{"id":186517,"date":"2026-04-15T18:18:51","date_gmt":"2026-04-15T21:18:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/?p=186517"},"modified":"2026-04-15T18:18:58","modified_gmt":"2026-04-15T21:18:58","slug":"informativo-stf-1210-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stf-1210-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STF 1210 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Neste artigo, voc\u00ea vai entender que a <strong>simetria entre Magistratura e Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 autoaplic\u00e1vel<\/strong> e permite a equipara\u00e7\u00e3o de vantagens compat\u00edveis com o regime de subs\u00eddio. Ao mesmo tempo, o STF refor\u00e7a que essa simetria <strong>n\u00e3o autoriza a cria\u00e7\u00e3o indiscriminada de verbas indenizat\u00f3rias<\/strong> usadas como forma indireta de aumentar a remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m vai compreender como funciona o <strong>teto constitucional e o regime de subs\u00eddio em parcela \u00fanica<\/strong>, com destaque para a exig\u00eancia de <strong>lei nacional para excluir parcelas indenizat\u00f3rias do teto<\/strong>. O Tribunal deixa claro que <strong>o car\u00e1ter indenizat\u00f3rio depende da realidade do gasto<\/strong>, e n\u00e3o do nome atribu\u00eddo \u00e0 verba, combatendo os chamados \u201cpenduricalhos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o artigo mostra que a decis\u00e3o tem <strong>efeito estrutural e impacto em v\u00e1rias carreiras jur\u00eddicas<\/strong>, ao fixar limites, suspender pagamentos irregulares e exigir transpar\u00eancia. Al\u00e9m disso, o STF estende essas diretrizes a outras institui\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ando o controle sobre <strong>remunera\u00e7\u00f5es e honor\u00e1rios dentro do teto constitucional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover\" style=\"min-height:155px;aspect-ratio:unset;\"><img decoding=\"async\" width=\"1890\" height=\"351\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-8669\" alt=\"Assinaturas Jur\u00eddicas\" src=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica.jpg\" style=\"object-position:78% 43%\" data-object-fit=\"cover\" data-object-position=\"78% 43%\" srcset=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica.jpg 1890w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-300x56.jpg 300w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1024x190.jpg 1024w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-768x143.jpg 768w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1536x285.jpg 1536w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-380x71.jpg 380w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-800x149.jpg 800w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/20151253\/concurso-carreiras-juridicas-assinatura-juridica-1160x215.jpg 1160w\" sizes=\"(max-width: 1890px) 100vw, 1890px\" \/><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<h3 id=\"faca-a-sua-assinatura\" class=\"titulo-assinatura\"><span style=\"color: #ffffff;\">Fa\u00e7a a sua assinatura!<\/span><\/h3>\n<p class=\"subtitulo-assinatura\" style=\"display:block!important; line-height: 0;\"><span style=\"color: #ffffff;\">Escolha a sua \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/assinaturas-ecj\/\" rel=\"noopener\"><button style=\"border-radius: 10px; text-transform: capitalize;\">Acessar<\/button><\/a>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-teto-constitucional-simetria-magistratura-mp-e-contencao-de-verbas-indenizatorias\"><span id=\"1-teto-constitucional-simetria-magistratura-mp-e-contencao-de-verbas-indenizatorias\">1.&nbsp;&nbsp; Teto constitucional \u2013 simetria Magistratura\/MP e conten\u00e7\u00e3o de verbas indenizat\u00f3rias<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A simetria constitucional entre Magistratura e MP (CF, art. 129, \u00a7 4\u00ba c\/c art. 93) autoriza equipara\u00e7\u00e3o de vantagens compat\u00edveis com o regime de subs\u00eddio, mas <strong>veda a multiplica\u00e7\u00e3o de parcelas &#8220;indenizat\u00f3rias&#8221; que, em subst\u00e2ncia, funcionem como acr\u00e9scimos remunerat\u00f3rios ou via paralela de ultrapassagem do teto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Rcl 88.319 ED-MC-Ref\/SP, Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino; ADI 6.606 MC-Ref\/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes; ADI 6.601\/PR, RE 968.646\/SC (Tema 976 RG) e RE 1.059.466\/AL (Tema 966 RG), Rel. Min. Alexandre de Moraes; ADI 6.604\/PB, Rel. Min. Cristiano Zanin. Plen\u00e1rio, julgamento conjunto finalizado em 25\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Magistrados pleiteavam di\u00e1rias e licen\u00e7a-pr\u00eamio por isonomia com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Procuradores municipais de Praia Grande questionavam o subteto aplic\u00e1vel (se com ou sem o redutor de 90,25%). ADIs discutiam vincula\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria e reajustes autom\u00e1ticos. O Plen\u00e1rio julgou tudo em conjunto, fixando tese estrutural sobre o teto constitucional e as verbas indenizat\u00f3rias: quais parcelas podem compor a remunera\u00e7\u00e3o da Magistratura e do MP sem violar o subs\u00eddio em parcela \u00fanica (CF, art. 39, \u00a7 4\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, XI<\/strong><em> (teto remunerat\u00f3rio \u2013 subs\u00eddio dos Ministros do STF).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, \u00a7 11 (EC 135\/2024)<\/strong><em> (exclus\u00e3o do teto \u2013 parcelas indenizat\u00f3rias por lei nacional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 39, \u00a7 4\u00ba<\/strong><em> (subs\u00eddio em parcela \u00fanica para agentes pol\u00edticos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 129, \u00a7 4\u00ba (EC 45\/2004)<\/strong><em> (simetria MP-Magistratura).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A simetria do art. 129, \u00a7 4\u00ba \u00e9 <strong>autoaplic\u00e1vel<\/strong> e n\u00e3o depende de lei infraconstitucional. O teto do art. 37, XI abrange &#8216;qualquer esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria&#8217;; a exclus\u00e3o do \u00a7 11 exige <strong>lei nacional ordin\u00e1ria<\/strong>, aprovada pelo Congresso, aplic\u00e1vel a todos os Poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A natureza indenizat\u00f3ria n\u00e3o se define pelo r\u00f3tulo, mas pela <strong>correspond\u00eancia material com ressarcimento de despesa real<\/strong>. Pagamentos habituais e autom\u00e1ticos, sem nexo com gasto efetivo, s\u00e3o remunera\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada e submetem-se ao teto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Constitui\u00e7\u00e3o estruturou o subs\u00eddio como remunera\u00e7\u00e3o em parcela \u00fanica (art. 39, \u00a7 4\u00ba) justamente para conter a fragmenta\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria. O teto do art. 37, XI \u00e9 regra geral, e a EC 135\/2024 (\u00a7 11) condicionou a exclus\u00e3o de parcelas indenizat\u00f3rias a <strong>lei ordin\u00e1ria nacional, aprovada pelo Congresso, aplic\u00e1vel a todos os Poderes<\/strong>. Enquanto essa lei n\u00e3o \u00e9 editada, o STF fixou balizas provis\u00f3rias sobre quais parcelas s\u00e3o admiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A simetria entre Magistratura e MP (art. 129, \u00a7 4\u00ba) \u00e9 <strong>autoaplic\u00e1vel e remete ao art. 93 da CF<\/strong>, abrangendo regime funcional e vantagens compat\u00edveis. Por isso, di\u00e1rias e licen\u00e7a-pr\u00eamio pagas ao MP por simetria podem ser estendidas \u00e0 Magistratura. Mas a simetria n\u00e3o legitima a multiplica\u00e7\u00e3o de &#8216;aux\u00edlios&#8217; sem base constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A ratio decidendi central \u00e9 a <strong>distin\u00e7\u00e3o entre indeniza\u00e7\u00e3o verdadeira e indeniza\u00e7\u00e3o rotulada<\/strong>: aux\u00edlio-moradia, aux\u00edlio-combust\u00edvel, aux\u00edlio natalino, licen\u00e7a compensat\u00f3ria, indeniza\u00e7\u00e3o por acervo, entre outros &#8216;penduricalhos&#8217;, n\u00e3o t\u00eam lastro em despesa efetiva do agente \u2014 s\u00e3o remunera\u00e7\u00e3o adicional disfar\u00e7ada, vedada pelo regime de subs\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A decis\u00e3o tem car\u00e1ter estrutural: (i) exige lei nacional para parcelas indenizat\u00f3rias exclu\u00eddas do teto; (ii) delimita provisoriamente as rubricas admiss\u00edveis (antiguidade, di\u00e1rias, ajuda de custo em remo\u00e7\u00e3o, pr\u00f3-labore de magist\u00e9rio, gratifica\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil provimento, indeniza\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias, gratifica\u00e7\u00e3o cumulativa); (iii) suspende pagamentos retroativos n\u00e3o transitados; (iv) <strong>estende as balizas aos Tribunais de Contas, Defensorias P\u00fablicas e Advocacias P\u00fablicas<\/strong>; (v) fixa deveres de publicidade mensal dos valores pagos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td>Teses 1\u20133<\/td><td>Teses 1\u20133 \u2014 Equipara\u00e7\u00e3o e teto constitucional<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>T1 \u2013 <strong>Equipara\u00e7\u00e3o<\/strong>: O regime remunerat\u00f3rio da Magistratura e do MP s\u00e3o equiparados (EC 45\/2004). O art. 93 da CF, inclusive o inciso V, aplica-se ao MP no que couber. T2 \u2013 <strong>Teto geral<\/strong> (art. 37, XI): Toda remunera\u00e7\u00e3o, subs\u00eddio, provento ou vantagem \u2014 cumulativos ou n\u00e3o \u2014 n\u00e3o pode superar o subs\u00eddio mensal dos Ministros do STF. T3 \u2013 <strong>Valor atual do teto<\/strong>: Mantido em R$ 46.366,19. Revis\u00e3o compete ao Congresso Nacional (art. 37, X + SV 37\/STF).<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Tese 4<\/td><td>Tese 4 \u2014 Parcelas indenizat\u00f3rias e EC 135\/2024<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>O \u00a7 11 do art. 37 (EC 135\/2024) exclui do teto as parcelas indenizat\u00f3rias previstas em lei ordin\u00e1ria nacional, aprovada pelo Congresso, aplic\u00e1vel a todos os poderes e \u00f3rg\u00e3os aut\u00f4nomos. Enquanto essa lei n\u00e3o existir, aplica-se a Tese 5.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Tese 5<\/td><td>Tese 5 \u2014 Parcelas permitidas (at\u00e9 a lei nacional)<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>5.1 \u2013 <strong>Antiguidade<\/strong>: 5% do subs\u00eddio a cada 5 anos de atividade jur\u00eddica, at\u00e9 35% m\u00e1ximo, mediante requerimento e comprova\u00e7\u00e3o. 5.2 \u2013 <strong>Aux\u00edlios expressos<\/strong>: Di\u00e1rias; ajuda de custo por mudan\u00e7a de domic\u00edlio; pro labore por magist\u00e9rio; gratifica\u00e7\u00e3o em comarca de dif\u00edcil provimento; indeniza\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30 dias de f\u00e9rias n\u00e3o gozadas; gratifica\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio cumulativo de jurisdi\u00e7\u00e3o; valores retroativos anteriores a fev\/2026 (sujeitos ao item 5.4). Limite total: 35% do subs\u00eddio. 5.3 \u2013 <strong>Padroniza\u00e7\u00e3o<\/strong>: Valores fixados em resolu\u00e7\u00e3o conjunta CNJ + CNMP. 5.4 \u2013 <strong>Retroativos suspensos<\/strong>: Pagamentos de valores retroativos por decis\u00e3o n\u00e3o transitada em julgado ou administrativa ficam suspensos at\u00e9 auditoria e referendo do STF. 5.5\/5.6 \u2013 <strong>Exerc\u00edcio cumulativo<\/strong>: S\u00f3 cabe quando h\u00e1 exerc\u00edcio simult\u00e2neo em \u00f3rg\u00e3os jurisdicionais distintos. \u00c9 vedada em Turmas, Se\u00e7\u00f5es, Plen\u00e1rio, Comiss\u00f5es, Conselho Superior e \u00d3rg\u00e3o Especial.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Tese 6<\/td><td>Tese 6 \u2014 Exce\u00e7\u00f5es ao teto reconhecidas pelo STF<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>D\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio; ter\u00e7o de f\u00e9rias; aux\u00edlio-sa\u00fade (valor efetivo comprovado); abono de perman\u00eancia previdenci\u00e1rio; gratifica\u00e7\u00e3o mensal por ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es eleitorais.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Tese 7<\/td><td>Tese 7 \u2014 Parcelas inconstitucionais: cessar imediatamente!<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>S\u00e3o inconstitucionais e devem cessar de imediato: aux\u00edlio natalino, aux\u00edlio combust\u00edvel, licen\u00e7a compensat\u00f3ria por acervo, gratifica\u00e7\u00e3o por localidade, aux\u00edlio-moradia, aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a por fun\u00e7\u00f5es administrativas, licen\u00e7a 1\/3 dias trabalhados, assist\u00eancia pr\u00e9-escolar, licen\u00e7a para curso no exterior, gratifica\u00e7\u00e3o por encargo de curso\/concurso, indeniza\u00e7\u00e3o por telecomunica\u00e7\u00e3o, aux\u00edlio natalidade, aux\u00edlio creche.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Tese 8<\/td><td>Tese 8 \u2014 Veda\u00e7\u00e3o de convers\u00e3o em pec\u00fania<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>\u00c9 vedada a convers\u00e3o em pec\u00fania de licen\u00e7a-pr\u00eamio, licen\u00e7a compensat\u00f3ria por plant\u00e3o, licen\u00e7a de cust\u00f3dia ou qualquer licen\u00e7a\/aux\u00edlio n\u00e3o expressamente autorizado nesta decis\u00e3o.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Teses 9\u201310<\/td><td>Teses 9\u201310 \u2014 Compet\u00eancia normativa e transpar\u00eancia<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>T9 \u2013 Cria\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o de verbas remunerat\u00f3rias ou indenizat\u00f3rias somente por Lei Federal (art. 37, \u00a7 11) ou por decis\u00e3o do STF (art. 102, I, n). T10 \u2013 Resolu\u00e7\u00e3o conjunta CNJ + CNMP uniformizar\u00e1 as rubricas constitucionais para fins de publicidade e controle.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Teses 11\u201313<\/td><td>Teses 11\u201313 \u2014 TCU, Defensorias, Advocacia P\u00fablica e honor\u00e1rios<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>T11 \u2013 Tribunais de Contas, Defensorias P\u00fablicas e Advocacia P\u00fablica respeitam o teto constitucional. Vedada a cria\u00e7\u00e3o de parcelas por resolu\u00e7\u00e3o administrativa. Retroativos suspensos (mesmas regras da T5.4). T12 \u2013 Honor\u00e1rios advocat\u00edcios devidos \u00e0 Advocacia P\u00fablica n\u00e3o podem superar o teto remunerat\u00f3rio. T13 \u2013 Fundos de honor\u00e1rios t\u00eam natureza p\u00fablica, sujeitos a controle interno e externo. S\u00f3 podem custear honor\u00e1rios, aux\u00edlio-sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o. Reg\u00eancia exclusiva por lei; vedada resolu\u00e7\u00e3o administrativa.<\/td><\/tr><tr><td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td><\/tr><tr><td>Teses 14\u201318<\/td><td>Teses 14\u201318 \u2014 Alcance, publicidade, vig\u00eancia e implementa\u00e7\u00e3o<\/td><\/tr><tr><td>&nbsp;<\/td><td>T14 \u2013 A tese aplica-se apenas \u00e0s carreiras com leis org\u00e2nicas previstas na CF (Magistratura, MP). Vedada aplica\u00e7\u00e3o extensiva ou por analogia a outras carreiras. T15 \u2013 Tribunais, MPs, TCUs, Defensorias e Advocacia P\u00fablica devem publicar mensalmente o valor exato percebido por cada membro com suas rubricas, sob pena de responsabilidade dos gestores. T16 \u2013 Car\u00e1ter estrutural: a Presid\u00eancia do CNJ acompanhar\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o e subsidiar\u00e1 proposta de lei nacional sobre remunera\u00e7\u00e3o da magistratura. T17 \u2013 Vig\u00eancia: a partir de abril\/2026, para remunera\u00e7\u00e3o referente a maio\/2026. T18 \u2013 Relatores do STF ficam autorizados a decidir monocraticamente casos que sigam as premissas desta decis\u00e3o.<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao regime remunerat\u00f3rio de Magistratura e Minist\u00e9rio P\u00fablico e \u00e0 conten\u00e7\u00e3o de verbas indenizat\u00f3rias fixada pelo STF:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A simetria entre MP e Magistratura depende de lei infraconstitucional para produzir efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Todas as parcelas de natureza indenizat\u00f3ria s\u00e3o exclu\u00eddas do teto remunerat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A Advocacia P\u00fablica e as Defensorias P\u00fablicas est\u00e3o fora das balizas fixadas pelo Plen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A simetria entre Magistratura e Minist\u00e9rio P\u00fablico autoriza vantagens compat\u00edveis, mas veda verbas que funcionem como remunera\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A natureza indenizat\u00f3ria da verba \u00e9 aferida pelo r\u00f3tulo legal, n\u00e3o pela an\u00e1lise material.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O art. 129, \u00a7 4\u00ba \u00e9 autoaplic\u00e1vel, com densidade normativa suficiente para produzir efeitos desde a EC 45\/2004.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A exclus\u00e3o do teto (CF, art. 37, \u00a7 11) exige lei nacional ordin\u00e1ria aprovada pelo Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. As balizas estendem-se a Tribunais de Contas, Defensorias e Advocacia P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A simetria (CF, art. 129, \u00a7 4\u00ba) \u00e9 autoaplic\u00e1vel, mas o regime de subs\u00eddio em parcela \u00fanica (art. 39, \u00a7 4\u00ba) e o teto (art. 37, XI) impedem a prolifera\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios sem nexo com despesa efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A natureza indenizat\u00f3ria se afere pela correspond\u00eancia material com ressarcimento de despesa real, n\u00e3o pelo r\u00f3tulo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\"><span id=\"inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Teses fixadas:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>1. Os regimes remunerat\u00f3rios da Magistratura e do Minist\u00e9rio P\u00fablico s\u00e3o equiparados, nos termos da Emenda Constitucional 45, de 30 de dezembro de 2004, que alterou o artigo 129, \u00a7 4, da CF\/1988, para dispor que o artigo 93 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal aplica-se, no que couber, ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, inclusive o inciso V do artigo 93 da CF;<\/p>\n\n\n\n<p>2. Nos termos do inciso XI do artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o teto salarial, a remunera\u00e7\u00e3o e o subs\u00eddio dos ocupantes de cargos, fun\u00e7\u00f5es e empregos p\u00fablicos da Administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes pol\u00edticos e os proventos, pens\u00f5es ou outra esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, percebidos cumulativamente ou n\u00e3o, inclu\u00eddas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, n\u00e3o poder\u00e3o exceder o subs\u00eddio mensal, em esp\u00e9cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal;<\/p>\n\n\n\n<p>3. A presente Tese de Repercuss\u00e3o Geral reafirma o atual valor do teto constitucional, mantido em R$ 46.366,19, subs\u00eddio dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, conforme fixado constitucionalmente pelo Congresso Nacional, a quem compete efetuar a revis\u00e3o nos termos do inciso X, do artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal (S\u00famula Vinculante n 37\/STF);<\/p>\n\n\n\n<p>4. O par\u00e1grafo 11 do artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, alterado pela Emenda Constitucional n 135, de 2024, exclui, para efeito do limite remunerat\u00f3rio consistente no subs\u00eddio dos membros do Poder Judici\u00e1rio e do Minist\u00e9rio P\u00fablico, as parcelas de car\u00e1ter indenizat\u00f3rio expressamente previstas em lei ordin\u00e1ria, aprovada pelo Congresso Nacional, de car\u00e1ter nacional, aplicada a todos os Poderes e \u00f3rg\u00e3os constitucionalmente aut\u00f4nomos;<\/p>\n\n\n\n<p>5. Enquanto n\u00e3o editada pelo Congresso Nacional a lei ordin\u00e1ria prevista pelo par\u00e1grafo 11 do artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e, em cumprimento aos princ\u00edpios da legalidade e moralidade previstos no caput do referido artigo 37, somente poder\u00e3o compor a remunera\u00e7\u00e3o da Magistratura e do Minist\u00e9rio P\u00fablico as seguintes parcelas indenizat\u00f3rias mensais e aux\u00edlios:<\/p>\n\n\n\n<p>5.1 Parcela de valoriza\u00e7\u00e3o por tempo de antiguidade na carreira (LC 35, art. 65, VIII; LC 75\/1993, art. 224), para os ativos e inativos, calculada na raz\u00e3o de cinco por cento do respectivo subs\u00eddio a cada cinco anos de efetivo exerc\u00edcio em atividade jur\u00eddica, at\u00e9 o m\u00e1ximo de trinta e cinco por cento, mediante requerimento e comprova\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>5.2 Di\u00e1rias (LC 75\/1993, art. 227, II); ajuda de custo em caso de remo\u00e7\u00e3o, promo\u00e7\u00e3o ou nomea\u00e7\u00e3o que importe em altera\u00e7\u00e3o do domic\u00edlio legal (LC 75\/1993, art. 227, I, a c\/c LC 35\/1979, art. 65, I); pro labore pela atividade de magist\u00e9rio (LC 75\/1993, art. 227, VI c\/c art. 65, IX); gratifica\u00e7\u00e3o pelo exerc\u00edcio em comarca de dif\u00edcil provimento (Lei 8.625\/1993, art. 50, IX c\/c LC 35\/1979, art. 65, X); indeniza\u00e7\u00e3o de f\u00e9rias n\u00e3o gozadas, no m\u00e1ximo de 30 (trinta) dias (LC 75\/1993, art. 220,&nbsp; 3); gratifica\u00e7\u00e3o por Exerc\u00edcio Cumulativo de Jurisdi\u00e7\u00e3o (Leis 13.093\/2015, 13.094\/2015, 13.095\/2015, 13.024\/2014, 14.726\/2023); eventuais valores retroativos reconhecidos por decis\u00e3o judicial ou administrativa anteriores a fevereiro de 2026, condicionado ao item 5.4. O limite m\u00e1ximo da somat\u00f3ria de todas as previs\u00f5es ser\u00e1 sempre de trinta e cinco por cento do respectivo subs\u00eddio;<\/p>\n\n\n\n<p>5.3 Os valores das parcelas indenizat\u00f3rias mensais e aux\u00edlios autorizados no item 5.2 ser\u00e3o padronizados e fixados em resolu\u00e7\u00e3o conjunta do Conselho Nacional de Justi\u00e7a e Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico;<\/p>\n\n\n\n<p>5.4 Os pagamentos dos valores retroativos reconhecidos por decis\u00e3o judicial n\u00e3o transitada em julgado ou administrativa, anteriores a fevereiro de 2026 est\u00e3o suspensos at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de seus crit\u00e9rios em resolu\u00e7\u00e3o conjunta pelo Conselho Nacional de Justi\u00e7a e Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de auditoria, e somente poder\u00e3o ser autorizados pelos respectivos conselhos ap\u00f3s referendo pelo Supremo Tribunal Federal;<\/p>\n\n\n\n<p>5.5 A Gratifica\u00e7\u00e3o por Exerc\u00edcio Cumulativo de Jurisdi\u00e7\u00e3o ser\u00e1 devida exclusivamente quando houver o exerc\u00edcio da jurisdi\u00e7\u00e3o em mais de um \u00f3rg\u00e3o jurisdicional da Justi\u00e7a, como nos casos de atua\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea em varas distintas, em juizados especiais e em turmas recursais. \u00c9 vedada a concess\u00e3o dessa gratifica\u00e7\u00e3o quando as fun\u00e7\u00f5es a serem exercidas forem inerentes ao cargo do magistrado, como por exemplo, atua\u00e7\u00e3o em Turmas, Se\u00e7\u00f5es e Plen\u00e1rio; participa\u00e7\u00e3o em Comiss\u00f5es; atua\u00e7\u00e3o no Conselho Superior da Magistratura ou no \u00d3rg\u00e3o Especial;<\/p>\n\n\n\n<p>5.6 A regra do item 5.5 aplica-se integralmente \u00e0 gratifica\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio cumulativo de of\u00edcios no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio P\u00fablico;<\/p>\n\n\n\n<p>6. Nos termos reconhecidos pelo Supremo Tribunal Federal, s\u00e3o excepcionados desses limites: D\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio (CF, art. 7, VIII); ter\u00e7o adicional de f\u00e9rias (CF, art. 7, XVII); pagamento de aux\u00edlio-sa\u00fade, desde que comprovado o valor efetivamente pago (art. 65, I, da LC n 35\/79; art. 227, da LC n 75\/1993; art. 50, II, da Lei n 8.625\/1993); abono de perman\u00eancia de car\u00e1ter previdenci\u00e1rio (CF, art. 40,&nbsp; 19); gratifica\u00e7\u00e3o mensal paga pelo ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es eleitorais (CF, art. 121,&nbsp; 2 c\/c Lei n 8.350\/1991);<\/p>\n\n\n\n<p>7. Os pagamentos de todas as demais parcelas indenizat\u00f3rias ou aux\u00edlios previstos em decis\u00f5es administrativas, resolu\u00e7\u00f5es, leis estaduais, LC 75\/1993 e Lei Federal n 8.625\/1993 s\u00e3o inconstitucionais, devendo cessar imediatamente, inclusive: aux\u00edlios natalinos, aux\u00edlio combust\u00edvel, licen\u00e7a compensat\u00f3ria por ac\u00famulo de acervo, indeniza\u00e7\u00e3o por acervo, gratifica\u00e7\u00e3o por exerc\u00edcio de localidade, aux\u00edlio-moradia, aux\u00edlio alimenta\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a compensat\u00f3ria por fun\u00e7\u00f5es administrativas e processuais relevantes, licen\u00e7a compensat\u00f3ria de 1 dia de folga por 3 trabalhados, assist\u00eancia pr\u00e9-escolar, licen\u00e7a remunerat\u00f3ria para curso no exterior, gratifica\u00e7\u00e3o por encargo de curso ou concurso, indeniza\u00e7\u00e3o por servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00e3o, aux\u00edlio natalidade, aux\u00edlio creche;<\/p>\n\n\n\n<p>8. \u00c9 vedada a convers\u00e3o em pec\u00fania de licen\u00e7a-pr\u00eamio, licen\u00e7a compensat\u00f3ria por exerc\u00edcio de plant\u00e3o judici\u00e1rio e de cust\u00f3dia ou qualquer outra licen\u00e7a ou aux\u00edlio cujo pagamento n\u00e3o esteja expressamente autorizado na presente Tese;<\/p>\n\n\n\n<p>9. A cria\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00e3o de verbas de car\u00e1ter remunerat\u00f3rio, indenizat\u00f3rio ou aux\u00edlios somente poder\u00e3o ser realizadas por Lei Federal (CF, art. 37, \u00a7 11) ou por decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (CF, art. 102, I, n);<\/p>\n\n\n\n<p>10. Resolu\u00e7\u00e3o conjunta do Conselho Nacional de Justi\u00e7a e Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico uniformizar\u00e1 as rubricas das verbas indenizat\u00f3rias e aux\u00edlios reconhecidos como constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, para fins de publicidade, transpar\u00eancia e efetivo controle;<\/p>\n\n\n\n<p>11. Os Tribunais de Contas (CF, \u00a7 3, art. 73 e art. 75), as Defensorias P\u00fablicas (CF, \u00a7 2, art. 134) e a Advocacia P\u00fablica (CF, arts. 131 e 132) dever\u00e3o respeitar o teto constitucional, nos termos do inciso XI do artigo 37 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, sendo vedada a cria\u00e7\u00e3o ou manuten\u00e7\u00e3o de qualquer parcela indenizat\u00f3ria ou aux\u00edlio institu\u00eddos por resolu\u00e7\u00e3o ou decis\u00e3o administrativa. Os pagamentos dos valores retroativos reconhecidos por decis\u00e3o judicial ou administrativa anteriores a fevereiro de 2026 est\u00e3o suspensos, ficando os pagamentos condicionados \u00e0 observ\u00e2ncia dos crit\u00e9rios fixados nos termos do item 5.4;<\/p>\n\n\n\n<p>12. O pagamento de honor\u00e1rios advocat\u00edcios devidos \u00e0 Advocacia P\u00fablica n\u00e3o poder\u00e1 superar o teto remunerat\u00f3rio fixado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal;<\/p>\n\n\n\n<p>13. Os fundos de gest\u00e3o dos honor\u00e1rios advocat\u00edcios t\u00eam natureza p\u00fablica, sujeitos aos controles internos e externos previstos constitucionalmente, e n\u00e3o podem custear o pagamento de qualquer outra parcela remunerat\u00f3ria ou indenizat\u00f3ria, salvo a relativa aos honor\u00e1rios advocat\u00edcios, aux\u00edlios sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o. O destino dos montantes existentes nos fundos p\u00fablicos e aportes futuros estar\u00e3o sujeitos exclusivamente \u00e0 reg\u00eancia por lei, sendo vedada a edi\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00e3o administrativa sobre a mat\u00e9ria;<\/p>\n\n\n\n<p>14. A presente Tese baseia-se nas leis org\u00e2nicas previstas expressamente na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, por isso n\u00e3o se estende \u00e0s demais carreiras do servi\u00e7o p\u00fablico, sendo vedada a sua aplica\u00e7\u00e3o extensiva ou por analogia. As parcelas indenizat\u00f3rias das demais carreiras continuar\u00e3o a seguir as respectivas leis estatut\u00e1rias ou a CLT, conforme o caso, at\u00e9 que sobrevenha a lei nacional a ser editada pelo Congresso Nacional (art. 37, \u00a7 11, CF\/88);<\/p>\n\n\n\n<p>15. Os Tribunais, Minist\u00e9rios P\u00fablicos, Tribunais de Contas, Defensorias P\u00fablicas e Advocacia P\u00fablica da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios far\u00e3o publicar, mensalmente, em seus respectivos s\u00edtios eletr\u00f4nicos o valor exato percebido pelos seus membros, indicando as respectivas rubricas, sob pena de os gestores responderem por discrep\u00e2ncias entre os valores divulgados e os efetivamente pagos;<\/p>\n\n\n\n<p>16. Atribui-se a estas a\u00e7\u00f5es o car\u00e1ter estrutural, cabendo \u00e0 Presid\u00eancia do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), acompanhar a implementa\u00e7\u00e3o de todas as provid\u00eancias aqui previstas, sem preju\u00edzo das compet\u00eancias dos relatores, bem como subsidiar a elabora\u00e7\u00e3o de proposta de lei nacional para disciplinar a remunera\u00e7\u00e3o da magistratura (CF\/88, art. 93), em car\u00e1ter nacional;<\/p>\n\n\n\n<p>17. A presente decis\u00e3o ter\u00e1 vig\u00eancia a partir do m\u00eas-base abril\/2026, para a remunera\u00e7\u00e3o referente ao m\u00eas de maio\/2026;<\/p>\n\n\n\n<p>18. Ficam os Relatores do Supremo Tribunal Federal autorizados a decidirem monocraticamente os casos e as a\u00e7\u00f5es a eles distribu\u00eddos, conforme as premissas e teses ora fixadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 constitucional&nbsp; por for\u00e7a da simetria constitucional entre os regimes remunerat\u00f3rios da Magistratura e do Minist\u00e9rio P\u00fablico (CF\/1988, art. 129,&nbsp; 4 c\/c o art. 93)&nbsp; a equipara\u00e7\u00e3o, por isonomia, de vantagens compat\u00edveis com esse regime jur\u00eddico, nos mesmos termos reconhecidos aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o Federal estabelece, de modo expresso, a equipara\u00e7\u00e3o de regimes entre Magistratura e Minist\u00e9rio P\u00fablico ao determinar a aplica\u00e7\u00e3o, no que couber, do art. 93 ao Minist\u00e9rio P\u00fablico (CF\/1988, art. 129,&nbsp; 4) (1). Trata-se de diretriz constitucional voltada a assegurar tratamento ison\u00f4mico estrutural entre carreiras de perfil constitucional, inclusive no que se refere ao respectivo regime funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, a S\u00famula Vinculante n 37 (2) n\u00e3o se presta a impedir a concretiza\u00e7\u00e3o dessa simetria quando n\u00e3o se est\u00e1 diante da cria\u00e7\u00e3o judicial de aumento de subs\u00eddio ou de vencimentos, mas da equaliza\u00e7\u00e3o de tratamento entre carreiras cuja isonomia decorre de comando constitucional expresso. Na mesma linha, o art. 129,&nbsp; 4, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal n\u00e3o condiciona a efic\u00e1cia da simetria \u00e0 pr\u00e9via edi\u00e7\u00e3o de norma infraconstitucional espec\u00edfica: o preceito \u00e9 autoaplic\u00e1vel e tem densidade normativa suficiente para produzir efeitos desde a sua vig\u00eancia, na medida em que remete ao art. 93 e imp\u00f5e isonomia no que couber.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 incompat\u00edvel com a Constitui\u00e7\u00e3o&nbsp; por desfigurar o regime de subs\u00eddio em parcela \u00fanica e vulnerar o teto remunerat\u00f3rio&nbsp; a expans\u00e3o, por atos infralegais, decis\u00f5es administrativas, leis locais ou f\u00f3rmulas autom\u00e1ticas de equipara\u00e7\u00e3o, de rubricas rotuladas como indenizat\u00f3rias quando, em subst\u00e2ncia, funcionam como acr\u00e9scimos remunerat\u00f3rios ordin\u00e1rios ou como via paralela de supera\u00e7\u00e3o do teto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Constitui\u00e7\u00e3o estruturou o subs\u00eddio como forma de remunera\u00e7\u00e3o em parcela \u00fanica, justamente para conter a fragmenta\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria e impedir a multiplica\u00e7\u00e3o de parcelas com apar\u00eancia de vantagens (CF\/1988, art. 39,&nbsp; 4) (3). Em paralelo, estabeleceu o teto remunerat\u00f3rio como limite geral da remunera\u00e7\u00e3o e de subs\u00eddio e condicionou a exclus\u00e3o desse limite \u00e0s parcelas indenizat\u00f3rias previstas em lei, com exig\u00eancia de disciplina nacional (CF\/1988, art. 37, XI e&nbsp; 11) (4).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, a Corte fixou o entendimento de que o subs\u00eddio n\u00e3o impede, em termos absolutos, a percep\u00e7\u00e3o de outras parcelas quando vinculadas a hip\u00f3teses excepcionalmente justificadas, mas veda a cria\u00e7\u00e3o de acr\u00e9scimos remunerat\u00f3rios disfar\u00e7ados de indeniza\u00e7\u00e3o ou pagos de modo habitual e autom\u00e1tico, sem nexo com gasto efetivo. O Tribunal tamb\u00e9m reiterou que a natureza indenizat\u00f3ria n\u00e3o se define pelo r\u00f3tulo, mas pela correspond\u00eancia material com o ressarcimento de despesa real, e que a simetria, embora constitucionalmente relevante para carreiras estruturais, n\u00e3o autoriza pagamentos habituais e autom\u00e1ticos que, na pr\u00e1tica, convertam indeniza\u00e7\u00e3o em remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, o julgamento conjunto reuniu (i) recursos extraordin\u00e1rios paradigmas de repercuss\u00e3o geral sobre di\u00e1rias e licen\u00e7a-pr\u00eamio pleiteadas por magistrados por isonomia com o Minist\u00e9rio P\u00fablico; (ii) a\u00e7\u00f5es diretas de inconstitucionalidade envolvendo vincula\u00e7\u00e3o remunerat\u00f3ria e efeitos autom\u00e1ticos de reajustes; e (iii) reclama\u00e7\u00e3o constitucional com controv\u00e9rsia concreta sobre o subteto aplic\u00e1vel a procuradores municipais. A raz\u00e3o de decidir comum consistiu em reconhecer que a simetria constitucional entre Magistratura e Minist\u00e9rio P\u00fablico legitima a equipara\u00e7\u00e3o de vantagens compat\u00edveis com o desenho constitucional, mas exige, simultaneamente, o refor\u00e7o do teto remunerat\u00f3rio e do modelo de subs\u00eddio, com a conten\u00e7\u00e3o de parcelas indenizat\u00f3rias e aux\u00edlios sem base legal nacional, a fim de evitar que tais rubricas funcionem, na pr\u00e1tica, como remunera\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria ou como via paralela de ultrapassagem do teto.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse marco, estabeleceram-se balizas estruturais de implementa\u00e7\u00e3o e controle, notadamente: (i) a exig\u00eancia de lei nacional para parcelas indenizat\u00f3rias exclu\u00eddas do teto; (ii) a delimita\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria das rubricas admiss\u00edveis e de seus limites, com padroniza\u00e7\u00e3o por resolu\u00e7\u00e3o conjunta do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) e do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico (CNMP); (iii) a suspens\u00e3o de pagamentos retroativos ainda n\u00e3o transitados em julgado; (iv) a veda\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios e penduricalhos sem amparo compat\u00edvel; e (v) a extens\u00e3o das balizas de teto e controle aos Tribunais de Contas, \u00e0s Defensorias P\u00fablicas e \u00e0s Advocacias P\u00fablicas, al\u00e9m de (vi) deveres refor\u00e7ados de transpar\u00eancia e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, em julgamento conjunto e por unanimidade: (i) julgou procedente a Rcl n 88.319 para reconhecer aos procuradores municipais de Praia Grande o direito ao teto equivalente ao subs\u00eddio de Ministro do STF, sem o redutor de 90,25%, ficando prejudicados o referendo e a liminar; (ii) converteu o julgamento do referendo na ADI n 6.606 em julgamento definitivo de m\u00e9rito, confirmou a medida cautelar concedida e julgou parcialmente procedente a a\u00e7\u00e3o direta; (iii) julgou improcedentes as ADIs n 6.601 e n 6.604; (iv) deu provimento aos REs n 968.646 e n 1.059.466; e, em seguida, ao apreciar os Temas 966 e 976 da repercuss\u00e3o geral, (v) fixou as teses anteriormente citadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 129. S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es institucionais do Minist\u00e9rio P\u00fablico: (&#8230;)&nbsp; 4 Aplica-se ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, no que couber, o disposto no art. 93. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n 45, de 2004).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Enunciado sumular citado: SV 37.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) CF\/1988: Art. 39. A Uni\u00e3o, os Estados, o Distrito Federal e os Munic\u00edpios instituir\u00e3o conselho de pol\u00edtica de administra\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes (&#8230;)&nbsp; 4 O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secret\u00e1rios Estaduais e Municipais ser\u00e3o remunerados exclusivamente por subs\u00eddio fixado em parcela \u00fanica, vedado o acr\u00e9scimo de qualquer gratifica\u00e7\u00e3o, adicional, abono, pr\u00eamio, verba de representa\u00e7\u00e3o ou outra esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Inclu\u00eddo pela Emenda Constitucional n 19, de 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) CF\/1988: Art. 37. A administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica direta e indireta de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios obedecer\u00e1 aos princ\u00edpios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici\u00eancia e, tamb\u00e9m, ao seguinte: (&#8230;) XI &#8211; a remunera\u00e7\u00e3o e o subs\u00eddio dos ocupantes de cargos, fun\u00e7\u00f5es e empregos p\u00fablicos da administra\u00e7\u00e3o direta, aut\u00e1rquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes pol\u00edticos e os proventos, pens\u00f5es ou outra esp\u00e9cie remunerat\u00f3ria, percebidos cumulativamente ou n\u00e3o, inclu\u00eddas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, n\u00e3o poder\u00e3o exceder o subs\u00eddio mensal, em esp\u00e9cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Munic\u00edpios, o subs\u00eddio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subs\u00eddio mensal do Governador no \u00e2mbito do Poder Executivo, o subs\u00eddio dos Deputados Estaduais e Distritais no \u00e2mbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justi\u00e7a, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco cent\u00e9simos por cento do subs\u00eddio mensal, em esp\u00e9cie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no \u00e2mbito do Poder Judici\u00e1rio, aplic\u00e1vel este limite aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, aos Procuradores e aos Defensores P\u00fablicos; (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n 41, 19.12.2003) (&#8230;)&nbsp; 11. N\u00e3o ser\u00e3o computadas, para efeito dos limites remunerat\u00f3rios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de car\u00e1ter indenizat\u00f3rio expressamente previstas em lei ordin\u00e1ria, aprovada pelo Congresso Nacional, de car\u00e1ter nacional, aplicada a todos os Poderes e \u00f3rg\u00e3os constitucionalmente aut\u00f4nomos. (Reda\u00e7\u00e3o dada pela Emenda Constitucional n 135, de 2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Rcl 88.319 ED-MC-Ref\/SP, relator Ministro Fl\u00e1vio Dino, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 6.606 MC-Ref\/MG, relator Ministro Gilmar Mendes, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 6.601\/PR, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; RE 968.646\/SC, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; RE 1.059.466\/AL, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 6.604\/PB, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento finalizado em 25.03.2026 (quarta-feira)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STF - Edi\u00e7\u00e3o: 1210\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YcADEcpaFBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"h-download-do-pdf\"><span id=\"download-do-pdf\"><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/15181451\/stf_info_1210-1.pdf\" target=\"_blank\" >DOWNLOAD do PDF<\/a><\/span><\/h3>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-cpi-prorrogacao-do-prazo-de-funcionamento-e-deliberacao-formal\"><span id=\"2-cpi-prorrogacao-do-prazo-de-funcionamento-e-deliberacao-formal\">2.&nbsp; CPI \u2013 prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de funcionamento e delibera\u00e7\u00e3o formal<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de funcionamento de CPI <strong>n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica nem configura direito subjetivo da minoria parlamentar<\/strong>, dependendo de delibera\u00e7\u00e3o formal da respectiva Casa Legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>MS 40.799\/DF, Rel. Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Red. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento finalizado em 26\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Parlamentares federais impetraram MS contra ato da Mesa do Congresso que deixou de receber requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o da &#8220;CPMI do INSS&#8221;. Alegaram que, por integrarem a minoria parlamentar que criou a CPI, teriam direito subjetivo \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o para conclus\u00e3o dos trabalhos. O direito da minoria \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da CPI (CF, art. 58, \u00a7 3\u00ba) se estende \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o de seu funcionamento?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 58, \u00a7 3\u00ba<\/strong><em> (CPI \u2013 cria\u00e7\u00e3o por um ter\u00e7o e prazo certo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 1.579\/1952, art. 5\u00ba, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (prorroga\u00e7\u00e3o condicionada \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Regimento Comum do Congresso Nacional, art. 21<\/strong><em> (disciplina regimental da prorroga\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O direito da minoria parlamentar <strong>limita-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o<\/strong> da CPI (1\/3 dos membros), cabendo ao Parlamento, como um todo, definir seu funcionamento e eventual continuidade. Prorroga\u00e7\u00e3o exige delibera\u00e7\u00e3o formal, n\u00e3o opera automaticamente.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A exig\u00eancia constitucional de &#8220;<strong>prazo certo<\/strong>&#8221; impede prorroga\u00e7\u00f5es sucessivas ou autom\u00e1ticas, sob pena de converter a CPI em \u00f3rg\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o indeterminada \u2014 incompat\u00edvel com sua natureza excepcional e transit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O art. 58, \u00a7 3\u00ba, da CF confere \u00e0 minoria (1\/3 dos membros) o <strong>direito subjetivo de criar CPI<\/strong>. Esse direito esgota-se na instala\u00e7\u00e3o: a partir da\u00ed, o funcionamento, as prorroga\u00e7\u00f5es e a conclus\u00e3o dos trabalhos submetem-se \u00e0s regras regimentais e \u00e0 vontade da maioria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A exig\u00eancia de &#8220;prazo certo&#8221; (CF, art. 58, \u00a7 3\u00ba) \u00e9 <strong>garantia essencial de limita\u00e7\u00e3o temporal da atividade investigativa parlamentar<\/strong>. Admitir prorroga\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas esvaziaria esse limite e converteria a CPI, na pr\u00e1tica, em \u00f3rg\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o indeterminada \u2014 equiparando-a, paradoxalmente, em liberdade de dura\u00e7\u00e3o, a \u00f3rg\u00e3o superior ao pr\u00f3prio Judici\u00e1rio no exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o t\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A disciplina da prorroga\u00e7\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria regimental: o Regimento Comum do Congresso (art. 21), em sintonia com o art. 5\u00ba, \u00a7 2\u00ba, da Lei n\u00ba 1.579\/1952, <strong>condiciona a prorroga\u00e7\u00e3o \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o da Casa Legislativa<\/strong>, com encerramento dos trabalhos ao t\u00e9rmino do prazo e apresenta\u00e7\u00e3o de parecer, ainda que oral.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f As controv\u00e9rsias sobre prorroga\u00e7\u00e3o inserem-se no \u00e2mbito <strong>interna corporis<\/strong>, n\u00e3o cabendo interven\u00e7\u00e3o judicial, salvo ofensa direta ao texto constitucional. O Plen\u00e1rio denegou a seguran\u00e7a, reafirmando a compet\u00eancia parlamentar para decidir sobre a continuidade de seus trabalhos investigativos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de funcionamento de CPI criada por requerimento da minoria parlamentar:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Depende de delibera\u00e7\u00e3o formal da Casa Legislativa, sem car\u00e1ter de direito subjetivo da minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Decorre do pedido da minoria parlamentar, sem necessidade de delibera\u00e7\u00e3o formal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de autoriza\u00e7\u00e3o do STF quando negada pela Mesa do Congresso.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 regulada integralmente pela Constitui\u00e7\u00e3o, dispensando disciplina regimental.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 direito subjetivo da minoria que criou a CPI, decorrendo do art. 58, \u00a7 3\u00ba, da CF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> O direito da minoria se esgota na cria\u00e7\u00e3o da CPI; a prorroga\u00e7\u00e3o exige ato formal da Casa Legislativa, nos termos do Regimento Comum e da Lei n\u00ba 1.579\/1952.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A prorroga\u00e7\u00e3o sem delibera\u00e7\u00e3o formal esvaziaria a exig\u00eancia constitucional de prazo certo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Controv\u00e9rsias sobre prorroga\u00e7\u00e3o s\u00e3o interna corporis, salvo viola\u00e7\u00e3o direta \u00e0 CF.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A CF fixa apenas o requisito de &#8220;prazo certo&#8221;; a disciplina \u00e9 regimental (Regimento Comum, art. 21).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O direito da minoria restringe-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da CPI; a prorroga\u00e7\u00e3o submete-se \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o da Casa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\"><span id=\"inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>A prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de funcionamento de Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica nem configura direito subjetivo da minoria parlamentar, dependendo de delibera\u00e7\u00e3o formal da respectiva Casa Legislativa, nos termos das normas aplic\u00e1veis.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, parlamentares federais impetraram mandado de seguran\u00e7a contra ato da Mesa Diretora e do Presidente do Congresso Nacional, que deixaram de receber e proceder \u00e0 leitura de requerimento de prorroga\u00e7\u00e3o da chamada CPMI do INSS.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O direito da minoria parlamentar limita-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da CPI, cabendo ao Parlamento definir seu funcionamento e eventual continuidade (1). A exig\u00eancia constitucional de prazo certo (CF\/1988, art. 58,&nbsp; 3) constitui garantia essencial de limita\u00e7\u00e3o temporal da atividade investigativa parlamentar, vedando sua perpetua\u00e7\u00e3o indefinida e preservando o equil\u00edbrio entre os Poderes. Por isso, n\u00e3o se admitem prorroga\u00e7\u00f5es sucessivas ou autom\u00e1ticas, sob pena de esvaziar esse limite e converter a CPI, na pr\u00e1tica, em \u00f3rg\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o indeterminada, incompat\u00edvel com sua natureza excepcional e transit\u00f3ria. Admitir o contr\u00e1rio implicaria atribuir ao Parlamento, no exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00e3o at\u00edpica, poderes mais amplos do que aqueles conferidos ao pr\u00f3prio Judici\u00e1rio que, no desempenho de sua fun\u00e7\u00e3o t\u00edpica, submete a continuidade das investiga\u00e7\u00f5es \u00e0 necessidade de decis\u00e3o fundamentada e a controle formal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o disciplina a prorroga\u00e7\u00e3o das CPIs, tratando-se de mat\u00e9ria de natureza regimental. Assim, sua disciplina cabe ao Regimento Comum do Congresso Nacional (art. 21), que, em conson\u00e2ncia com o art. 5,&nbsp; 2, da Lei n 1.579\/1952, condiciona a prorroga\u00e7\u00e3o \u00e0 delibera\u00e7\u00e3o da respectiva Casa Legislativa e prev\u00ea o encerramento dos trabalhos ao t\u00e9rmino do prazo, com a apresenta\u00e7\u00e3o de parecer, ainda que oral. Eventuais controv\u00e9rsias inserem-se, portanto, no \u00e2mbito interna corporis, n\u00e3o cabendo interven\u00e7\u00e3o judicial, salvo em caso de ofensa direta ao texto constitucional (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, converteu o julgamento do referendo em julgamento definitivo de m\u00e9rito e, por maioria, denegou a seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedente citado: ADI 3.619.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedente citado: RE 1.297.884 (Tema 1.120 RG).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; MS 40.799\/DF, relator Ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, redator do ac\u00f3rd\u00e3o Ministro Fl\u00e1vio Dino, julgamento finalizado em 26.03.2026 (quinta-feira)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-unidade-de-conservacao-vedacao-estadual-com-condicionantes-nao-previstos-no-snuc\"><span id=\"3-unidade-de-conservacao-vedacao-estadual-com-condicionantes-nao-previstos-no-snuc\">3.&nbsp; Unidade de conserva\u00e7\u00e3o \u2013 veda\u00e7\u00e3o estadual com condicionantes n\u00e3o previstos no SNUC<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional norma estadual que condiciona a cria\u00e7\u00e3o de unidade de conserva\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>regulariza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de UCs antigas e \u00e0 disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria para indeniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, por extrapolar o espa\u00e7o suplementar do estado e violar a veda\u00e7\u00e3o ao retrocesso ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.842 MC-Ref\/MT, Rel. Min. Alexandre de Moraes, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 27\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de Mato Grosso acrescentou \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba ao art. 263 exigindo, para criar novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o: (i) regulariza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de 80% das UCs estaduais j\u00e1 existentes e (ii) dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para indeniza\u00e7\u00e3o dos propriet\u00e1rios afetados. A norma geral da Uni\u00e3o (Lei n\u00ba 9.985\/2000 \u2013 SNUC) prev\u00ea apenas dois requisitos: estudos t\u00e9cnicos e consulta p\u00fablica. Pode o estado, em compet\u00eancia concorrente, acrescentar condicionantes n\u00e3o previstos na norma geral?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 24, VI<\/strong><em> (compet\u00eancia concorrente \u2013 prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 9.985\/2000 (SNUC), art. 22, \u00a7 2\u00ba<\/strong><em> (requisitos para cria\u00e7\u00e3o de UC \u2013 estudos t\u00e9cnicos e consulta p\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia suplementar do estado (CF, art. 24, \u00a7 2\u00ba) permite detalhar a norma geral da Uni\u00e3o, mas n\u00e3o criar restri\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com o modelo federal. O SNUC fixou o regime nacional; o estado <strong>n\u00e3o pode impor condicionantes<\/strong> que restrinjam o dever de prote\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Condicionar a cria\u00e7\u00e3o de novas UCs \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de antigas \u00e9 <strong>retrocesso ambiental<\/strong>: subordina o dever de agir do Estado a omiss\u00f5es pret\u00e9ritas do pr\u00f3prio poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia legislativa concorrente (CF, art. 24, VI) estabelece divis\u00e3o funcional: cabe \u00e0 Uni\u00e3o fixar normas gerais, aos estados complementar conforme suas peculiaridades. O SNUC (Lei n\u00ba 9.985\/2000) delimitou os requisitos para institui\u00e7\u00e3o de UCs em <strong>apenas dois: estudos t\u00e9cnicos e consulta p\u00fablica<\/strong>. A aus\u00eancia de condicionantes adicionais \u00e9 op\u00e7\u00e3o legislativa federal deliberada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A EC estadual de Mato Grosso criou <strong>requisitos incompat\u00edveis com o modelo federal<\/strong>: exigir regulariza\u00e7\u00e3o de 80% das UCs antigas e disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria subordina a expans\u00e3o de \u00e1reas protegidas a condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o integram o regime nacional. Isso extrapola o espa\u00e7o suplementar reservado ao estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A norma tamb\u00e9m viola a <strong>veda\u00e7\u00e3o ao retrocesso ambiental<\/strong>: condicionar cria\u00e7\u00e3o de novas UCs \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de existentes equivale a penalizar o meio ambiente pela mora do pr\u00f3prio Estado. A morosidade estatal na regulariza\u00e7\u00e3o pret\u00e9rita n\u00e3o pode servir como freio \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental futura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio referendou a cautelar para suspender os \u00a7\u00a7 3\u00ba e 4\u00ba do art. 263 da Constitui\u00e7\u00e3o estadual. A decis\u00e3o reafirma que a <strong>prote\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 dever do poder p\u00fablico (CF, art. 225)<\/strong> e que compet\u00eancias suplementares n\u00e3o autorizam a cria\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos \u00e0 expans\u00e3o de \u00e1reas protegidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 norma estadual que imp\u00f5e condi\u00e7\u00f5es a cria\u00e7\u00e3o de novas UCs:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 constitucional, por se inserir na compet\u00eancia suplementar do estado em mat\u00e9ria ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Depende de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do CONAMA para produzir efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 constitucional quando faz exig\u00eancia de dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para indeniza\u00e7\u00e3o aos propriet\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 constitucional, desde que n\u00e3o dispense o procedimento do SNUC.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 inconstitucional se inovar no condicionamento, por extrapolar a compet\u00eancia suplementar do estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A compet\u00eancia suplementar n\u00e3o autoriza condicionantes incompat\u00edveis com a norma geral da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia legislativa, n\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A razoabilidade do requisito n\u00e3o supre a inconstitucionalidade formal (invas\u00e3o de compet\u00eancia).<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A observ\u00e2ncia do SNUC n\u00e3o valida a introdu\u00e7\u00e3o de requisitos nele n\u00e3o previstos.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> O SNUC (art. 22, \u00a7 2\u00ba) prev\u00ea apenas estudos t\u00e9cnicos e consulta p\u00fablica; o estado n\u00e3o pode criar condicionantes adicionais que restrinjam a prote\u00e7\u00e3o ambiental (CF, art. 24, VI).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\"><span id=\"inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Encontram-se presentes os requisitos para a concess\u00e3o da medida cautelar, pois: (i) a plausibilidade jur\u00eddica do pedido est\u00e1 evidenciada pela prov\u00e1vel invas\u00e3o de compet\u00eancia legislativa da Uni\u00e3o e pelo descumprimento do dever constitucional de prote\u00e7\u00e3o ambiental; e (ii) h\u00e1 perigo da demora na presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, uma vez que a manuten\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia da norma impugnada&nbsp; que exige regulariza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de \u00e1reas antigas para a institui\u00e7\u00e3o de novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o&nbsp; paralisaria a cria\u00e7\u00e3o de novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o no estado, causando preju\u00edzos potencialmente irrevers\u00edveis ao meio ambiente.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A norma geral de reg\u00eancia Lei n 9.985\/2000, Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza&nbsp; SNUC, definiu apenas dois requisitos para a institui\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os: necessidade de pr\u00e9vios estudos t\u00e9cnicos e de consulta p\u00fablica destinados a identificar a localiza\u00e7\u00e3o, a dimens\u00e3o e os limites mais adequados para a unidade (art. 22,&nbsp; 2). A aus\u00eancia, no regramento federal, de qualquer condicionante relativo \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de unidades preexistentes ou \u00e0 pr\u00e9via disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria evidencia que o constituinte estadual derivado extrapolou o espa\u00e7o suplementar que lhe era constitucionalmente reservado, instituindo restri\u00e7\u00f5es adicionais incompat\u00edveis com o modelo normativo geral da Uni\u00e3o (1) (2).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, os dispositivos legais questionados criam entraves ao dever de agir do poder p\u00fablico na prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente ao priorizar a regulariza\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o criadas em detrimento da cria\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o, o que configura verdadeiro retrocesso ambiental, ao subordinar a expans\u00e3o de \u00e1reas protegidas a condi\u00e7\u00f5es que dizem respeito, em rigor, \u00e0 mora do pr\u00f3prio Estado no cumprimento de obriga\u00e7\u00f5es pret\u00e9ritas&nbsp; a regulariza\u00e7\u00e3o de unidades j\u00e1 existentes , e n\u00e3o ao m\u00e9rito da cria\u00e7\u00e3o de novos espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, referendou a medida cautelar, para manter a suspens\u00e3o da efic\u00e1cia dos par\u00e1grafos 3 e 4 do art. 263 da Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Mato Grosso, acrescidos pela EC estadual n 119\/2024 (3), at\u00e9 o julgamento de m\u00e9rito da presente a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 24. Compete \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (&#8230;) VI &#8211; florestas, ca\u00e7a, pesca, fauna, conserva\u00e7\u00e3o da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente e controle da polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Precedentes citados: ADI 5.675, ADI 6.672, ADI 4.529, ADI 5.312, ADI 3.356 e ADI 2.656.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Constitui\u00e7\u00e3o do Estado de Mato Grosso: Art. 263 Todos t\u00eam direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial \u00e0 sadia qualidade de vida, impondo-se ao Estado, aos Munic\u00edpios e \u00e0 coletividade o dever de defend\u00ea-lo e preserv\u00e1-lo para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es (&#8230;).&nbsp; 3 A cria\u00e7\u00e3o de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico, quando incluir propriedades privadas, est\u00e1 condicionada, obrigatoriamente, aos seguintes requisitos: (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024) I &#8211; \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o de 80% (oitenta por cento) das Unidades Estaduais de Conserva\u00e7\u00e3o atualmente existentes; e (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024) II &#8211; \u00e0 disponibilidade de dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria necess\u00e1ria para a completa e efetiva indeniza\u00e7\u00e3o aos propriet\u00e1rios afetados. (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024)&nbsp; 4 Enquanto perdurar a situa\u00e7\u00e3o prevista no inciso I do&nbsp; 3 deste artigo, o Estado de Mato Grosso priorizar\u00e1 a regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria no \u00e2mbito das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o j\u00e1 criadas por meio dos seguintes instrumentos: (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024) I &#8211; compensa\u00e7\u00e3o ambiental paga por empreendimentos de significativo impacto ambiental; (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024) II &#8211; institui\u00e7\u00e3o de Cota de Reserva Ambiental. (Acrescentado pela EC n 119, D.O. 20.12.2024).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.842 MC-Ref\/MT, relator Ministro Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 27.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STF - Edi\u00e7\u00e3o: 1210\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YcADEcpaFBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-consignacoes-em-folha-suspensao-por-ato-estadual-e-sistema-financeiro-nacional\"><span id=\"4-consignacoes-em-folha-suspensao-por-ato-estadual-e-sistema-financeiro-nacional\">4. Consigna\u00e7\u00f5es em folha \u2013 suspens\u00e3o por ato estadual e Sistema Financeiro Nacional<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional ato administrativo estadual que <strong>suspende consigna\u00e7\u00f5es em folha realizadas por institui\u00e7\u00f5es financeiras<\/strong> (cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cart\u00e3o benef\u00edcio), por invadir a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre pol\u00edtica de cr\u00e9dito e contratos (CF, art. 22, I e VII).<\/p>\n\n\n\n<p>ADPF 1.306 MC-Ref\/MT, Rel. Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 27\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A SEPLAG\/MT editou decis\u00f5es administrativas suspendendo, de forma geral e abstrata, as consigna\u00e7\u00f5es em folha realizadas por institui\u00e7\u00f5es financeiras nas modalidades de cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cart\u00e3o benef\u00edcio contratadas por servidores estaduais. Os efeitos afetavam diretamente os contratos j\u00e1 firmados entre servidores e bancos. Pode o estado, por ato administrativo, suspender rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas obrigacionais integrantes do Sistema Financeiro Nacional?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, I e VII<\/strong><em> (compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o \u2013 direito civil\/comercial e pol\u00edtica de cr\u00e9dito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 192<\/strong><em> (Sistema Financeiro Nacional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A fixa\u00e7\u00e3o de regras sobre contratos de cr\u00e9dito celebrados com institui\u00e7\u00f5es financeiras \u00e9 <strong>compet\u00eancia privativa<\/strong> da Uni\u00e3o. Estados n\u00e3o podem, por lei ou ato administrativo, suspender descontos, vedar incid\u00eancia de juros ou modificar os termos desses contratos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Legisla\u00e7\u00f5es estaduais sobre cr\u00e9dito consignado geram <strong>externalidades negativas<\/strong>: reduzem a oferta, aumentam taxas de juros e afetam todo o sistema \u2014 prejudicando n\u00e3o s\u00f3 as institui\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m os consumidores de outros estados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Sistema Financeiro Nacional (CF, art. 192) \u00e9 <strong>mat\u00e9ria reservada \u00e0 Uni\u00e3o<\/strong>, por for\u00e7a da compet\u00eancia privativa do art. 22, I (direito civil\/comercial) e VII (pol\u00edtica de cr\u00e9dito). Contratos entre particulares e institui\u00e7\u00f5es financeiras integram esse sistema, escapando \u00e0 compet\u00eancia estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Ato administrativo estadual que suspende consigna\u00e7\u00f5es <strong>altera unilateralmente a rela\u00e7\u00e3o contratual<\/strong> entre o servidor e o banco: impede o desconto pactuado, suspende a incid\u00eancia de juros e multas, modifica o equil\u00edbrio econ\u00f4mico do contrato. Essa modifica\u00e7\u00e3o cabe ao legislador federal, n\u00e3o ao administrador estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A mat\u00e9ria produz <strong>externalidades negativas no sistema financeiro<\/strong>: quando estados suspendem consigna\u00e7\u00f5es, as institui\u00e7\u00f5es reduzem a oferta desse cr\u00e9dito (que tende a ser mais barato por conta da baixa inadimpl\u00eancia) e aumentam as taxas de juros para compensar o risco. Essa externalidade afeta consumidores em todo o pa\u00eds, justificando a reserva \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio referendou a medida cautelar suspendendo as decis\u00f5es administrativas da SEPLAG\/MT. A decis\u00e3o reafirma precedentes similares (ADIs 6.484, 6.451, 6.475, 6.495 e 7.900): <strong>proteger consumidor \u00e9 compet\u00eancia concorrente, mas disciplinar o contrato banc\u00e1rio \u00e9 privativo da Uni\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ato administrativo estadual que suspende consigna\u00e7\u00f5es em folha contratadas por servidores com institui\u00e7\u00f5es financeiras:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 constitucional quando motivado pela prote\u00e7\u00e3o do servidor contra superendividamento.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 inconstitucional, por invadir compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 constitucional desde que se limite a servidores do Poder Executivo estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Depende de homologa\u00e7\u00e3o pelo tribunal de contas estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 constitucional quando os contratos foram firmados antes da edi\u00e7\u00e3o do ato administrativo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o do consumidor (compet\u00eancia concorrente) n\u00e3o autoriza altera\u00e7\u00e3o de contratos banc\u00e1rios (privativa da Uni\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A disciplina de contratos de cr\u00e9dito com institui\u00e7\u00f5es financeiras integra o Sistema Financeiro Nacional, de compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF, art. 22, I e VII).<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o da abrang\u00eancia subjetiva n\u00e3o supre a invas\u00e3o de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O v\u00edcio \u00e9 de compet\u00eancia legislativa, n\u00e3o san\u00e1vel por homologa\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A limita\u00e7\u00e3o temporal n\u00e3o afasta o v\u00edcio de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\"><span id=\"inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Encontram-se presentes os requisitos para a concess\u00e3o da medida cautelar, pois: (i) a plausibilidade jur\u00eddica do pedido est\u00e1 evidenciada pela prov\u00e1vel invas\u00e3o de compet\u00eancia legislativa privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre contratos e pol\u00edtica de cr\u00e9dito (CF\/1988, art. 22, I e VII); e (ii) h\u00e1 perigo da demora na presta\u00e7\u00e3o jurisdicional, uma vez que a manuten\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia da norma impugnada&nbsp; decis\u00e3o administrativa estadual que, de forma geral e abstrata, suspende consigna\u00e7\u00f5es realizadas por institui\u00e7\u00f5es financeiras que operam nas modalidades de cart\u00e3o de cr\u00e9dito e cart\u00e3o benef\u00edcio, contratados por servidores p\u00fablicos estaduais&nbsp; interferiria na seguran\u00e7a jur\u00eddica do Sistema Financeiro Nacional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte (1), a fixa\u00e7\u00e3o de regras sobre rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas obrigacionais institu\u00eddas entre particulares e institui\u00e7\u00f5es financeiras, tais como as estabelecidas a partir dos contratos de cr\u00e9dito consignados (por servidores, trabalhadores celetistas, aposentados e pensionistas), deve ser praticada exclusivamente por meio de legisla\u00e7\u00e3o federal, por serem parte do Sistema Financeiro Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O estabelecimento de legisla\u00e7\u00f5es estaduais, em geral, sobre o tema do cr\u00e9dito consignado (sobretudo a suspens\u00e3o de seus efeitos com a proibi\u00e7\u00e3o do desconto e da incid\u00eancia de juros e das multas) gera externalidades negativas no Sistema Financeiro Nacional, diminuindo a oferta de cr\u00e9dito e aumentando a taxa de juros, em detrimento n\u00e3o somente das institui\u00e7\u00f5es financeiras, mas tamb\u00e9m dos consumidores. Afinal, esse tipo de cr\u00e9dito \u00e9 muito mais vantajoso, tanto em termos de pre\u00e7o quanto em condi\u00e7\u00f5es de pagamento, consideradas as alternativas do cheque-especial e do cart\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, referendou a decis\u00e3o que concedeu parcialmente a medida cautelar em argui\u00e7\u00e3o de descumprimento de preceito fundamental, para suspender imediatamente a efic\u00e1cia das decis\u00f5es administrativas de 14.01.2026 e de 30.01.2026 proferidas pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gest\u00e3o (SEPLAG\/MT).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedentes citados: ADI 6.484, ADI 6.451, ADI 6.475, ADI 6.495 e ADI 7.900.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADPF 1.306 MC-Ref\/MT, relator Ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, julgamento virtual finalizado em 27.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-rotulos-de-produtos-exigencia-estadual-e-competencia-privativa-da-uniao\"><span id=\"5-rotulos-de-produtos-exigencia-estadual-e-competencia-privativa-da-uniao\">5.&nbsp; R\u00f3tulos de produtos \u2013 exig\u00eancia estadual e compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional norma estadual que exige inclus\u00e3o de <strong>canais de den\u00fancias de maus-tratos contra animais em r\u00f3tulos de produtos<\/strong>, por violar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre com\u00e9rcio interestadual e normas gerais de produ\u00e7\u00e3o e consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.859\/MG, Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, por maioria, julgamento virtual finalizado em 27\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lei de Minas Gerais exigia que fabricantes de produtos voltados para animais inclu\u00edssem em seus r\u00f3tulos informa\u00e7\u00f5es sobre canais de den\u00fancias de maus-tratos contra animais. A Uni\u00e3o j\u00e1 disciplinou a mat\u00e9ria de rotulagem em legisla\u00e7\u00e3o abrangente e minuciosa. Pode o estado acrescentar exig\u00eancias pr\u00f3prias aos r\u00f3tulos de produtos, ou a uniformidade nacional impede complementa\u00e7\u00e3o estadual?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, VIII<\/strong><em> (compet\u00eancia privativa \u2013 com\u00e9rcio interestadual).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 24, V<\/strong><em> (compet\u00eancia concorrente \u2013 produ\u00e7\u00e3o e consumo).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n\u00ba 6.198\/1974 e Decreto n\u00ba 12.031\/2024<\/strong><em> (rotulagem de produtos para animais).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A exig\u00eancia de <strong>uniformidade nacional<\/strong> para r\u00f3tulos e embalagens \u00e9 essencial para a livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias e a unidade do mercado. Estados n\u00e3o podem criar exig\u00eancias adicionais que fragmentem o regime nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Quando a Uni\u00e3o exerce sua compet\u00eancia de forma abrangente e minuciosa, n\u00e3o resta espa\u00e7o para complementa\u00e7\u00e3o estadual \u2014 a superveni\u00eancia da lei federal sobre normas gerais suspende a efic\u00e1cia de lei estadual contr\u00e1ria (CF, art. 24, \u00a7 4\u00ba).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias combina dois fundamentos: (i) com\u00e9rcio interestadual \u00e9 <strong>privativo da Uni\u00e3o (CF, art. 22, VIII)<\/strong>; (ii) produ\u00e7\u00e3o e consumo s\u00e3o concorrentes (CF, art. 24, V), com normas gerais da Uni\u00e3o. Rotulagem de produtos, por afetar diretamente a circula\u00e7\u00e3o interestadual, se insere no primeiro, com complemento do segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Uni\u00e3o disciplinou a rotulagem de produtos para animais (Lei n\u00ba 6.198\/1974, Decreto n\u00ba 12.031\/2024) de forma abrangente, fixando <strong>elementos taxativos para as embalagens<\/strong>. A legisla\u00e7\u00e3o federal n\u00e3o deixou espa\u00e7o para complementa\u00e7\u00e3o estadual que acrescente novos requisitos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A uniformidade nacional dos r\u00f3tulos \u00e9 <strong>exig\u00eancia estrutural da unidade econ\u00f4mica<\/strong>. Se cada estado pudesse exigir informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, o fabricante teria que produzir embalagens diferentes para cada mercado, inviabilizando a livre circula\u00e7\u00e3o e aumentando custos \u2014 o que atinge, em \u00faltima an\u00e1lise, o consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio declarou inconstitucional o art. 2\u00ba-B da Lei mineira n\u00ba 22.231\/2016 (inserido pela Lei n\u00ba 25.414\/2025). A decis\u00e3o reafirma jurisprud\u00eancia consolidada (ADI 910, ADI 750): <strong>a aus\u00eancia de lei federal sobre normas gerais permite compet\u00eancia plena estadual, mas a superveni\u00eancia de lei federal suspende a norma estadual contr\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 lei estadual que exige inclus\u00e3o de canais de den\u00fancias de maus-tratos a animais em r\u00f3tulos de produtos:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 constitucional, por se tratar de medida de prote\u00e7\u00e3o aos animais (CF, art. 225, \u00a7 1\u00ba, VII).<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 inconstitucional, salvo se restrita a produtos fabricados no pr\u00f3prio estado.<\/p>\n\n\n\n<p>C) \u00c9 inconstitucional, por violar compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o sobre com\u00e9rcio interestadual.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 constitucional quando a Uni\u00e3o n\u00e3o tenha disciplinado especificamente os canais de den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A compet\u00eancia para disciplinar r\u00f3tulos \u00e9 dos munic\u00edpios, quando o interesse \u00e9 local.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A prote\u00e7\u00e3o animal \u00e9 compet\u00eancia comum (CF, art. 23), mas a rotulagem se insere em compet\u00eancia legislativa privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A restri\u00e7\u00e3o territorial n\u00e3o afasta a invas\u00e3o de compet\u00eancia sobre mat\u00e9ria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A Uni\u00e3o disciplinou a mat\u00e9ria de rotulagem de forma abrangente, n\u00e3o deixando espa\u00e7o para exig\u00eancias estaduais adicionais, o que assegura a uniformidade necess\u00e1ria \u00e0 livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A Uni\u00e3o j\u00e1 exerceu compet\u00eancia abrangente sobre rotulagem; a mat\u00e9ria espec\u00edfica n\u00e3o \u00e9 pressuposto.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A compet\u00eancia para rotulagem \u00e9 legislativa federal, n\u00e3o municipal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\"><span id=\"inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional&nbsp; por violar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre com\u00e9rcio interestadual e normas gerais de produ\u00e7\u00e3o e consumo&nbsp; norma estadual que exige que fabricantes de produtos para animais incluam nos r\u00f3tulos informa\u00e7\u00f5es sobre canais de den\u00fancias de maus-tratos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a Uni\u00e3o j\u00e1 exerceu sua compet\u00eancia legislativa (1) de forma abrangente e minuciosa, n\u00e3o deixando espa\u00e7o para complementa\u00e7\u00e3o estadual. A legisla\u00e7\u00e3o federal (2) estabelece elementos taxativos para as embalagens, impedindo os estados de institu\u00edrem requisitos adicionais que conflitem com o regime jur\u00eddico federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte, a exig\u00eancia de uniformidade nacional para r\u00f3tulos e embalagens deve prevalecer para assegurar a unidade econ\u00f4mica e a livre circula\u00e7\u00e3o de mercadorias (3).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por maioria, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade do art. 2-B da Lei n 22.231\/2016, acrescentado pelo art. 2 da Lei n 25.414\/2025, ambas do Estado de Minas Gerais (4).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) CF\/1988: Art. 22. Compete privativamente \u00e0 Uni\u00e3o legislar sobre: (&#8230;) VIII &#8211; com\u00e9rcio exterior e interestadual (&#8230;). Art. 24. Compete \u00e0 Uni\u00e3o, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: (&#8230;) V &#8211; produ\u00e7\u00e3o e consumo (&#8230;).&nbsp; 1 No \u00e2mbito da legisla\u00e7\u00e3o concorrente, a compet\u00eancia da Uni\u00e3o limitar-se-\u00e1 a estabelecer normas gerais.&nbsp; 2 A compet\u00eancia da Uni\u00e3o para legislar sobre normas gerais n\u00e3o exclui a compet\u00eancia suplementar dos Estados.&nbsp; 3 Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercer\u00e3o a compet\u00eancia legislativa plena, para atender a suas peculiaridades.&nbsp; 4 A superveni\u00eancia de lei federal sobre normas gerais suspende a efic\u00e1cia da lei estadual, no que lhe for contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei n 6.198\/1974, Decreto n 12.031\/2024, Decreto-Lei n 467\/1969 e Decreto n 5.053\/2004.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (3) Precedentes citados: ADI 910 e ADI 750.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (4) Lei n 22.231\/2016 do Estado de Minas Gerais: Art. 2-B&nbsp; Nas embalagens dos produtos fabricados no Estado voltados para animais, dever\u00e3o constar informa\u00e7\u00f5es sobre os canais p\u00fablicos de comunica\u00e7\u00e3o aptos a receber e encaminhar den\u00fancias relacionadas a maus-tratos contra animais. (Artigo acrescentado pelo art. 2 da Lei n 25.414, de 31\/7\/2025, em vigor a partir de 28\/1\/2026).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.859\/MG, relator Ministro Cristiano Zanin, julgamento virtual finalizado em 27.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"h-download-do-pdf-0\"><span id=\"download-do-pdf-2\"><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/15181451\/stf_info_1210-1.pdf\" target=\"_blank\" >DOWNLOAD do PDF<\/a><\/span><\/h3>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-registros-de-imoveis-rurais-convalidacao-por-lei-estadual-e-competencia-federal\"><span id=\"6-registros-de-imoveis-rurais-convalidacao-por-lei-estadual-e-competencia-federal\">6. Registros de im\u00f3veis rurais \u2013 convalida\u00e7\u00e3o por lei estadual e compet\u00eancia federal<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inconstitucional lei estadual que <strong>reconhece e convalida registros imobili\u00e1rios rurais com for\u00e7a de t\u00edtulo de dom\u00ednio<\/strong> quando a origem n\u00e3o \u00e9 t\u00edtulo de aliena\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o do poder p\u00fablico, por usurpar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF, art. 22, I e XXV) e afrontar o regime constitucional de pol\u00edtica agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>ADI 7.550\/TO, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgamento virtual finalizado em 27\/3\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lei do Tocantins reconheceu e convalidou, com for\u00e7a de t\u00edtulo de dom\u00ednio, registros imobili\u00e1rios de im\u00f3veis rurais cuja origem n\u00e3o era t\u00edtulo do poder p\u00fablico \u2014 ou seja, registros sem cadeia dominial regular. O ponto: pode o estado, por lei, transferir terras ao patrim\u00f4nio privado mediante simples valida\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria, sem observar os procedimentos federais de aliena\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o de bens p\u00fablicos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 22, I e XXV<\/strong><em> (compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o \u2013 direito civil, agr\u00e1rio e registros p\u00fablicos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 186 e 188<\/strong><em> (pol\u00edtica agr\u00edcola e fundi\u00e1ria \u2013 fun\u00e7\u00e3o socioambiental).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 191, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o de aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel p\u00fablico por usucapi\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A transfer\u00eancia de im\u00f3veis rurais ao patrim\u00f4nio privado exige procedimento federal (aliena\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o) com observ\u00e2ncia das normas de pol\u00edtica agr\u00edcola e fundi\u00e1ria. Convalida\u00e7\u00e3o por lei estadual transforma registro irregular em t\u00edtulo de dom\u00ednio, <strong>burlando o sistema<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A lei do Tocantins permitia a aliena\u00e7\u00e3o sem exigir prova de posse ou tipo de uso, <strong>sem observar fun\u00e7\u00e3o socioambiental<\/strong> (CF, arts. 5\u00ba, XXIII; 170, III; 186 e 188) e sem salvaguarda a quilombolas e comunidades tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o sobre direito civil, agr\u00e1rio e registros p\u00fablicos (CF, art. 22, I e XXV) fixa o regime jur\u00eddico da transmiss\u00e3o de bens e da regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. <strong>Estados n\u00e3o podem criar procedimento pr\u00f3prio de convalida\u00e7\u00e3o de registros<\/strong> que resulte em aquisi\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio, pois isso importaria em usurpa\u00e7\u00e3o de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A lei tocantinense converteu registros sem cadeia dominial em t\u00edtulos de dom\u00ednio, o que equivale a <strong>verdadeira concess\u00e3o de terras p\u00fablicas sem as garantias constitucionais<\/strong>. N\u00e3o houve vistoria, exig\u00eancia de prova de posse, an\u00e1lise de uso ou de fun\u00e7\u00e3o social do im\u00f3vel \u2014 apenas valida\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria, \u00e0 margem do regime federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A convalida\u00e7\u00e3o desrespeita ainda a <strong>fun\u00e7\u00e3o socioambiental da propriedade rural (CF, arts. 186 e 188)<\/strong> e pode atingir terras ocupadas por quilombolas e comunidades tradicionais. Atos de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria n\u00e3o podem usurpar essas \u00e1reas nem abreviar procedimentos indispens\u00e1veis de vistoria ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Plen\u00e1rio declarou inconstitucional a Lei tocantinense n\u00ba 3.525\/2019 e, por arrastamento, as Leis n\u00bas 3.730\/2020 e 3.896\/2022. A decis\u00e3o ressalta que a <strong>veda\u00e7\u00e3o constitucional \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel p\u00fablico por usucapi\u00e3o (CF, art. 191, par\u00e1grafo \u00fanico)<\/strong> seria contornada se estados pudessem convalidar registros sem cadeia dominial regular.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a convalida\u00e7\u00e3o, por lei estadual, de registros imobili\u00e1rios rurais sem origem em t\u00edtulo do poder p\u00fablico:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 inconstitucional, exceto quando acompanhada de vistoria ambiental posterior.<\/p>\n\n\n\n<p>B) \u00c9 constitucional por se inserir na compet\u00eancia suplementar dos estados.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Depende de homologa\u00e7\u00e3o do INCRA para produzir efeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 inconstitucional, por usurpar compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) \u00c9 constitucional quando a lei excepciona \u00e1reas ind\u00edgenas e quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A vistoria posterior n\u00e3o supre o v\u00edcio: a transfer\u00eancia do dom\u00ednio ocorre pela mera valida\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria, sem an\u00e1lise pr\u00e9via do uso ou da fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o (CF, art. 22, I e XXV); n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o suplementar para os estados.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A homologa\u00e7\u00e3o administrativa n\u00e3o corrige v\u00edcio de lei inconstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A convalida\u00e7\u00e3o por lei estadual burla o regime federal de aliena\u00e7\u00e3o de terras p\u00fablicas, desrespeita a fun\u00e7\u00e3o socioambiental da propriedade e contorna a veda\u00e7\u00e3o de usucapi\u00e3o de bem p\u00fablico (CF, art. 191, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A ressalva a \u00e1reas tradicionais n\u00e3o legitima a convalida\u00e7\u00e3o sem cadeia dominial regular.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\"><span id=\"inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Resumo:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c9 inconstitucional&nbsp; por usurpar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre direito civil, agr\u00e1rio e registros p\u00fablicos (CF\/1988, art. 22, I e XXV), al\u00e9m de afrontar o regime constitucional de pol\u00edtica agr\u00edcola e fundi\u00e1ria (CF\/1988, arts. 186 e 188)&nbsp; norma estadual que reconhece e convalida, com for\u00e7a de t\u00edtulo de dom\u00ednio, registros imobili\u00e1rios de im\u00f3veis rurais daquele estado federado cuja origem n\u00e3o seja t\u00edtulo de aliena\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o expedido pelo poder p\u00fablico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O legislador estadual extrapolou sua compet\u00eancia residual ao convalidar registros imobili\u00e1rios sem observar o procedimento das leis federais de reg\u00eancia e possibilitar a aliena\u00e7\u00e3o a particulares antes da delimita\u00e7\u00e3o adequada, mediante verdadeira concess\u00e3o de t\u00edtulo de dom\u00ednio de terras p\u00fablicas, sem as garantias constitucionais traduzidas em normas gerais da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na esp\u00e9cie, a legisla\u00e7\u00e3o estadual permite a aliena\u00e7\u00e3o da propriedade de terra p\u00fablica \u00e0s margens dos par\u00e2metros constitucionais referentes \u00e0 finalidade socioambiental da propriedade e ao interesse social (CF\/1988, arts. 5, XXIII; 170, III; 186 e 188).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme jurisprud\u00eancia desta Corte, atos de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria n\u00e3o devem usurpar terras ocupadas por quilombolas e outras comunidades tradicionais nem abreviar os procedimentos de vistoria indispens\u00e1veis para garantir a prote\u00e7\u00e3o ambiental (1).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A transfer\u00eancia definitiva ao patrim\u00f4nio privado, mediante outorga de t\u00edtulo de dom\u00ednio, de im\u00f3veis rurais provenientes do patrim\u00f4nio estadual que nunca foram objeto de procedimentos formais pr\u00e9vios de aliena\u00e7\u00e3o ou de concess\u00e3o, sem exig\u00eancia de prova sobre a posse ou o tipo de uso atribu\u00eddo \u00e0 terra, por meio de mera valida\u00e7\u00e3o cartor\u00e1ria, afronta o regime constitucional de pol\u00edtica agr\u00e1ria, de reforma agr\u00e1ria, de prote\u00e7\u00e3o ambiental e de salvaguarda do patrim\u00f4nio e do interesse p\u00fablicos, al\u00e9m de ignorar a veda\u00e7\u00e3o expressa de aquisi\u00e7\u00e3o de im\u00f3vel p\u00fablico por usucapi\u00e3o (CF\/1988, art. 191, par\u00e1grafo \u00fanico).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com base nesses e em outros entendimentos, o Plen\u00e1rio, por unanimidade, julgou procedente a a\u00e7\u00e3o para declarar a inconstitucionalidade do art. 1, caput e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei n 3.525\/2019 do Estado do Tocantins (2) e, por arrastamento, das Leis estaduais n 3.730\/2020 e n 3.896\/2022.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (1) Precedente citado: ADI 4.269.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; (2) Lei n 3.525\/2019 do Estado do Tocantins: Art. 1 S\u00e3o reconhecidos e convalidados, com for\u00e7a de t\u00edtulo de dom\u00ednio, os registros imobili\u00e1rios de im\u00f3veis rurais, cuja origem n\u00e3o seja em t\u00edtulos de aliena\u00e7\u00e3o ou concess\u00e3o expedidos pelo poder p\u00fablico, incluindo os seus desmembramentos e remembramentos, devidamente inscritos no Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis no Estado do Tocantins, at\u00e9 a data de publica\u00e7\u00e3o desta Lei. Par\u00e1grafo \u00fanico. A convalida\u00e7\u00e3o de que trata o caput deste artigo n\u00e3o se aplica a im\u00f3veis rurais: I&nbsp; cujo dom\u00ednio jur\u00eddico n\u00e3o perten\u00e7a ao Estado do Tocantins; II&nbsp; cuja propriedade ou posse estejam sendo questionadas ou reivindicadas, na esfera administrativa ou judicial, por \u00f3rg\u00e3o ou entidade da administra\u00e7\u00e3o federal ou estadual direta e indireta; III&nbsp; objeto de a\u00e7\u00f5es de desapropria\u00e7\u00e3o por interesse social para fins de reforma agr\u00e1ria ou por utilidade p\u00fablica, administrativa ou judicial, ajuizadas at\u00e9 a data de publica\u00e7\u00e3o desta Lei; IV&nbsp; localizados em \u00e1reas de reservas ind\u00edgenas ou quilombolas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; ADI 7.550\/TO, relator Ministro Nunes Marques, julgamento virtual finalizado em 27.03.2026 (sexta-feira), \u00e0s 23:59<a href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STF - Edi\u00e7\u00e3o: 1210\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YcADEcpaFBA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-leia-tambem\"><span id=\"leia-tambem\">Leia tamb\u00e9m:<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-874-comentado\/\">Informativo STJ 874 Comentado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-873-comentado\/\">Informativo STJ 873 Comentado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stf-revisao-2025-parte-1\/\">Informativo STF \u2013 Revis\u00e3o 2025 Parte 1<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quer-saber-tudo-sobre-concursos-previstos-confira-nossos-artigos\"><span id=\"quer-saber-tudo-sobre-concursos-previstosconfira-nossos-artigos\">Quer saber tudo sobre concursos previstos?<br>Confira nossos artigos!<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-abertos-carreiras-juridicas\/\" target=\"_blank\" ><strong>Concursos jur\u00eddicos abertos<\/strong><\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-juridicos-2026-prepare-se-para-os-proximos-editais\/\"><strong>Concursos Jur\u00eddicos 2026<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"cursos-ficha\"><span id=\"quer-estudar-para-concursos-de-direito\">Quer estudar para Concursos de Direito?<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O Estrat\u00e9gia Carreira Jur\u00eddica \u00e9 campe\u00e3o de aprova\u00e7\u00f5es nos concursos para Carreiras Jur\u00eddicas com um corpo docente qualificado e materiais completos. 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