \u00e9 o \u201cdever\u201d. A reda\u00e7\u00e3o antiga trazia a seguinte disposi\u00e7\u00e3o: \u201cArt. 4\u00ba [&#8230;] \u00a7 7\u00ba Realizado o acordo na forma do \u00a7 6\u00ba , o respectivo termo, acompanhado das declara\u00e7\u00f5es do colaborador e de c\u00f3pia da investiga\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 remetido ao juiz para homologa\u00e7\u00e3o, o qual dever\u00e1 verificar sua regularidade, legalidade e voluntariedade, podendo para este fim, sigilosamente, ouvir o colaborador, na presen\u00e7a de seu defensor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Verifica-se que era uma faculdade do juiz ouvir ou n\u00e3o o colaborador em audi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 121. Nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciar\u00e1, na presen\u00e7a de seu defensor, ao direito ao sil\u00eancio e estar\u00e1 sujeito ao compromisso legal de dizer a verdade.&#8221; Conforme decidiu o STF, o dispositivo n\u00e3o \u00e9 inconstitucional, mas o termo &#8220;ren\u00fancia&#8221; deve ser interpretado conforme a Constitui\u00e7\u00e3o, na medida em que o direito ao sil\u00eancio \u00e9 irrenunci\u00e1vel e inalien\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>, tendo a quest\u00e3o tratado sobre a colabora\u00e7\u00e3o premiada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme decidiu o STF na ADI n.\u00ba 5.567: \u201c[&#8230;] 5. Apesar da consagra\u00e7\u00e3o do direito ao sil\u00eancio (art. 5\u00ba, LIV e LXIII, da CF\/88), n\u00e3o existir\u00e1 inconstitucionalidade no fato da legisla\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria prever a concess\u00e3o de um benef\u00edcio legal que proporcionar\u00e1 ao acusado melhora na sua situa\u00e7\u00e3o penal (atenuantes gen\u00e9ricas, causas de diminui\u00e7\u00e3o de pena, concess\u00e3o de perd\u00e3o judicial) em contrapartida da sua colabora\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria. Caber\u00e1 ao pr\u00f3prio indiv\u00edduo decidir, livremente e na presen\u00e7a da sua defesa t\u00e9cnica, se colabora (ou n\u00e3o) com os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela persecu\u00e7\u00e3o penal. Os benef\u00edcios legais oriundos da colabora\u00e7\u00e3o premiada servem como est\u00edmulo para o acusado fazer uso do exerc\u00edcio de n\u00e3o mais permanecer em sil\u00eancio. Compreens\u00edvel, ent\u00e3o, o termo &#8220;ren\u00fancia&#8221; ao direito ao sil\u00eancio n\u00e3o como forma de esgotamento da garantia do direito ao sil\u00eancio, que \u00e9 irrenunci\u00e1vel e inalien\u00e1vel, mas sim como forma de &#8220;livre exerc\u00edcio do direito ao sil\u00eancio e da n\u00e3o autoincrimina\u00e7\u00e3o pelos colaboradores, em rela\u00e7\u00e3o aos fatos il\u00edcitos que constituem o objeto dos neg\u00f3cios jur\u00eddicos&#8221;, haja vista que o acordo de colabora\u00e7\u00e3o premiada \u00e9 ato volunt\u00e1rio, firmado na presen\u00e7a da defesa t\u00e9cnica (que dever\u00e1 orientar o investigado acerca das consequ\u00eancias do neg\u00f3cio jur\u00eddico) e que possibilita grandes vantagens ao acusado. Portanto, a colabora\u00e7\u00e3o premiada \u00e9 plenamente compat\u00edvel com o princ\u00edpio do <em>&#8220;nemo tenetur se detegere&#8221;<\/em> (direito de n\u00e3o produzir prova contra si mesmo) [&#8230;]\u201d. (ADI n.\u00ba 5.567, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 21\/11\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 122. Ao prever que o Art. 16 que s\u00f3 ser\u00e1 admitida a ren\u00fancia \u00e0 representa\u00e7\u00e3o perante o juiz, em audi\u00eancia especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da den\u00fancia e ouvido o Minist\u00e9rio P\u00fablico&#8221;, o dispositivo foi interpretado por diversos \u00f3rg\u00e3os do Poder Judici\u00e1rio como se fosse obrigat\u00f3ria a designa\u00e7\u00e3o de audi\u00eancia antes do recebimento da den\u00fancia, sob pena de nulidade. A controv\u00e9rsia foi afetada ao rito dos recursos repetitivos no STJ. O STF, por sua vez, reconheceu ser inconstitucional a designa\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia de of\u00edcio ou a requerimento da outra parte que n\u00e3o a ofendida.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou sobre a audi\u00eancia do art. 16 da Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme decidiu o STF na ADI n.\u00ba 7.267: \u201c[&#8230;] 5. Apenas a ofendida pode requerer a designa\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia para a ren\u00fancia \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, sendo vedado ao Poder Judici\u00e1rio design\u00e1-la de of\u00edcio ou a requerimento de outra parte. 6. A\u00e7\u00e3o direta julgada parcialmente procedente, para reconhecer a inconstitucionalidade da designa\u00e7\u00e3o, de of\u00edcio, da audi\u00eancia nele prevista, assim como da inconstitucionalidade do reconhecimento de que eventual n\u00e3o comparecimento da v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica implique retrata\u00e7\u00e3o t\u00e1cita ou ren\u00fancia t\u00e1cita ao direito de representa\u00e7\u00e3o [&#8230;]\u201d. (ADI n.\u00ba 7.267, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22\/8\/2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 123. No contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher, a a\u00e7\u00e3o penal no crime de amea\u00e7a \u00e9 condicionada \u00e0 representa\u00e7\u00e3o, mas a a\u00e7\u00e3o penal devido \u00e0 agress\u00e3o f\u00edsica leve \u2013 contraven\u00e7\u00e3o penal de vias de fato e les\u00e3o corporal leve \u2013 \u00e9 processada mediante a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada. No caso da les\u00e3o corporal leve praticada contra a mulher no \u00e2mbito dom\u00e9stico, a a\u00e7\u00e3o penal ser\u00e1 p\u00fablica incondicionada porque n\u00e3o se aplica a Lei n\u00ba 9.099\/1995, que passou a exigir a condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de procedibilidade para o processamento dos crimes de les\u00e3o corporal leve.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>, sendo que a quest\u00e3o tratou sobre a a\u00e7\u00e3o penal nos crimes praticados no ambiente dom\u00e9stico, com e sem amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 correto conforme se infere do art. 147, par\u00e1grafo \u00fanico, do CP, que prev\u00ea a necessidade de representa\u00e7\u00e3o para a amea\u00e7a, do art. 17 da Lei das Contraven\u00e7\u00f5es Penais, que prev\u00ea a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica para todas as contraven\u00e7\u00f5es e da S\u00famula n.\u00ba 542 do STJ, que consolida&nbsp; a posi\u00e7\u00e3o do STJ em entender como de a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica incondicionada a referente ao crime de les\u00e3o corporal resultante de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher: \u201cArt. 147 &#8211; Amea\u00e7ar algu\u00e9m, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simb\u00f3lico, de causar-lhe mal injusto e grave: Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de um a seis meses, ou multa. Par\u00e1grafo \u00fanico &#8211; Somente se procede mediante representa\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cArt. 17. A a\u00e7\u00e3o penal \u00e9 p\u00fablica, devendo a autoridade proceder de of\u00edcio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cS\u00famula n.\u00ba 542 do STJ: A a\u00e7\u00e3o penal relativa ao crime de les\u00e3o corporal resultante de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher \u00e9 p\u00fablica incondicionada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>QUEST\u00c3O 124. A despeito da inova\u00e7\u00e3o legislativa, que estabeleceu que &#8220;as medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel, da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou do registro de boletim de ocorr\u00eancia\u201d, prevalece a controv\u00e9rsia no \u00e2mbito do STJ quanto \u00e0 natureza jur\u00eddica das medidas protetivas de urg\u00eancia. Enquanto uma Turma entende que tais medidas t\u00eam natureza penal a outra sustenta sua natureza de tutela inibit\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Coment\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O item est\u00e1 <strong>certo<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o tratou das medidas protetivas de urg\u00eancia da Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o art. 19, \u00a7 5\u00ba, da Lei Maria da Penha, inclu\u00eddo pela Lei n\u00ba 14.550\/2023, a concess\u00e3o das medidas protetivas independem de: (a) tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia; (b) do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel; (c) da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial, ou; (d) do registro de boletim de ocorr\u00eancia: \u201cArt. 19 [&#8230;] \u00a7 5\u00ba As medidas protetivas de urg\u00eancia ser\u00e3o concedidas independentemente da tipifica\u00e7\u00e3o penal da viol\u00eancia, do ajuizamento de a\u00e7\u00e3o penal ou c\u00edvel, da exist\u00eancia de inqu\u00e9rito policial ou do registro de boletim de ocorr\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, de fato, h\u00e1 uma controv\u00e9rsia entre a 5\u00aa e 6\u00aa turma do STJ acerca da natureza jur\u00eddicas das medidas protetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 5\u00aa turma entende que possui natureza penal: \u201cAs medidas protetivas de urg\u00eancia previstas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei Maria da Penha t\u00eam natureza de cautelares penais, n\u00e3o cabendo falar em cita\u00e7\u00e3o do requerido para apresentar contesta\u00e7\u00e3o, tampouco a possibilidade de decreta\u00e7\u00e3o da revelia, nos moldes da lei processual civil\u201d. (REsp n.\u00ba 2.009.402-GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Joel Ilan Paciornik, 5\u00aa Turma, por maioria, julgado em 08\/11\/2022.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 6\u00aa turma entende que possui natureza inibit\u00f3ria: \u201cA natureza jur\u00eddica das medidas protetivas de urg\u00eancia previstas na Lei Maria da Penha \u00e9 de tutela inibit\u00f3ria e n\u00e3o cautelar, inexistindo prazo geral para que ocorra a reavali\u00e7\u00e3o de tais medidas, sendo necess\u00e1rio que, para sua eventual revoga\u00e7\u00e3o ou modifica\u00e7\u00e3o, o Ju\u00edzo se certifique, mediante contradit\u00f3rio, de que houve altera\u00e7\u00e3o do contexto f\u00e1tico e jur\u00eddico\u201d. (REsp n.\u00ba 2.036.072-MG, Rel. Min. Laurita Vaz, 6\u00aa Turma, julgado em 22\/8\/2023, DJe 30\/8\/2023.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background wp-block-paragraph\">Saiba mais: <a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concurso-mp-sc-promotor\/\">Concurso MP SC Promotor<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"cursos\"><span id=\"quer-saber-tudo-sobre-concursos-previstosconfira-nossos-artigos\">Quer saber tudo sobre concursos previstos?<br><strong>Confira nossos artigos!<\/strong><\/span><\/h2>\n\n\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"curso\"><span id=\"cursos-e-assinaturas\">CURSOS E ASSINATURAS<\/span><\/h2>\n\n\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover\" style=\"min-height:155px;aspect-ratio:unset;\"><img decoding=\"async\" width=\"1890\" height=\"351\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-8669\" alt=\"Assinaturas Jur\u00eddicas\" src=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica.jpg\" style=\"object-position:78% 43%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"78% 43%\" srcset=\"https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica.jpg 1890w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-300x56.jpg 300w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1024x190.jpg 1024w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-768x143.jpg 768w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1536x285.jpg 1536w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-380x71.jpg 380w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-800x149.jpg 800w, https:\/\/cdn-blog-cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1160x215.jpg 1160w\" sizes=\"(max-width: 1890px) 100vw, 1890px\" \/><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<h3 id=\"faca-a-sua-assinatura\" class=\"titulo-assinatura\"><span style=\"color: #ffffff;\">Fa\u00e7a a sua assinatura!<\/span><\/h3>\n<p class=\"subtitulo-assinatura\" style=\"display:block!important; line-height: 0;\"><span style=\"color: #ffffff;\">Escolha a sua \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/assinaturas-ecj\/\" rel=\"noopener\"><button style=\"border-radius: 10px; text-transform: capitalize;\">Acessar<\/button><\/a>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Prepare-se com o melhor material e com quem mais aprova em Concursos P\u00fablicos em todo o pa\u00eds.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ol\u00e1, pessoal, tudo certo?! 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