{"id":181065,"date":"2026-03-02T19:59:46","date_gmt":"2026-03-02T22:59:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/?p=181065"},"modified":"2026-03-02T20:04:03","modified_gmt":"2026-03-02T23:04:03","slug":"informativo-stj-876-comentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-876-comentado\/","title":{"rendered":"Informativo STJ 876 Comentado"},"content":{"rendered":"\n<p>Este informativo re\u00fane decis\u00f5es recentes do <strong>Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ)<\/strong>, com destaque para temas de <strong>Direito Civil, Direito Administrativo e Direito Tribut\u00e1rio<\/strong>, incluindo refer\u00eancias a precedentes vinculantes do <strong>STF<\/strong> quando aplic\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os julgados abordam quest\u00f5es como: <strong>compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong> em invent\u00e1rio e partilha de bens situados no pa\u00eds; <strong>aplica\u00e7\u00e3o de institutos penais \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas<\/strong>; <strong>limites da Lei de Improbidade Administrativa (Lei <strong>14.230<\/strong>\/2021)<\/strong>; <strong>fixa\u00e7\u00e3o de pensionamento por ato il\u00edcito<\/strong>; e <strong>incid\u00eancia do IRPF sobre verbas recebidas em contratos civis de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o analisados entendimentos sobre <strong>soberania nacional<\/strong>, <strong>ordem p\u00fablica<\/strong>, <strong>princ\u00edpio da legalidade<\/strong>, <strong>responsabilidade objetiva do Estado<\/strong> e <strong>natureza econ\u00f4mica de verbas tribut\u00e1veis<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir, os principais entendimentos consolidados.<a href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/blog\/author\/jeanvilbertgmail-com\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-homologacao-de-ato-notarial-estrangeiro-bens-situados-no-brasil\"><span id=\"1-homologacao-de-ato-notarial-estrangeiro-bens-situados-no-brasil\">1.&nbsp;&nbsp; Homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro \u2013 bens situados no Brasil<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro que versa sobre bens situados no Brasil <strong>contraria o art. 964 do CPC<\/strong>, que veda a homologa\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es estrangeiras em hip\u00f3teses de compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Og Fernandes, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 11\/11\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Gertrudes, cidad\u00e3 mexicana com bens no Brasil, faleceu na Cidade do M\u00e9xico deixando testamento hol\u00f3grafo (particular) lavrado por tabeli\u00e3o mexicano, com a dota\u00e7\u00e3o de um apartamento em Copacabana e uma fazenda no Mato Grosso. Os herdeiros, Seu Madruga e Chiquinha, requereram ao STJ a homologa\u00e7\u00e3o do ato notarial estrangeiro para que a partilha produzisse efeitos no Brasil, sem necessidade de invent\u00e1rio judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 964<\/strong><em> (compet\u00eancia exclusiva da autoridade judici\u00e1ria brasileira).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPC, art. 23, II<\/strong><em> (compet\u00eancia exclusiva para invent\u00e1rio e partilha de bens no Brasil).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 1.876 e 1.877<\/strong><em> (abertura e registro judicial de testamento particular).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira para invent\u00e1rio e partilha de bens situados no territ\u00f3rio nacional \u00e9 <strong>mat\u00e9ria de ordem p\u00fablica<\/strong>, ligada \u00e0 soberania e inafast\u00e1vel por conven\u00e7\u00e3o das partes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O <strong>consenso entre os herdeiros n\u00e3o afasta o controle jurisdicional<\/strong> sobre testamento hol\u00f3grafo, cuja confirma\u00e7\u00e3o depende de processo judicial interno com oitiva de testemunhas (CC, art. 1.877).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A compet\u00eancia para invent\u00e1rio e partilha de bens situados no Brasil \u00e9 <strong>exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o nacional<\/strong>, nos termos do art. 23, II, do CPC. Trata-se de regra de soberania que n\u00e3o admite derroga\u00e7\u00e3o, ainda que haja consenso entre os interessados ou que o ato estrangeiro tenha sido lavrado por autoridade competente no pa\u00eds de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O testamento hol\u00f3grafo (particular) exige, para produzir efeitos no Brasil, <strong>confirma\u00e7\u00e3o judicial com oitiva de pelo menos uma das testemunhas<\/strong> que o assinaram (CC, art. 1.877). Essa exig\u00eancia decorre do controle de autenticidade e validade do ato, que n\u00e3o pode ser suprida por homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A partilha de bens im\u00f3veis situados no territ\u00f3rio brasileiro, por envolver direitos reais sujeitos a registro p\u00fablico nacional, <strong>depende de processo judicial interno<\/strong> para que se garanta a observ\u00e2ncia das formalidades legais, a publicidade e a seguran\u00e7a jur\u00eddica. Eventual acordo entre herdeiras pode ser submetido \u00e0 homologa\u00e7\u00e3o judicial brasileira, mas n\u00e3o por via da homologa\u00e7\u00e3o de ato estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A efic\u00e1cia de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias que recaiam sobre patrim\u00f4nio situado no Brasil <strong>depende de controle jurisdicional interno<\/strong>, em respeito \u00e0 ordem p\u00fablica e \u00e0 soberania nacional. O ato notarial franc\u00eas, embora v\u00e1lido na Fran\u00e7a, n\u00e3o substitui o devido processo perante a jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a homologa\u00e7\u00e3o de decis\u00f5es estrangeiras relativas a bens situados no Brasil, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O consenso entre herdeiras afasta a necessidade de processo judicial brasileiro para partilha de bens situados no pa\u00eds se h\u00e1 testamento estrangeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro que verse sobre bens no Brasil \u00e9 invi\u00e1vel por se tratar de mat\u00e9ria de compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A partilha feita por tabeli\u00e3o estrangeiro produz efeitos no Brasil ap\u00f3s registro em cart\u00f3rio de im\u00f3veis.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O testamento hol\u00f3grafo lavrado no exterior dispensa confirma\u00e7\u00e3o judicial no Brasil quando acompanhado de tradu\u00e7\u00e3o juramentada.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira aplica-se a bens im\u00f3veis, mas n\u00e3o a bens m\u00f3veis situados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O consenso n\u00e3o afasta o controle jurisdicional obrigat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A Corte Especial reconheceu que a mat\u00e9ria \u00e9 de compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o nacional, inviabilizando a homologa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A partilha estrangeira n\u00e3o produz efeitos diretos, exigindo processo judicial brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O testamento hol\u00f3grafo exige confirma\u00e7\u00e3o judicial com oitiva de testemunhas, independentemente de tradu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A compet\u00eancia exclusiva abrange invent\u00e1rio e partilha de quaisquer bens situados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro \u2013 bens no Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira (CPC, art. 23, II)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Inviabilidade de homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Testamento hol\u00f3grafo: confirma\u00e7\u00e3o judicial obrigat\u00f3ria<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Consenso entre herdeiras n\u00e3o supre jurisdi\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Ordem p\u00fablica e soberania nacional<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor\"><span id=\"inteiro-teor\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O caso concreto trata de recurso contra decis\u00e3o que indeferiu o pedido de homologa\u00e7\u00e3o de ato extrajudicial praticado por tabeli\u00e3o franc\u00eas consistente no registro da declara\u00e7\u00e3o de esp\u00f3lio e na lavratura de ata de execu\u00e7\u00e3o de testamento, compreendendo a partilha de bens situados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A homologa\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as estrangeiras no Brasil, prevista nos arts. 105, I, i, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, 15 e 17 da LINDB, 960 a 965 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC) e 216-A a 216-N do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, exige, al\u00e9m do atendimento de requisitos formais (documenta\u00e7\u00e3o, tradu\u00e7\u00e3o juramentada, chancela consular, compet\u00eancia da autoridade prolatora, cita\u00e7\u00e3o ou revelia, tr\u00e2nsito em julgado), que n\u00e3o haja ofensa \u00e0 soberania nacional, \u00e0 dignidade da pessoa humana ou \u00e0 ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese, todavia, o pedido envolve a homologa\u00e7\u00e3o de atos notariais estrangeiros que importam diretamente a confirma\u00e7\u00e3o de testamento hol\u00f3grafo e a partilha de bens situados no Brasil. A mat\u00e9ria encontra-se sob reserva de jurisdi\u00e7\u00e3o, sendo de compet\u00eancia exclusiva da jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira, nos termos do art. 23, II, do CPC, o que, por si s\u00f3, inviabiliza o pleito homologat\u00f3rio, nos termos do art. 964 do CPC.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, consoante disposto na legisla\u00e7\u00e3o de reg\u00eancia, compete exclusivamente \u00e0 autoridade judici\u00e1ria nacional proceder \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o de testamento particular, ao invent\u00e1rio e \u00e0 partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da heran\u00e7a seja estrangeiro ou resida no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a efic\u00e1cia de disposi\u00e7\u00f5es testament\u00e1rias que recaiam sobre patrim\u00f4nio situado no Brasil depende de controle jurisdicional interno, em respeito \u00e0 ordem p\u00fablica e \u00e0 soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De igual modo, a alega\u00e7\u00e3o de consenso entre as herdeiras n\u00e3o tem o cond\u00e3o de afastar o controle jurisdicional incidente sobre o testamento hol\u00f3grafo. Eventual acordo poder\u00e1 ser validamente submetido ao ju\u00edzo nacional competente, que avaliar\u00e1 a regularidade formal do testamento e, a partir da\u00ed, a possibilidade de invent\u00e1rio e partilha, seja judicial ou extrajudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, o pr\u00f3prio C\u00f3digo Civil estabelece regramento espec\u00edfico quanto \u00e0 abertura e ao registro judicial do testamento particular (arts. 1.876 e seguintes), prevendo expressamente, no art. 1.877, que &#8220;morto o testador, publicar-se-\u00e1 em ju\u00edzo o testamento, com cita\u00e7\u00e3o dos herdeiros leg\u00edtimos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, a homologa\u00e7\u00e3o de ato notarial estrangeiro n\u00e3o pode substituir o devido processo perante a jurisdi\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STJ - Edi\u00e7\u00e3o 876\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YVC_nyysFho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-continuidade-delitiva-inaplicabilidade-as-infracoes-administrativas-sem-previsao-legal\"><span id=\"2-continuidade-delitiva-inaplicabilidade-as-infracoes-administrativas-sem-previsao-legal\">2.&nbsp; Continuidade delitiva \u2013 inaplicabilidade \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas sem previs\u00e3o legal<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva ou de outros institutos do Direito Penal \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas <strong>somente \u00e9 admitida quando houver previs\u00e3o expressa em lei<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.642.744-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por maioria, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, empres\u00e1rio do ramo de balan\u00e7a industrial, foi autuado pelo Inmetro em 15 ocasi\u00f5es distintas por manter equipamentos de medi\u00e7\u00e3o fora dos padr\u00f5es legais. Na defesa administrativa, Creosvaldo invocou o instituto da continuidade delitiva (art. 71 do CP) por analogia, sustentando que as infra\u00e7\u00f5es configurariam conduta continuada e, portanto, deveriam ser punidas como uma \u00fanica infra\u00e7\u00e3o com acr\u00e9scimo de pena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 71<\/strong><em> (continuidade delitiva).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.933\/1999<\/strong><em> (compet\u00eancias do Conmetro e do Inmetro).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 1.199\/STF<\/strong><em> (aplica\u00e7\u00e3o de institutos penais ao Direito Administrativo sancionador).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O STF, no julgamento do Tema 1.199, firmou entendimento restritivo: institutos do Direito Penal somente se aplicam \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas quando houver <strong>autoriza\u00e7\u00e3o legal expressa<\/strong>, n\u00e3o bastando analogia.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A jurisprud\u00eancia anterior do STJ admitia, em tese, a aplica\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva no \u00e2mbito administrativo, mas esse <strong>entendimento foi superado<\/strong> pelo precedente vinculante do STF.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A legisla\u00e7\u00e3o administrativa aplic\u00e1vel (Lei n. 9.933\/1999) <strong>n\u00e3o cont\u00e9m previs\u00e3o de continuidade delitiva<\/strong> ou de qualquer instituto an\u00e1logo ao art. 71 do CP. Cada infra\u00e7\u00e3o \u00e9 aut\u00f4noma e gera san\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, sem possibilidade de unifica\u00e7\u00e3o por analogia com o Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O Tema 1.199\/STF estabeleceu, em precedente vinculante, que a <strong>transposi\u00e7\u00e3o de institutos penais ao Direito Administrativo sancionador exige expressa previs\u00e3o legal<\/strong>. A ratio decidendi \u00e9 clara: se o legislador n\u00e3o previu o instituto na seara administrativa, o int\u00e9rprete n\u00e3o pode suprir essa lacuna por analogia, pois o regime sancionat\u00f3rio administrativo possui autonomia dogm\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 H\u00e1 coer\u00eancia l\u00f3gica na aplica\u00e7\u00e3o uniforme do precedente do STF: se na improbidade administrativa \u2013 cuja san\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave \u2013 <strong>n\u00e3o se admite analogia com institutos penais sem lei expressa<\/strong>, com maior raz\u00e3o no processo administrativo sancionador comum, cujas san\u00e7\u00f5es s\u00e3o menos severas. Pensar diferente criaria paradoxo: o regime mais brando teria garantias que o mais gravoso n\u00e3o possui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Turma do STJ j\u00e1 havia sinalizado essa mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o no julgamento do REsp 2.087.667\/RJ, e agora <strong>consolida o alinhamento com o Tema 1.199\/STF<\/strong>, superando a jurisprud\u00eancia anterior que admitia a analogia in bonam partem. A autonomia do Direito Administrativo sancionador imp\u00f5e que seus institutos decorram de previs\u00e3o legal pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da aplica\u00e7\u00e3o de institutos do Direito Penal \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A aplica\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas depende de analogia in bonam partem com o art. 71 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A jurisprud\u00eancia do STJ consolidou entendimento de que a continuidade delitiva pode ser aplicada por analogia ao Direito Administrativo sancionador.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O Tema 1.199\/STF permite a aplica\u00e7\u00e3o de institutos penais ao Direito Administrativo sancionador quando o regime punitivo for semelhante.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A transposi\u00e7\u00e3o de institutos penais \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas depende de previs\u00e3o normativa expressa.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A Lei n. 9.933\/1999 prev\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria do C\u00f3digo Penal \u00e0s infra\u00e7\u00f5es metrol\u00f3gicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A analogia in bonam partem foi afastada pelo precedente vinculante do STF.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Esse entendimento foi superado ap\u00f3s o Tema 1.199\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O Tema 1.199\/STF exige previs\u00e3o legal expressa, n\u00e3o mera semelhan\u00e7a entre regimes.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> Conforme decidido pela Primeira Turma em alinhamento ao Tema 1.199\/STF.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A Lei n. 9.933\/1999 n\u00e3o cont\u00e9m essa previs\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Continuidade delitiva \u2013 infra\u00e7\u00f5es administrativas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 1.199\/STF: exige previs\u00e3o legal expressa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Lei 9.933\/1999 n\u00e3o prev\u00ea continuidade delitiva<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Supera\u00e7\u00e3o da jurisprud\u00eancia anterior do STJ<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autonomia do Direito Administrativo sancionador<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Coer\u00eancia com regime da improbidade administrativa<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-0\"><span id=\"inteiro-teor-2\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A quest\u00e3o central a ser dirimida consiste na possibilidade de aplica\u00e7\u00e3o do instituto da continuidade delitiva, previsto no art. 71 do C\u00f3digo Penal, \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Inicialmente, imp\u00f5e-se destacar que a legisla\u00e7\u00e3o administrativa aplic\u00e1vel ao caso concreto, a Lei n. 9.933\/1999, que disp\u00f5e sobre as compet\u00eancias do Conmetro e do Inmetro, dentre outras provid\u00eancias, n\u00e3o disciplina expressamente a continuidade infracional.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, surge a necessidade de avaliar se, apesar da aus\u00eancia de previs\u00e3o expressa na legisla\u00e7\u00e3o administrativa, seria leg\u00edtima a aplica\u00e7\u00e3o de um instituto do Direito Penal, como a continuidade delitiva, \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00c9 certo que o Superior Tribunal de Justi\u00e7a vinha compreendendo pela possibilidade, em tese, de aplica\u00e7\u00e3o da regra da continuidade delitiva no \u00e2mbito das infra\u00e7\u00f5es administrativas, notadamente quando as diversas irregularidades de igual natureza eram apuradas na mesma a\u00e7\u00e3o fiscalizat\u00f3ria (AgInt no AREsp n. 1.356.452\/RJ, Rel. Ministro S\u00e9rgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 9\/2\/2021, DJe de 17\/2\/2021; e AgInt no REsp n. 1.666.784\/RJ, Rel. Ministro Francisco Falc\u00e3o, Segunda Turma, julgado em 15\/3\/2018, DJe de 21\/3\/2018).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, o Tribunal de origem assentou que o instituto da continuidade delitiva, previsto no art. 71 do C\u00f3digo Penal, deve ser aplicado analogicamente \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas quando houver unidade de des\u00edgnios entre as condutas, bem como identidade de natureza e circunst\u00e2ncias f\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Todavia, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Tema 1.199\/STF, estabeleceu, em mat\u00e9ria sancionadora, a compreens\u00e3o de que a aplica\u00e7\u00e3o de institutos do Direito Penal \u00e9 admitida apenas quando houver previs\u00e3o expressa em lei. Entendeu-se que, ausente previs\u00e3o espec\u00edfica na legisla\u00e7\u00e3o pertinente, n\u00e3o se pode presumir a exist\u00eancia de mecanismos atenuadores da responsabilidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isto \u00e9, se n\u00e3o houver previs\u00e3o legal, n\u00e3o h\u00e1 como aplicar ao Direito Administrativo o instituto radicado no Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, n\u00e3o se mostra l\u00f3gico que a compreens\u00e3o do STF, mais restritiva, firmada em precedente obrigat\u00f3rio, seja aplicada em demandas relativas \u00e0 improbidade administrativa &#8211; cuja san\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais grave e com consequ\u00eancias mais pr\u00f3ximas \u00e0s do Direito Penal -, e deixe de ser aplicada em demandas relacionadas a infra\u00e7\u00f5es puramente administrativas, como fiscaliza\u00e7\u00e3o metrol\u00f3gica, como no caso em exame.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Saliente-se que, recentemente, a Primeira Turma do STJ analisou a aplica\u00e7\u00e3o da continuidade delitiva em processo administrativo sancionador, ao julgar o REsp n. 2.087.667\/RJ, relatado pelo Ministro S\u00e9rgio Kukina, concluindo, na ocasi\u00e3o, pela sua possibilidade. Entretanto, aquele caso difere do presente, pois ali existia legisla\u00e7\u00e3o administrativa espec\u00edfica que autorizava expressamente a aplica\u00e7\u00e3o do instituto, circunst\u00e2ncia que n\u00e3o se verifica na situa\u00e7\u00e3o atual sob an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, considerando a necessidade de manuten\u00e7\u00e3o de coer\u00eancia com a raz\u00e3o trazida no precedente obrigat\u00f3rio do STF (Tema 1199\/STF) e a inexist\u00eancia de disposi\u00e7\u00e3o normativa expressa que, no caso, autorize a aplica\u00e7\u00e3o do instituto da continuidade delitiva \u00e0s infra\u00e7\u00f5es administrativas em an\u00e1lise, a ado\u00e7\u00e3o deste instituto configuraria indevida amplia\u00e7\u00e3o dos limites normativos impostos pelo legislador, em afronta ao princ\u00edpio da legalidade estrita, que rege o Direito Administrativo Sancionador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-pale-pink-background-color has-background\" id=\"h-faca-seu-download\"><span id=\"faca-seu-download\">Fa\u00e7a seu download<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02194322\/stj_info_876.pdf\" target=\"_blank\" >Download do PDF<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-improbidade-administrativa-tortura-e-rol-taxativo-do-art-11-da-lia-apos-a-lei-14-230-2021\"><span id=\"3-improbidade-administrativa-tortura-e-rol-taxativo-do-art-11-da-lia-apos-a-lei-14-230-2021\">3.&nbsp; Improbidade administrativa \u2013 tortura e rol taxativo do art. 11 da LIA ap\u00f3s a Lei 14.230\/2021<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A despeito de a jurisprud\u00eancia anterior qualificar a tortura como improbidade, ap\u00f3s a Lei 14.230\/2021 o <strong>rol do art. 11 da LIA passou a ser taxativo<\/strong>, impossibilitando o enquadramento de condutas n\u00e3o expressamente previstas, devendo a responsabiliza\u00e7\u00e3o ser buscada nas esferas pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.232.623-AL, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio e Geremias, policiais militares, foram acusados de sequestrar, torturar e ocultar o cad\u00e1ver de Creitinho durante opera\u00e7\u00e3o policial. O Minist\u00e9rio P\u00fablico ajuizou a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa com fundamento no art. 11 da LIA, enquadrando a conduta como ato atentat\u00f3rio aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o. Ocorre que, durante o tr\u00e2mite, sobreveio a Lei 14.230\/2021 que alterou (devassou) a LIA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>LIA, art. 11 (reda\u00e7\u00e3o da Lei 14.230\/2021)<\/strong><em> (rol taxativo de atos \u00edmprobos contra princ\u00edpios).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37<\/strong><em> (princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 1.199\/STF<\/strong><em> (irretroatividade e retroatividade da Lei 14.230\/2021).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda Antes da Lei 14.230\/2021, o art. 11 continha <strong>rol exemplificativo<\/strong>, admitindo enquadramentos por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva. A nova reda\u00e7\u00e3o tornou o <strong>rol taxativo<\/strong>, exigindo subsun\u00e7\u00e3o expressa da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O STF no Tema 1.199 reconheceu a impossibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retrospectiva da nova lei para extinguir a\u00e7\u00f5es j\u00e1 ajuizadas, mas permitiu a aplica\u00e7\u00e3o de <strong>disposi\u00e7\u00f5es mais ben\u00e9ficas ao r\u00e9u<\/strong> em processos em tr\u00e2mite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Antes da Lei 14.230\/2021, o art. 11 da LIA continha <strong>rol exemplificativo<\/strong>, o que permitia enquadrar condutas graves \u2013 como tortura praticada por agentes estatais \u2013 como atos atentat\u00f3rios aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o. A Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, em leading case, havia expressamente reconhecido que tortura por agentes p\u00fablicos configurava improbidade por viola\u00e7\u00e3o a princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Lei 14.230\/2021 transformou o rol do art. 11 em <strong>taxativo (numerus clausus)<\/strong>, listando hip\u00f3teses espec\u00edficas de atos \u00edmprobos contra princ\u00edpios. A tortura praticada por agentes p\u00fablicos, embora grav\u00edssima, n\u00e3o encontra correspond\u00eancia expressa nas hip\u00f3teses agora previstas, inviabilizando o enquadramento na via da improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Essa altera\u00e7\u00e3o legislativa cria aparente paradoxo: a conduta mais reprov\u00e1vel do agente estatal (tortura) deixa de ser sancion\u00e1vel pela via da improbidade. Contudo, a <strong>responsabiliza\u00e7\u00e3o deve ser buscada nas esferas penal e civil<\/strong>, que possuem instrumentos pr\u00f3prios e san\u00e7\u00f5es adequadas. A tipifica\u00e7\u00e3o penal da tortura (Lei 9.455\/1997) e a responsabilidade civil do Estado (CF, art. 37, \u00a7 6\u00ba) garantem que a conduta n\u00e3o ficar\u00e1 impune.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Primeira Turma, embora reconhecendo a relev\u00e2ncia da tutela de direitos fundamentais e de tratados internacionais de direitos humanos, concluiu que <strong>o princ\u00edpio da legalidade impede o enquadramento de condutas n\u00e3o previstas no rol taxativo<\/strong>. A inadequa\u00e7\u00e3o da via eleita n\u00e3o equivale \u00e0 impunidade, mas imp\u00f5e que a responsabiliza\u00e7\u00e3o ocorra pelos canais jur\u00eddicos adequados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa por atos atentat\u00f3rios aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o (art. 11 da LIA), assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Ap\u00f3s a Lei 14.230\/2021, o art. 11 da LIA tem rol taxativo, o que pode impedir o enquadramento de condutas graves n\u00e3o expressamente previstas, como tortura por agentes estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O rol do art. 11 da LIA permanece exemplificativo ap\u00f3s a Lei 14.230\/2021, permitindo enquadramentos por interpreta\u00e7\u00e3o extensiva.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A Lei 14.230\/2021 n\u00e3o se aplica a processos em tr\u00e2mite, conforme decidido pelo STF no Tema 1.199.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A tortura praticada por agentes p\u00fablicos continua enquadr\u00e1vel como improbidade administrativa pelo art. 11 da LIA na atual reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A taxatividade do rol do art. 11 da LIA impede a responsabiliza\u00e7\u00e3o do agente p\u00fablico em outras esferas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A Primeira Turma reconheceu que a taxatividade do novo rol pode impedir enquadramentos antes admitidos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Lei 14.230\/2021 expressamente tornou o rol taxativo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O STF admitiu a aplica\u00e7\u00e3o de normas mais ben\u00e9ficas da nova lei a processos em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A tortura n\u00e3o encontra correspond\u00eancia expressa no rol taxativo do art. 11 na reda\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A inadequa\u00e7\u00e3o da via da improbidade n\u00e3o impede responsabiliza\u00e7\u00e3o penal e civil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Improbidade \u2013 tortura \u2013 art. 11 da LIA<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Rol exemplificativo \u2192 taxativo (Lei 14.230\/2021)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tortura n\u00e3o consta no novo rol do art. 11<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabiliza\u00e7\u00e3o: esferas penal e civil<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 1.199\/STF: aplica\u00e7\u00e3o de normas ben\u00e9ficas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Princ\u00edpio da legalidade prevalece<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-1\"><span id=\"inteiro-teor-3\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O cerne da presente controv\u00e9rsia reside em aferir, para efeito de recebimento da peti\u00e7\u00e3o inicial de a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa na qual se imputa a policiais militares a pr\u00e1tica de sequestro, tortura e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, se houve adequada individualiza\u00e7\u00e3o das condutas como ato de improbidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De acordo com o texto original do art. 11 da Lei n. 8.429\/1992, os atos \u00edmprobos atentat\u00f3rios aos princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica constavam de rol exemplificativo, viabilizando, dessarte, que, malgrado n\u00e3o expressamente contempladas, outras condutas il\u00edcitas contr\u00e1rias a preceitos basilares do Estado &#8211; especialmente \u00e0queles constantes do art. 37 da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica &#8211; igualmente viabilizassem a responsabiliza\u00e7\u00e3o do agente p\u00fablico por meio de a\u00e7\u00e3o de improbidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Tema n. 1.199\/STF de repercuss\u00e3o geral, n\u00e3o obstante tenha reconhecido a impossibilidade de aplica\u00e7\u00e3o retrospectiva da Lei n. 14.230\/2021 aos casos transitados em julgado, pontuou a aus\u00eancia de ultratividade da legisla\u00e7\u00e3o revogada, sendo vi\u00e1vel, por conseguinte, a incid\u00eancia do novel regramento quanto aos processos em curso.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa orienta\u00e7\u00e3o ressoou na jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a qual, conquanto encampe a aplica\u00e7\u00e3o das altera\u00e7\u00f5es trazidas pela Lei n. 14.230\/2021 aos casos em tr\u00e2mite, viabiliza a incid\u00eancia do princ\u00edpio da continuidade t\u00edpico-normativa para reenquadrar as condutas imputadas em outros tipos descritos nos arts. 9\u00ba, 10 e 11 da Lei n. 8.429\/1992, inclusive em hip\u00f3teses nas quais a legisla\u00e7\u00e3o extravagante expressamente capitule como \u00edmprobas as a\u00e7\u00f5es ou omiss\u00f5es n\u00e3o categoricamente plasmadas na Lei de Improbidade Administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, sob o \u00e2ngulo anterior \u00e0s altera\u00e7\u00f5es promovidas na Lei de Improbidade Administrativa pela Lei n. 14.230\/2021, a Primeira Se\u00e7\u00e3o do STJ, apreciando leading case envolvendo a acusa\u00e7\u00e3o de supostos atos de tortura praticados por agentes policiais contra presos mantidos em cust\u00f3dia em Delegacia de Pol\u00edcia, REsp n. 1.177.910\/SE, julgado em 26\/8\/2015, exarou compreens\u00e3o no sentido de que a\u00e7\u00f5es dessa natureza, se comprovadas, afrontam preceitos basilares da ordem constitucional e implicam ofensa manifesta aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, configurando, por conseguinte, ato de improbidade que vulnera princ\u00edpios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, com amparo no art. 11, caput, inciso I, da Lei n. 8.429\/1992.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Entretanto, n\u00e3o obstante a relev\u00e2ncia de tal orienta\u00e7\u00e3o para a tutela de direitos fundamentais e a observ\u00e2ncia de tratados internacionais consagradores de direitos humanos, ap\u00f3s as modifica\u00e7\u00f5es implementadas pela atual reda\u00e7\u00e3o do art. 11, da Lei n. 8.429\/1992 &#8211; aplic\u00e1vel aos processos em curso, \u00e0 luz da sobredita orienta\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal &#8211; n\u00e3o mais permite enquadrar a tortura, a viol\u00eancia policial, a oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver, enfim, o justi\u00e7amento il\u00edcito praticado por agentes do Estado como ato de improbidade, pois ausente correla\u00e7\u00e3o entre tais condutas e os demais tipos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, \u00e9 for\u00e7oso reconhecer a inadequa\u00e7\u00e3o da via eleita para a responsabiliza\u00e7\u00e3o dos acusados, a qual deve ser perseguida nas esferas pr\u00f3prias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-pensionamento-mensal-limite-de-2-3-e-fixacao-em-salario-minimo\"><span id=\"4-pensionamento-mensal-limite-de-2-3-e-fixacao-em-salario-minimo\">4. Pensionamento mensal \u2013 limite de 2\/3 e fixa\u00e7\u00e3o em sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pensionamento mensal decorrente de ato il\u00edcito deve limitar-se a <strong>2\/3 dos rendimentos da v\u00edtima falecida<\/strong>, ou ser equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo quando n\u00e3o houver comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.204.627-DF, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Segunda Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Crementina deu entrada no hospital p\u00fablico com fortes dores abdominais. Apesar da gravidade, ficou horas sem atendimento m\u00e9dico e faleceu. Seu marido Tib\u00farcio e seus dois filhos menores ajuizaram a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria contra o Distrito Federal, pleiteando danos morais e pensionamento mensal. O ente estatal foi condenado, mas recorreu quanto ao valor do pensionamento, alegando que deveria ser limitado a 2\/3 dos rendimentos da falecida \u2013 que n\u00e3o foram comprovados nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 950<\/strong><em> (indeniza\u00e7\u00e3o por lucros cessantes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 37, \u00a7 6\u00ba<\/strong><em> (responsabilidade objetiva do Estado).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 490\/STF<\/strong><em> (pensionamento correspondente \u00e0 import\u00e2ncia do trabalho).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A presun\u00e7\u00e3o de que <strong>1\/3 dos rendimentos<\/strong> da v\u00edtima seria destinado ao seu pr\u00f3prio sustento justifica o <strong>limite de 2\/3<\/strong> para o pensionamento aos dependentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Na aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos efetivos da v\u00edtima, a jurisprud\u00eancia do STJ admite a fixa\u00e7\u00e3o do pensionamento em <strong>um sal\u00e1rio m\u00ednimo como par\u00e2metro razo\u00e1vel<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O pensionamento por ato il\u00edcito tem por finalidade recompor a perda financeira sofrida pelos dependentes da v\u00edtima. A <strong>dedu\u00e7\u00e3o de 1\/3 corresponde \u00e0 parcela presumida de gastos pessoais do falecido<\/strong>, de modo que o pensionamento se limita a 2\/3 dos rendimentos. Essa dedu\u00e7\u00e3o aplica-se mesmo quando a v\u00edtima era provedora integral do lar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Quando n\u00e3o h\u00e1 prova dos rendimentos da v\u00edtima \u2013 como no caso de trabalhadores informais ou pessoas sem renda comprov\u00e1vel \u2013 <strong>o pensionamento pode ser fixado em um sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/strong>, par\u00e2metro adotado pela jurisprud\u00eancia do STJ para garantir a repara\u00e7\u00e3o integral sem enriquecimento il\u00edcito. Esse valor serve como piso indenizat\u00f3rio na aus\u00eancia de outros elementos de prova.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A responsabilidade do Estado por omiss\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade \u00e9 <strong>objetiva quando se trata de falha no servi\u00e7o<\/strong>. A demora no atendimento m\u00e9dico em hospital p\u00fablico, quando comprovado nexo causal com o \u00f3bito, gera o dever de indenizar tanto os danos materiais (pensionamento) quanto os morais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A fixa\u00e7\u00e3o do pensionamento em sal\u00e1rio m\u00ednimo visa assegurar <strong>repara\u00e7\u00e3o adequada sem exigir prova diab\u00f3lica dos dependentes<\/strong>. Impor \u00e0 fam\u00edlia enlutada o \u00f4nus de comprovar rendimentos de v\u00edtima que trabalhava na informalidade equivaleria a negar-lhe a tutela indenizat\u00f3ria, frustrando o princ\u00edpio da repara\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o pensionamento mensal decorrente de ato il\u00edcito com resultado morte, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) O pensionamento deve corresponder \u00e0 integralidade dos rendimentos da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos da v\u00edtima \u00e9 requisito indispens\u00e1vel para a fixa\u00e7\u00e3o do pensionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O pensionamento limita-se a 1\/3 dos rendimentos da v\u00edtima, por presun\u00e7\u00e3o de gastos com dependentes.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A fixa\u00e7\u00e3o do pensionamento em sal\u00e1rio m\u00ednimo depende de pedido expresso da parte autora.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Na aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos da v\u00edtima, o pensionamento pode ser fixado em um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Presume-se que 1\/3 dos rendimentos era destinado ao sustento pr\u00f3prio da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Na aus\u00eancia de prova, o pensionamento pode ser fixado em um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O limite \u00e9 de 2\/3 (dois ter\u00e7os), pois 1\/3 \u00e9 deduzido a t\u00edtulo de gastos pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O juiz pode fixar o par\u00e2metro de of\u00edcio, sem necessidade de pedido expresso.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> Conforme entendimento da Segunda Turma, aplica-se o limite de 2\/3 ou o piso de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Pensionamento mensal \u2013 morte por omiss\u00e3o estatal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Limite: 2\/3 dos rendimentos (1\/3 = gastos pessoais)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sem prova de renda \u2192 um sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Responsabilidade objetiva do Estado por falha no servi\u00e7o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Repara\u00e7\u00e3o integral \u00d7 enriquecimento il\u00edcito<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o dos dependentes da v\u00edtima<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-2\"><span id=\"inteiro-teor-4\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, houve responsabiliza\u00e7\u00e3o do ente estatal pela morte decorrente de omiss\u00e3o na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade. O Distrito Federal sustentou que o pensionamento deve ser limitado a 2\/3 do sal\u00e1rio m\u00ednimo para todos os dependentes, partindo-se da premissa de que o ter\u00e7o restante seria destinado ao sustento da pr\u00f3pria v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, o pensionamento por ato il\u00edcito deve limitar-se a 2\/3 (dois ter\u00e7os) dos rendimentos auferidos pela falecida v\u00edtima, presumindo-se que 1\/3 (um ter\u00e7o) desses rendimentos era destinado ao seu pr\u00f3prio sustento.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, quando n\u00e3o houver comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos, como no caso dos autos, o pensionamento pode ser fixado no valor equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, conforme a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, conclui-se que na aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o dos rendimentos da v\u00edtima, \u00e9 admiss\u00edvel a fixa\u00e7\u00e3o da pens\u00e3o mensal em valor equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Essa orienta\u00e7\u00e3o visa assegurar a repara\u00e7\u00e3o integral dos danos materiais sofridos pelos dependentes da v\u00edtima, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 provas documentais dos ganhos auferidos em vida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-irpf-incidencia-sobre-plr-bonus-de-performance-outplacement-e-compensacao-por-stock-options\"><span id=\"5-irpf-incidencia-sobre-plr-bonus-de-performance-outplacement-e-compensacao-por-stock-options\">5.&nbsp; IRPF \u2013 incid\u00eancia sobre PLR, b\u00f4nus de performance, outplacement e compensa\u00e7\u00e3o por stock options<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O IRPF incide sobre verbas recebidas a t\u00edtulo de participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados, b\u00f4nus de performance individual, outplacement e a compensa\u00e7\u00e3o por stock options <strong>quando previstas em contrato civil de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/strong>, por caracterizarem acr\u00e9scimo patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.409.762-SP, Rel. Ministro Afr\u00e2nio Vilela, Rel. para ac\u00f3rd\u00e3o Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, por maioria, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Seu Barriga, alto executivo, mantinha com a empresa tanto um contrato de trabalho formal quanto um contrato civil de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Na rescis\u00e3o unilateral deste \u00faltimo, recebeu: PLR (R$ 800 mil), b\u00f4nus de performance (R$ 500 mil), programa de outplacement (R$ 150 mil) e compensa\u00e7\u00e3o pela perda de stock options que n\u00e3o exerceu (R$ 2 milh\u00f5es). Seu Barriga sustentou que todas as verbas tinham natureza indenizat\u00f3ria e, portanto, seriam isentas de IR.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, art. 153, III<\/strong><em> (compet\u00eancia para instituir IR).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CTN, art. 43, \u00a7 1\u00ba<\/strong><em> (conceito de renda e acr\u00e9scimo patrimonial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, arts. 408 e ss.<\/strong><em> (cl\u00e1usula penal).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 1226\/STJ<\/strong><em> (stock options \u2013 fato gerador do IR no exerc\u00edcio da op\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A denomina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica atribu\u00edda pelas partes \u00e0 verba (&#8216;indeniza\u00e7\u00e3o&#8217;, &#8216;b\u00f4nus&#8217;) n\u00e3o vincula a autoridade fiscal, que deve investigar a <strong>real natureza econ\u00f4mica do pagamento<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A compensa\u00e7\u00e3o pela perda de stock options n\u00e3o exercidas configura <strong>cl\u00e1usula penal c\u00edvel<\/strong> (lucros cessantes prefixados), com natureza de acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 PLR e b\u00f4nus de performance s\u00e3o verbas <strong>atreladas ao desempenho e aos resultados financeiros da empresa<\/strong>, constituindo acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel. Quando previstas em contrato civil (n\u00e3o trabalhista), n\u00e3o se beneficiam das isen\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, pois derivam de acordo de vontades privado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O programa de outplacement \u2013 apoio estruturado \u00e0 transi\u00e7\u00e3o de carreira do executivo desligado \u2013 configura <strong>benef\u00edcio econ\u00f4mico mensurado e oferecido pela empresa ao prestador de servi\u00e7os<\/strong>. Embora denominado &#8216;indeniza\u00e7\u00e3o&#8217; no contrato, sua real natureza \u00e9 de vantagem patrimonial, atraindo a incid\u00eancia do IRPF.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O ponto mais sofisticado diz respeito \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o por stock options n\u00e3o exercidas. \u00c0 luz do Tema 1226\/STJ, o fato gerador do IR sobre stock options ocorre no exerc\u00edcio da op\u00e7\u00e3o. Contudo, quando o executivo <strong>recebe valor em dinheiro como compensa\u00e7\u00e3o pela perda da oportunidade de exercer a op\u00e7\u00e3o<\/strong>, esse pagamento tem natureza de cl\u00e1usula penal c\u00edvel \u2013 prefixa\u00e7\u00e3o de perdas e danos (lucros cessantes) \u2013, configurando acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O conceito constitucional de renda e proventos abrange <strong>todo acr\u00e9scimo patrimonial, independentemente da denomina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica<\/strong> que as partes lhe atribuam. A subst\u00e2ncia econ\u00f4mica prevalece sobre a forma contratual: se houve ingresso de riqueza nova no patrim\u00f4nio do contribuinte, h\u00e1 fato gerador do IR.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da incid\u00eancia do IRPF sobre verbas pagas em rescis\u00e3o de contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Verbas denominadas &#8216;indeniza\u00e7\u00e3o&#8217; no contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os s\u00e3o isentas de IRPF.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O programa de outplacement tem natureza salarial e sujeita-se \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, mas n\u00e3o ao IRPF.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A incid\u00eancia do IRPF sobre PLR, b\u00f4nus, outplacement e compensa\u00e7\u00e3o por stock options, quando previstas em contrato civil, decorre da natureza de acr\u00e9scimo patrimonial dessas verbas.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A compensa\u00e7\u00e3o por stock options n\u00e3o exercidas tem natureza de dano emergente e \u00e9 isenta de tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O Tema 1226\/STJ afasta a tributa\u00e7\u00e3o sobre valores recebidos como compensa\u00e7\u00e3o pela perda de stock options.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A denomina\u00e7\u00e3o contratual n\u00e3o vincula a autoridade fiscal; prevalece a natureza econ\u00f4mica real.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. Outplacement previsto em contrato civil n\u00e3o tem natureza salarial, mas configura acr\u00e9scimo patrimonial sujeito ao IRPF.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A Segunda Turma reconheceu que todas essas verbas configuram acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A compensa\u00e7\u00e3o por stock options constitui cl\u00e1usula penal (lucros cessantes), n\u00e3o dano emergente.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. O Tema 1226\/STJ trata do fato gerador no exerc\u00edcio da op\u00e7\u00e3o; a compensa\u00e7\u00e3o em dinheiro \u00e9 hip\u00f3tese distinta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc IRPF \u2013 verbas de contrato civil de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd PLR e b\u00f4nus: acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Outplacement: benef\u00edcio econ\u00f4mico, n\u00e3o indeniza\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Stock options n\u00e3o exercidas: cl\u00e1usula penal (lucros cessantes)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Subst\u00e2ncia econ\u00f4mica prevalece sobre denomina\u00e7\u00e3o contratual<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 1226\/STJ: fato gerador no exerc\u00edcio da op\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-3\"><span id=\"inteiro-teor-5\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir a natureza jur\u00eddica, para fins de incid\u00eancia do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF), sobre um conjunto de verbas pagas a um executivo por ocasi\u00e3o da rescis\u00e3o unilateral e imotivada de seu contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, o qual, cumpre destacar, possui natureza eminentemente c\u00edvel, apartado de um concomitante v\u00ednculo de trabalho regido pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte mantinha com a empresa um contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de natureza c\u00edvel, paralelamente a um contrato de trabalho formal. As verbas ora em disputa, estipuladas justamente no bojo do contrato c\u00edvel, s\u00e3o: participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados, b\u00f4nus de performance individual, outplacement e a compensa\u00e7\u00e3o por stock options.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tais obriga\u00e7\u00f5es n\u00e3o derivam diretamente da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, de diss\u00eddios ou de conven\u00e7\u00f5es coletivas, mas de um acordo de vontades de \u00edndole privada. As partes, ao celebrarem o contrato, previram uma retribui\u00e7\u00e3o financeira para a hip\u00f3tese de rescis\u00e3o unilateral e imotivada por parte da contratante. Cumpre asseverar que tal estipula\u00e7\u00e3o se amolda perfeitamente ao instituto da cl\u00e1usula penal compensat\u00f3ria, prevista nos artigos 408 e seguintes do C\u00f3digo Civil. Trata-se, em verdade, de uma prefixa\u00e7\u00e3o de perdas e danos, uma penalidade contratual que, embora possa ter um vi\u00e9s indenizat\u00f3rio, n\u00e3o se confunde necessariamente com a repara\u00e7\u00e3o de um dano emergente no sentido tribut\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio, a sua natureza \u00e9, primariamente, contratual e sancionat\u00f3ria, representando para o credor o ingresso de um valor em seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Prosseguindo nessa senda, \u00e9 cedi\u00e7o que a denomina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica atribu\u00edda pelas partes a uma verba (&#8220;indeniza\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;gratifica\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;b\u00f4nus&#8221;) n\u00e3o vincula a autoridade fiscal, que deve perquirir a real natureza econ\u00f4mica do fato para determinar a ocorr\u00eancia do fato gerador, em observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da primazia da realidade sobre a forma, consagrado, no \u00e2mbito tribut\u00e1rio, no \u00a71\u00ba do art. 43 do CTN.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dito isso, o Programa de Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados (PLR) e o B\u00f4nus de desempenho individual s\u00e3o verbas inequivocamente atreladas ao desempenho do executivo e aos resultados financeiros da companhia. Representam uma forma de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel, um pr\u00eamio pelo sucesso alcan\u00e7ado. O seu pagamento no momento da rescis\u00e3o contratual n\u00e3o lhes retira essa caracter\u00edstica. Sem d\u00favida alguma, esses valores servem para remunerar a perda da expectativa de auferir esses ganhos no futuro pr\u00f3ximo, caso o contrato tivesse prosseguido. Assim, a compensa\u00e7\u00e3o por uma expectativa de ganho frustrada qualifica-se como lucro cessante, configurando acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel. Portanto, correta a incid\u00eancia do imposto de renda sobre tais valores.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, o servi\u00e7o de outplacement representa um programa de apoio estruturado que as empresas oferecem a funcion\u00e1rios desligados para facilitar sua transi\u00e7\u00e3o na carreira. Trata-se de um benef\u00edcio, uma vantagem que, embora n\u00e3o monet\u00e1ria em sua forma direta, possui valor econ\u00f4mico e se traduz em um incremento ao patrim\u00f4nio de possibilidades e oportunidades do executivo. N\u00e3o se trata de reparar uma perda, mas de fornecer uma nova ferramenta para o futuro profissional. A legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria n\u00e3o se limita a tributar valores em pec\u00fania, apenas, mas inclui vantagens e benef\u00edcios que configurem acr\u00e9scimo patrimonial. No caso, a tributabilidade se torna ainda mais evidente e inconteste, porquanto o empregado foi indenizado em valor correspondente ao que seria gasto com o servi\u00e7o de recoloca\u00e7\u00e3o profissional, auferindo n\u00edtido acr\u00e9scimo patrimonial ao seu patrim\u00f4nio. Logo, o proveito econ\u00f4mico recebido sujeita-se \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por \u00faltimo, talvez o ponto mais sofisticado da controv\u00e9rsia diga respeito \u00e0 Compensa\u00e7\u00e3o pela Perda do Direito \u00e0 Participa\u00e7\u00e3o Acion\u00e1ria (Stock Option).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em linhas gerais, o denominado Stock Option Plan (SOP) consiste na oferta, pela Sociedade An\u00f4nima, de op\u00e7\u00e3o de compra de a\u00e7\u00f5es em favor de seus executivos, empregados ou prestadores de servi\u00e7os, sob determinadas condi\u00e7\u00f5es e com pre\u00e7o preestabelecido (art. 168, \u00a7 3\u00ba, da Lei n. 6.404\/1976). O interessado, ent\u00e3o, poder\u00e1 aderir \u00e0 op\u00e7\u00e3o e, a tempo e modo, efetivar a compra das respectivas a\u00e7\u00f5es, por elas pagando o pre\u00e7o outrora definido pela companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A equaliza\u00e7\u00e3o da controv\u00e9rsia deita ra\u00edzes no recente posicionamento do STJ, firmado no julgamento do Tema 1226\/STJ, o qual possui a seguinte ratio decidendi: o fato gerador do Imposto de Renda n\u00e3o ocorre no momento em que o benefici\u00e1rio exerce a op\u00e7\u00e3o e adquire as a\u00e7\u00f5es (muitas vezes por um pre\u00e7o simb\u00f3lico ou inferior ao de mercado), pois ali h\u00e1 apenas uma transa\u00e7\u00e3o mercantil sem ganho l\u00edquido imediato. O acr\u00e9scimo patrimonial tribut\u00e1vel se materializa apenas no momento da aliena\u00e7\u00e3o dessas a\u00e7\u00f5es, quando o ganho de capital (diferen\u00e7a entre o valor de venda e o custo de aquisi\u00e7\u00e3o) \u00e9 efetivamente realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a parte n\u00e3o chegou a exercer a op\u00e7\u00e3o de compra nem a vender as a\u00e7\u00f5es. Ele recebeu um valor em dinheiro como compensa\u00e7\u00e3o pela perda da oportunidade de realizar todo esse ciclo. Ora, este pagamento pecuni\u00e1rio nada mais \u00e9 do que a substitui\u00e7\u00e3o, pelo seu equivalente monet\u00e1rio, do ganho de capital que ele potencialmente auferiria ao final do processo. Se o ganho na venda das a\u00e7\u00f5es \u00e9 tribut\u00e1vel, a compensa\u00e7\u00e3o que o substitui, por identidade de subst\u00e2ncia econ\u00f4mica, tamb\u00e9m o \u00e9. Portanto, o valor recebido a t\u00edtulo de compensa\u00e7\u00e3o pelo n\u00e3o exerc\u00edcio do direito de stock options representa um evidente acr\u00e9scimo patrimonial, sendo plenamente tribut\u00e1vel pelo Imposto de Renda, em perfeita harmonia com o esp\u00edrito do Tema 1226\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tendo-se em vista que se trata de valores relativos \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de cl\u00e1usula penal c\u00edvel, consistentes em prefixa\u00e7\u00e3o de perdas e danos, alinhados, sobretudo, ao conceito de lucros cessantes, tais valores s\u00e3o, portanto, representativos de acr\u00e9scimos patrimoniais tribut\u00e1veis (renda), na forma do art. 70, caput, da Lei n. 9.430\/1996.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-pale-pink-background-color has-background\" id=\"h-faca-seu-download-0\"><span id=\"faca-seu-download-2\">Fa\u00e7a seu download<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02194322\/stj_info_876.pdf\" target=\"_blank\" >Download do PDF<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-seguro-de-vida-suicidio-como-unico-agravamento-intencional-do-risco\"><span id=\"6-seguro-de-vida-suicidio-como-unico-agravamento-intencional-do-risco\">6. Seguro de vida \u2013 suic\u00eddio como \u00fanico agravamento intencional do risco<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No seguro de vida, <strong>o suic\u00eddio ocorrido nos dois primeiros anos de vig\u00eancia do contrato \u00e9 a \u00fanica hip\u00f3tese de agravamento intencional do risco<\/strong> pass\u00edvel de excluir a cobertura securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.130.908-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Kiko, segurado de ap\u00f3lice de vida, era usu\u00e1rio de entorpecentes. Certa noite, dirigiu-se a um ponto de venda de drogas e acabou sendo morto por traficantes. A seguradora negou a indeniza\u00e7\u00e3o aos benefici\u00e1rios (sua m\u00e3e, Dona Florinda), alegando que Kiko havia agravado intencionalmente o risco ao frequentar local perigoso e praticar conduta il\u00edcita (uso de drogas), configurando exclus\u00e3o de cobertura pelo art. 768 do CC.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 768<\/strong><em> (perda da garantia por agravamento intencional do risco).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CC, art. 798<\/strong><em> (suic\u00eddio e prazo de car\u00eancia de dois anos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>S\u00famula 620\/STJ<\/strong><em> (embriaguez do segurado n\u00e3o exclui cobertura).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>REsp 1.999.624\/PR (Segunda Se\u00e7\u00e3o)<\/strong><em> (veda\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o por conduta de risco no seguro de vida).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O seguro de vida tem <strong>natureza protetiva e social<\/strong>, diferentemente do seguro de danos. A prote\u00e7\u00e3o destina-se aos benefici\u00e1rios, n\u00e3o ao patrim\u00f4nio do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O agravamento intencional do risco (art. 768 do CC) exige dois elementos cumulativos: <strong>inten\u00e7\u00e3o deliberada<\/strong> de aumentar o risco e <strong>nexo causal<\/strong> entre essa inten\u00e7\u00e3o e o sinistro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 No seguro de vida, condutas imprudentes do segurado \u2013 como embriaguez (S\u00famula 620\/STJ) e excesso de velocidade \u2013 <strong>n\u00e3o excluem a cobertura securit\u00e1ria<\/strong>. A natureza protetiva do seguro de vida imp\u00f5e interpreta\u00e7\u00e3o restritiva das cl\u00e1usulas de exclus\u00e3o, em favor dos benefici\u00e1rios que dependem economicamente do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O art. 768 do CC exige <strong>agravamento intencional do risco, o que pressup\u00f5e vontade deliberada de morrer<\/strong>. Frequentar local perigoso ou usar drogas, embora condutas reprov\u00e1veis, n\u00e3o demonstram inten\u00e7\u00e3o de provocar o pr\u00f3prio \u00f3bito. A morte decorreu de a\u00e7\u00e3o de terceiros (traficantes), rompendo o nexo entre a conduta do segurado e o sinistro.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do REsp 1.999.624\/PR, consolidou que no seguro de vida <strong>\u00e9 vedada a exclus\u00e3o de cobertura em raz\u00e3o de conduta de risco do segurado<\/strong>, exceto na hip\u00f3tese de suic\u00eddio dentro dos dois primeiros anos de vig\u00eancia do contrato (CC, art. 798). Essa \u00e9 a \u00fanica causa leg\u00edtima de exclus\u00e3o por agravamento intencional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A distin\u00e7\u00e3o entre seguro de vida e seguro de danos \u00e9 fundamental: no seguro de danos, o segurado controla diretamente o risco sobre o bem. No seguro de vida, <strong>a cobertura visa proteger terceiros (benefici\u00e1rios) contra as consequ\u00eancias financeiras da morte<\/strong>, raz\u00e3o pela qual a culpa ou imprud\u00eancia do segurado n\u00e3o pode ser oposta aos benefici\u00e1rios como excludente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o seguro de vida e a exclus\u00e3o de cobertura por agravamento intencional do risco, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A conduta de risco do segurado, como uso de drogas, caracteriza agravamento intencional do risco e exclui a cobertura.<\/p>\n\n\n\n<p>B) No seguro de vida, a \u00fanica hip\u00f3tese de exclus\u00e3o de cobertura por agravamento intencional \u00e9 o suic\u00eddio nos dois primeiros anos do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O art. 768 do CC aplica-se tanto ao seguro de vida como ao seguro de danos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A S\u00famula 620\/STJ limita-se a afastar a exclus\u00e3o por embriaguez, n\u00e3o se estendendo a outras condutas imprudentes.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A morte do segurado em local perigoso exclui a cobertura quando h\u00e1 nexo entre o local e o sinistro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Condutas de risco, ainda que reprov\u00e1veis, n\u00e3o configuram agravamento intencional (vontade de morrer).<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> Conforme consolidado pela Segunda Se\u00e7\u00e3o no REsp 1.999.624\/PR e reafirmado pela Quarta Turma.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O seguro de vida possui regime protetivo pr\u00f3prio, mais restritivo quanto \u00e0s exclus\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O princ\u00edpio da S\u00famula 620\/STJ se estende a todas as condutas imprudentes do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A morte por a\u00e7\u00e3o de terceiros rompe o nexo causal entre a conduta de risco e o sinistro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Seguro de vida \u2013 agravamento intencional do risco<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Natureza protetiva e social do seguro de vida<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Condutas imprudentes \u2260 agravamento intencional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Suic\u00eddio nos 2 primeiros anos: \u00fanica exclus\u00e3o leg\u00edtima<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Art. 768\/CC: exige inten\u00e7\u00e3o deliberada + nexo causal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o dos benefici\u00e1rios prevalece<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-4\"><span id=\"inteiro-teor-6\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a conduta do segurado, usu\u00e1rio de drogas, ao se dirigir a um ponto de venda de entorpecentes e ser morto por traficantes, caracteriza agravamento intencional do risco capaz de excluir a cobertura do seguro de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No seguro de vida, diferentemente do seguro de danos (ou seguro de coisas), n\u00e3o se busca recomposi\u00e7\u00e3o patrimonial, mas garantia social e protetiva aos benefici\u00e1rios do segurado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A jurisprud\u00eancia do STJ orienta no sentido de que condutas imprudentes, como embriaguez do segurado (S\u00famula n. 620\/STJ) e at\u00e9 mesmo excessiva velocidade do ve\u00edculo sob sua condu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ensejam a perda do direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria quando se tratar de seguro de vida, modalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se revela inerente \u00e0 possibilidade de o segurado agravar o risco durante sua vig\u00eancia, sendo devido o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o mesmo nos casos de agravamento extremo, como na hip\u00f3tese de suic\u00eddio quando ultrapassado o prazo bienal de car\u00eancia (art. 798 do C\u00f3digo Civil).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais recentemente, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do STJ, no julgamento do REsp n. 1.999.624\/PR, reafirmou e ampliou esse entendimento ao estabelecer que, no seguro de vida, \u00e9 vedada a exclus\u00e3o de cobertura em caso de sinistros ou acidentes decorrentes de atos praticados pelo segurado em estado de insanidade mental, de alcoolismo ou sob efeito de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, ressalvado o suic\u00eddio ocorrido dentro dos dois primeiros anos do contrato (Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Segunda Se\u00e7\u00e3o, julgado em 28\/9\/2022, DJe 2\/12\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O art. 768 do C\u00f3digo Civil disp\u00f5e que &#8220;o segurado perder\u00e1 o direito \u00e0 garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato&#8221;. Ocorre que a aplica\u00e7\u00e3o desse dispositivo ao seguro de vida deve ser extremamente cautelosa e excepcional, sob pena de esvaziar por completo a fun\u00e7\u00e3o social e a pr\u00f3pria ess\u00eancia dessa modalidade securit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A express\u00e3o &#8220;agravar intencionalmente&#8221; exige dois elementos cumulativos: (a) elemento volitivo: a inten\u00e7\u00e3o deliberada de aumentar o risco coberto pelo seguro; e (b) elemento objetivo: efetivo nexo causal direto entre a conduta intencional e a materializa\u00e7\u00e3o do risco segurado. A interpreta\u00e7\u00e3o do art. 768 do C\u00f3digo Civil, em conjunto com o art. 798 e com a regulamenta\u00e7\u00e3o setorial, leva \u00e0 conclus\u00e3o de que, no seguro de vida, o agravamento intencional do risco s\u00f3 pode justificar a exclus\u00e3o de cobertura quando equivaler ao pr\u00f3prio suic\u00eddio. Fora dessa hip\u00f3tese extrema, a cobertura deve ser mantida.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, ocorrendo a morte do segurado e ausente sua m\u00e1-f\u00e9 &#8211; tal como a oculta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre prec\u00e1rio estado de sa\u00fade ou doen\u00e7as preexistentes &#8211; e inexistindo suic\u00eddio durante o per\u00edodo de car\u00eancia, a indeniza\u00e7\u00e3o securit\u00e1ria deve ser paga ao benefici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, ainda que o segurado tenha se dirigido a local perigoso, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia de que sua inten\u00e7\u00e3o era morrer. A morte decorreu de a\u00e7\u00e3o de terceiros (traficantes), e n\u00e3o de ato volitivo do segurado direcionado a acabar com a pr\u00f3pria vida. Mesmo admitindo-se a hip\u00f3tese de que o segurado buscava adquirir subst\u00e2ncia entorpecente, essa conduta &#8211; por mais reprov\u00e1vel que seja do ponto de vista moral ou legal &#8211; n\u00e3o se confunde com o agravamento intencional previsto no art. 768 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STJ - Edi\u00e7\u00e3o 876\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YVC_nyysFho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-clausula-de-paridade-cambial-contratos-de-repasse-de-recursos-externos-bndes\"><span id=\"7-clausula-de-paridade-cambial-contratos-de-repasse-de-recursos-externos-bndes\">7. Cl\u00e1usula de paridade cambial \u2013 contratos de repasse de recursos externos (BNDES)<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 v\u00e1lida a inclus\u00e3o de <strong>cl\u00e1usula de paridade cambial nos contratos de repasse de recursos captados no exterior<\/strong>, celebrados com fundamento na Resolu\u00e7\u00e3o CMN 63\/1967, por se tratar de exce\u00e7\u00e3o legal \u00e0 veda\u00e7\u00e3o do art. 6\u00ba da Lei 8.880\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 2.422.049-SP, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo, industrial do setor t\u00eaxtil, celebrou contrato de m\u00fatuo com banco de desenvolvimento para financiar a qq1q1amplia\u00e7\u00e3o de sua f\u00e1brica, com recursos originados de capta\u00e7\u00e3o externa (BNDES). O contrato previa atualiza\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito pela m\u00e9dia ponderada das corre\u00e7\u00f5es cambiais. Com a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, a d\u00edvida triplicou. Creosvaldo ajuizou a\u00e7\u00e3o alegando nulidade da cl\u00e1usula cambial com base no art. 6\u00ba da Lei 8.880\/1994, que veda reajuste vinculado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 8.880\/1994, art. 6\u00ba<\/strong><em> (nulidade de reajuste vinculado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Resolu\u00e7\u00e3o CMN 63\/1967<\/strong><em> (repasse de recursos captados no exterior).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 4.595\/1964<\/strong><em> (compet\u00eancia normativa do CMN e do Bacen).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda O art. 6\u00ba da Lei 8.880\/1994 prev\u00ea <strong>exce\u00e7\u00f5es \u00e0 veda\u00e7\u00e3o<\/strong> de indexa\u00e7\u00e3o cambial, entre elas os contratos de importa\u00e7\u00e3o e os celebrados com recursos captados no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A atividade normativa do Bacen, precedida de delibera\u00e7\u00e3o do CMN, decorre de delega\u00e7\u00e3o legal recepcionada pela CF, tendo <strong>for\u00e7a de lei complementar<\/strong> em mat\u00e9ria de regula\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A regra geral do art. 6\u00ba da Lei 8.880\/1994 \u00e9 a <strong>nulidade de contrata\u00e7\u00e3o de reajuste vinculado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial<\/strong>. Essa veda\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 absoluta: o pr\u00f3prio dispositivo ressalva os contratos &#8220;expressamente autorizados por lei federal&#8221; e os de &#8220;arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no Pa\u00eds, com base em capta\u00e7\u00e3o de recursos provenientes do exterior&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Os contratos de repasse de recursos externos, celebrados com fundamento na Resolu\u00e7\u00e3o CMN 63\/1967, <strong>enquadram-se na exce\u00e7\u00e3o legal<\/strong>, pois os recursos foram captados em moeda estrangeira e repassados internamente ao mutu\u00e1rio. A cl\u00e1usula cambial, nesse contexto, visa preservar a equival\u00eancia econ\u00f4mica da opera\u00e7\u00e3o: o banco capta em d\u00f3lar e repassa em real, de modo que a indexa\u00e7\u00e3o cambial \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de viabilidade da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A atividade normativa do CMN e do Bacen em mat\u00e9ria de regula\u00e7\u00e3o financeira possui <strong>status de lei complementar por for\u00e7a da recep\u00e7\u00e3o constitucional<\/strong> da Lei 4.595\/1964. Assim, as resolu\u00e7\u00f5es do CMN que disciplinam o repasse de recursos externos constituem fundamento legal suficiente para a indexa\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Afastar a cl\u00e1usula cambial em contratos de repasse de recursos externos <strong>inviabilizaria a opera\u00e7\u00e3o financeira<\/strong>, pois o banco agente ficaria exposto ao risco cambial sem possibilidade de hedge. O equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro do contrato justifica a indexa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 da ess\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o de repasse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a cl\u00e1usula de paridade cambial em contratos de financiamento, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A veda\u00e7\u00e3o legal ao reajuste contratual vinculado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambia aplica-se a todos os contratos celebrados em moeda nacional, sem exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A cl\u00e1usula de paridade cambial em contrato de repasse de recursos externos \u00e9 nula por violar a Lei 8.880\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p>C) As resolu\u00e7\u00f5es do CMN n\u00e3o possuem fundamento legal suficiente para autorizar a indexa\u00e7\u00e3o cambial em contratos internos.<\/p>\n\n\n\n<p>D) \u00c9 v\u00e1lida a cl\u00e1usula de paridade cambial nos contratos de repasse de recursos captados no exterior, por se tratar de exce\u00e7\u00e3o legal \u00e0 veda\u00e7\u00e3o de indexa\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A indexa\u00e7\u00e3o cambial depende de cl\u00e1usula expressa no contrato e de anu\u00eancia pr\u00e9via do Bacen.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O pr\u00f3prio art. 6\u00ba da Lei 8.880\/1994 prev\u00ea exce\u00e7\u00f5es, como contratos com capta\u00e7\u00e3o de recursos do exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Quarta Turma reconheceu a validade por se enquadrar na exce\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. As resolu\u00e7\u00f5es do CMN t\u00eam status de lei complementar pela recep\u00e7\u00e3o da Lei 4.595\/1964.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A exce\u00e7\u00e3o legal abrange os contratos de repasse de recursos captados no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o se exige anu\u00eancia pr\u00e9via do Bacen; basta o enquadramento na exce\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Cl\u00e1usula de paridade cambial \u2013 BNDES<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Art. 6\u00ba, Lei 8.880\/1994: veda\u00e7\u00e3o com exce\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Repasse de recursos externos: exce\u00e7\u00e3o legal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Resolu\u00e7\u00e3o CMN 63\/1967: fundamento normativo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro da opera\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd CMN\/Bacen: status de lei complementar<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-5\"><span id=\"inteiro-teor-7\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia restringe-se \u00e0 validade da cl\u00e1usula contratual que prev\u00ea a atualiza\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito pela &#8220;m\u00e9dia ponderada das corre\u00e7\u00f5es cambiais&#8221;, questionada pela autora sob o argumento de que implicaria vincula\u00e7\u00e3o \u00e0 varia\u00e7\u00e3o de moeda estrangeira, vedada pelo art. 6\u00ba da Lei n. 8.880\/1994.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Lei n. 8.880\/1994 assim disp\u00f5e: &#8220;Art. 6\u00ba &#8211; \u00c9 nula de pleno direito a contrata\u00e7\u00e3o de reajuste vinculado \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial, exceto quando expressamente autorizado por lei federal e nos contratos de arrendamento mercantil celebrados entre pessoas residentes e domiciliadas no Pa\u00eds, com base em capta\u00e7\u00e3o de recursos provenientes do exterior.&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a possui entendimento firmado na vertente de que, ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o da Lei n. 8.880\/1994, n\u00e3o \u00e9 mais permitida a utiliza\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o da cota\u00e7\u00e3o de moeda estrangeira (como o d\u00f3lar) a t\u00edtulo de corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria de contrato, com exce\u00e7\u00e3o: (i) \u00e0s hip\u00f3teses previstas no art. 2\u00ba do Decreto-Lei n. 857\/1969; (ii) \u00e0 hip\u00f3tese de arrendamento mercantil (leasing); ou (iii) na hip\u00f3tese de haver expressa autoriza\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, n\u00e3o se enquadrando em quaisquer das exce\u00e7\u00f5es, revelar-se-ia nula de pleno direito a cl\u00e1usula contratual de reajuste atrelada \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial (art. 6\u00ba da Lei n. 8.880\/1994).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ocorre que, no caso, os recursos foram liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) e captados no exterior. Nesse contexto, imp\u00f5e-se a inclus\u00e3o de cl\u00e1usula de paridade cambial nos contratos de repasse de recursos externos celebrados com fundamento na Resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional n. 63\/1967, bem como em todas as posteriores que passaram a reger a mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, a atividade normativa do Banco Central do Brasil, antecedida de delibera\u00e7\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional, decorre de delega\u00e7\u00e3o prevista em lei recepcionada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal como lei complementar, inserindo-se, portanto, nas exce\u00e7\u00f5es do art. 6\u00ba da Lei n. 8.880\/1994 (&#8220;expressa autoriza\u00e7\u00e3o por lei federal&#8221;).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-prazo-de-patente-impossibilidade-de-prorrogacao-casuistica-apos-adi-5529-stf\"><span id=\"8-prazo-de-patente-impossibilidade-de-prorrogacao-casuistica-apos-adi-5529-stf\">8. Prazo de patente \u2013 impossibilidade de prorroga\u00e7\u00e3o casu\u00edstica ap\u00f3s ADI 5529\/STF<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na aus\u00eancia de lei estabelecendo crit\u00e9rios objetivos, <strong>n\u00e3o cabe an\u00e1lise casu\u00edstica de pedido de extens\u00e3o do prazo da patente<\/strong> com base na alega\u00e7\u00e3o de mora do INPI, conforme decidido pelo STF na ADI 5529\/DF.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 2.240.025-DF, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 16\/12\/2025.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3oson &amp; Jo\u00e3oson Pharma S.A., detentora de patentes de medicamentos, ajuizou a\u00e7\u00e3o contra o INPI alegando que a demora desproporcional na an\u00e1lise de seus pedidos de patente lhe causou preju\u00edzo. Pediu que o Judici\u00e1rio fixasse prorroga\u00e7\u00e3o individualizada do prazo de prote\u00e7\u00e3o, analisando caso a caso o tempo de atraso do INPI. Sustentou que a ADI 5529\/DF, que declarou inconstitucional o par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da Lei 9.279\/1996, n\u00e3o impedia a an\u00e1lise judicial casu\u00edstica da mora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 9.279\/1996, art. 40, par\u00e1grafo \u00fanico<\/strong><em> (prazo de patente e prorroga\u00e7\u00e3o \u2013 declarado inconstitucional).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ADI 5529\/DF (STF)<\/strong><em> (inconstitucionalidade da prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica de patentes).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Rcl 53.181\/DF (STF)<\/strong><em> (interpreta\u00e7\u00e3o do alcance da ADI 5529).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A ADI 5529\/DF declarou inconstitucional o dispositivo que permitia a prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do prazo de patente em caso de atraso do INPI, <strong>vedando a extens\u00e3o do monop\u00f3lio<\/strong> sem crit\u00e9rios legais objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A tentativa de distinguishing (afastar a prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica mas admitir a casu\u00edstica) foi rejeitada, pois o STF vedou a extens\u00e3o de patentes por mora do INPI em <strong>todas as modalidades<\/strong>, na aus\u00eancia de lei.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da Lei 9.279\/1996 pela ADI 5529\/DF <strong>n\u00e3o deixou margem para an\u00e1lise casu\u00edstica da mora do INPI<\/strong>. O STF entendeu que a prorroga\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio patent\u00e1rio, em qualquer modalidade, depende de lei que estabele\u00e7a crit\u00e9rios objetivos \u2013 e essa lei n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A tentativa de distinguishing das recorrentes \u2013 argumentando que a ADI vedou a prorroga\u00e7\u00e3o &#8216;autom\u00e1tica&#8217;, mas n\u00e3o a &#8216;judicial individualizada&#8217; \u2013 foi <strong>expressamente recha\u00e7ada pela Rcl 53.181\/DF<\/strong>, em que o Min. Dias Toffoli esclareceu que o entendimento do STF abrange todas as formas de extens\u00e3o do prazo patent\u00e1rio por mora administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A prote\u00e7\u00e3o patent\u00e1ria \u00e9 exce\u00e7\u00e3o constitucional \u00e0 livre concorr\u00eancia, constituindo <strong>monop\u00f3lio tempor\u00e1rio com prazo definido em lei<\/strong>. Sua extens\u00e3o, por qualquer mecanismo, requer base legal expressa com crit\u00e9rios objetivos, sob pena de prolongar indefinidamente restri\u00e7\u00f5es \u00e0 concorr\u00eancia e ao acesso a medicamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f Permitir ao Judici\u00e1rio fixar prorroga\u00e7\u00f5es caso a caso, sem par\u00e2metros legais, <strong>criaria inseguran\u00e7a jur\u00eddica e tratamento desigual entre titulares de patentes<\/strong>. Cada ju\u00edzo poderia adotar crit\u00e9rios diferentes, gerando assimetria no mercado e comprometendo a previsibilidade que o sistema de patentes exige.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao prazo de prote\u00e7\u00e3o de patentes e a mora do INPI, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) Ap\u00f3s a ADI 5529\/DF, n\u00e3o cabe a prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de patente com base na mora do INPI, seja autom\u00e1tica ou mediante an\u00e1lise casu\u00edstica, na aus\u00eancia de lei com crit\u00e9rios objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A ADI 5529\/DF vedou a prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, mas admitiu a an\u00e1lise judicial individualizada da mora do INPI.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A prorroga\u00e7\u00e3o do prazo de patente por mora do INPI depende de regulamenta\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria autarquia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O Judici\u00e1rio pode fixar prorroga\u00e7\u00e3o individualizada do prazo de patente com base no princ\u00edpio da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A declara\u00e7\u00e3o de inconstitucionalidade do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da Lei 9.279\/1996 produz efeitos ex nunc, preservando patentes j\u00e1 prorrogadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A Quarta Turma seguiu a interpreta\u00e7\u00e3o do STF que veda a extens\u00e3o do prazo patent\u00e1rio sem lei espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Rcl 53.181\/DF esclareceu que o STF vedou todas as formas de extens\u00e3o por mora.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de regulamenta\u00e7\u00e3o pela autarquia; \u00e9 necess\u00e1ria lei em sentido formal.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O princ\u00edpio da razo\u00e1vel dura\u00e7\u00e3o do processo n\u00e3o fundamenta a extens\u00e3o de monop\u00f3lio patent\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A ADI 5529\/DF produziu efeitos ex tunc com modula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, mas n\u00e3o preservou prorroga\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Prazo de patente \u2013 ADI 5529\/DF<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40, Lei 9.279\/1996: inconstitucional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Veda\u00e7\u00e3o abrange prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica e casu\u00edstica<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Necessidade de lei com crit\u00e9rios objetivos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Patente: monop\u00f3lio tempor\u00e1rio \u2013 exce\u00e7\u00e3o \u00e0 livre concorr\u00eancia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Rcl 53.181\/DF: refor\u00e7a alcance da ADI<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-6\"><span id=\"inteiro-teor-8\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na origem, trata-se de a\u00e7\u00e3o ajuizada por detentoras de patentes de determinados medicamentos contra o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), requerendo que fosse declarada a mora desproporcional e injustificada da autarquia na tramita\u00e7\u00e3o dos processos administrativos que culminaram na concess\u00e3o das referidas patentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto \u00e0 alega\u00e7\u00e3o, ressalta-se que, no julgamento da ADI 5529\/DF, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do par\u00e1grafo \u00fanico do art. 40 da Lei n. 9.279\/1996, que previa o direito de prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do prazo de vig\u00eancia das patentes, permitindo que superasse os vinte ou quinze anos contados do dep\u00f3sito previstos no caput do mesmo dispositivo, em caso de demora excessiva na an\u00e1lise do processo administrativo pelo INPI.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No presente caso, as recorrentes pretendem que seja feita distin\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao que foi decidido na ADI 5529\/DF. O seu interesse \u00e9 que, afastado o direito \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, o Judici\u00e1rio possa, em cada caso, fazer ajuste casu\u00edstico do prazo de validade das patentes, para compensar o atraso do INPI na an\u00e1lise de seus processos administrativos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, depreende-se da decis\u00e3o proferida pelo Ministro Dias Toffoli na Rcl 53181\/DF, em que tamb\u00e9m se discutia o suposto desrespeito \u00e0 efic\u00e1cia do julgado na ADI 5529\/DF, que o entendimento do Supremo \u00e9 no sentido da impossibilidade de extens\u00e3o do prazo de dura\u00e7\u00e3o das patentes sob o fundamento de demora na an\u00e1lise do pedido administrativo pelo INPI. Ademais, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas quanto ao entendimento do STF no sentido da necessidade de crit\u00e9rios objetivos previstos em lei para que seja autorizada uma an\u00e1lise casu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, na aus\u00eancia de lei estabelecendo crit\u00e9rios objetivos para eventual prorroga\u00e7\u00e3o do prazo da patente, n\u00e3o cabe a pretendida an\u00e1lise casu\u00edstica do pedido de extens\u00e3o, com base na mera alega\u00e7\u00e3o de mora administrativa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-pale-pink-background-color has-background\" id=\"h-faca-seu-download-1\"><span id=\"faca-seu-download-3\">Fa\u00e7a seu download<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02194322\/stj_info_876.pdf\" target=\"_blank\" >Download do PDF<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-plano-de-saude-inexigibilidade-de-cobertura-de-canabidiol-de-uso-domiciliar\"><span id=\"9-plano-de-saude-inexigibilidade-de-cobertura-de-canabidiol-de-uso-domiciliar\">9. Plano de sa\u00fade \u2013 inexigibilidade de cobertura de canabidiol de uso domiciliar<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O plano de sa\u00fade <strong>n\u00e3o \u00e9 obrigado ao custeio de medicamento de uso domiciliar \u00e0 base de canabidiol<\/strong> e n\u00e3o registrado pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Raul Ara\u00fajo, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dona Crementina, 78 anos, portadora de dem\u00eancia vascular com agita\u00e7\u00e3o psicomotora grave, iniciou tratamento com canabidiol importado por autoriza\u00e7\u00e3o da Anvisa. O medicamento era autoadministrado em casa, sem necessidade de profissional de sa\u00fade. Seus filhos ajuizaram a\u00e7\u00e3o para compelir o plano de sa\u00fade a custear o f\u00e1rmaco, alegando que a autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o pela Anvisa equivaleria a registro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Tema 990\/STJ<\/strong><em> (recusa de custeio de medicamento n\u00e3o registrado na Anvisa).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 6.360\/1976, arts. 12 e 66<\/strong><em> (registro de medicamentos).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>RN ANS 465\/2021<\/strong><em> (rol de cobertura obrigat\u00f3ria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o pela Anvisa para uso pessoal <strong>n\u00e3o substitui o registro formal<\/strong> do medicamento, que exige an\u00e1lise t\u00e9cnica de seguran\u00e7a, efic\u00e1cia e qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O STJ realiza <strong>distinguishing<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o ao Tema 990 quando h\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o pela Anvisa, mas mant\u00e9m a exclus\u00e3o para medicamentos de <strong>uso domiciliar<\/strong> n\u00e3o registrados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O Tema 990\/STJ firmou que \u00e9 l\u00edcita a recusa de cobertura de medicamento n\u00e3o registrado na Anvisa. O STJ tem realizado <strong>distinguishing nas hip\u00f3teses de medicamento com importa\u00e7\u00e3o autorizada<\/strong>, especialmente canabidiol, reconhecendo situa\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria. Contudo, mesmo nesse distinguishing, a obriga\u00e7\u00e3o de custeio n\u00e3o se estende a medicamentos de uso domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o concedida pela Anvisa para uso pessoal, mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, constitui medida <strong>que n\u00e3o substitui o registro formal<\/strong>. O registro exige comprova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de seguran\u00e7a, efic\u00e1cia e qualidade em escala populacional, enquanto a autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o atende a situa\u00e7\u00e3o individual espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O medicamento em quest\u00e3o \u00e9 de <strong>uso domiciliar e autoadministrado<\/strong>, sem necessidade de interven\u00e7\u00e3o de profissional de sa\u00fade. Nessa categoria, a exclus\u00e3o de cobertura pela operadora \u00e9 l\u00edcita na Sa\u00fade Suplementar, pois o rol da ANS n\u00e3o prev\u00ea cobertura obrigat\u00f3ria para medicamentos de uso domiciliar, exceto antineopl\u00e1sicos orais e medicamentos para controle de efeitos adversos de quimioterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A conjuga\u00e7\u00e3o de dois fatores \u2013 <strong>aus\u00eancia de registro na Anvisa e uso domiciliar<\/strong> \u2013 afasta a obrigatoriedade de custeio pelo plano de sa\u00fade. A mera prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, embora suficiente para a importa\u00e7\u00e3o individual autorizada pela Anvisa, n\u00e3o imp\u00f5e \u00e0 operadora o dever de arcar com o custo do tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a cobertura de medicamentos \u00e0 base de canabidiol pelos planos de sa\u00fade, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o pela Anvisa equivale ao registro formal do medicamento para fins de cobertura pelo plano.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O plano de sa\u00fade \u00e9 obrigado a custear canabidiol de uso domiciliar quando h\u00e1 prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de per si obriga o plano de sa\u00fade a cobrir medicamento, ainda que n\u00e3o registrado na Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O medicamento de uso hospitalar e n\u00e3o registrado na Anvisa pode ter sua cobertura legitimamente recusada pelo plano de sa\u00fade, ainda que haja autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) O plano n\u00e3o \u00e9 obrigado ao custeio de canabidiol de uso domiciliar, se n\u00e3o registrado pela Anvisa, ainda que haja autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. Autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o e registro s\u00e3o institutos distintos com requisitos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica autoriza a importa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o imp\u00f5e custeio pelo plano para medicamentos domiciliares.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A obriga\u00e7\u00e3o de cobertura depende de registro ou enquadramento em exce\u00e7\u00e3o prevista no rol da ANS.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A assertiva n\u00e3o contempla a conjuga\u00e7\u00e3o dos dois fatores (aus\u00eancia de registro + uso domiciliar) exigida pelo STJ.<\/p>\n\n\n\n<p>E) <strong>Correta.<\/strong> A Quarta Turma manteve a exclus\u00e3o de cobertura por conjugar aus\u00eancia de registro e uso domiciliar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Plano de sa\u00fade \u2013 canabidiol \u2013 uso domiciliar<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tema 990\/STJ: recusa l\u00edcita para n\u00e3o registrado na Anvisa<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Autoriza\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o \u2260 registro formal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Uso domiciliar: exclus\u00e3o de cobertura leg\u00edtima<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Exce\u00e7\u00f5es: antineopl\u00e1sicos orais e quimioterapia<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica \u2260 obriga\u00e7\u00e3o de custeio<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-7\"><span id=\"inteiro-teor-9\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cinge-se a controv\u00e9rsia a definir se o plano de sa\u00fade deve custear medicamento \u00e0 base de canabidiol, n\u00e3o registrado pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria &#8211; Anvisa e de uso domiciliar, destinado ao tratamento de benefici\u00e1ria que enfrenta problemas de sa\u00fade agravados por acidente vascular cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na hip\u00f3tese em an\u00e1lise, reconhece-se a orienta\u00e7\u00e3o firmada no REsp 1.726.563\/SP &#8211; Tema 990\/STJ -, julgado sob a sistem\u00e1tica dos recursos repetitivos, segundo a qual \u00e9 l\u00edcita a recusa de custeio de medicamento n\u00e3o registrado pela Anvisa.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Superior Tribunal de Justi\u00e7a tem realizado o distinguishing nas hip\u00f3teses de medicamento desprovido de registro cuja importa\u00e7\u00e3o tenha sido autorizada pela Anvisa, a exemplo de f\u00e1rmaco \u00e0 base de canabidiol.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consignou-se que a autoriza\u00e7\u00e3o concedida pela Anvisa para importa\u00e7\u00e3o do medicamento destinado a uso pr\u00f3prio do paciente, mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, constitui medida que, conquanto n\u00e3o substitua o devido registro, evidencia a seguran\u00e7a sanit\u00e1ria do f\u00e1rmaco, porquanto pressup\u00f5e a an\u00e1lise da Ag\u00eancia Reguladora quanto \u00e0 sua seguran\u00e7a e efic\u00e1cia, al\u00e9m de afastar a tipicidade das condutas previstas no art. 10, IV, da Lei n. 6.437\/1977, bem como no art. 12 c\/c o art. 66 da Lei n. 6.360\/1976.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contudo, no caso em an\u00e1lise, o f\u00e1rmaco postulado destina-se \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o domiciliar. Nesse contexto, conforme o atual entendimento do STJ, \u00e9 l\u00edcita a exclus\u00e3o, na Sa\u00fade Suplementar, do fornecimento de medicamentos para tratamento domiciliar, isto \u00e9, aqueles prescritos pelo m\u00e9dico assistente para administra\u00e7\u00e3o em ambiente externo ao de unidade de sa\u00fade, salvo os antineopl\u00e1sicos orais (e correlacionados), a medica\u00e7\u00e3o assistida (home care) e os inclu\u00eddos no rol da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar &#8211; (ANS) para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, reitera-se que o Tribunal de origem esclareceu que a paciente \u00e9 portadora de dem\u00eancia vascular, com altera\u00e7\u00e3o comportamental grave e agita\u00e7\u00e3o psicomotora, tendo iniciado tratamento com canabidiol.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O referido medicamento n\u00e3o se classifica como antineopl\u00e1sico e \u00e9 autoadministrado pela benefici\u00e1ria em sua resid\u00eancia, n\u00e3o demandando, portanto, a interven\u00e7\u00e3o de profissional de sa\u00fade habilitado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ressalta-se, ademais, que o medicamento n\u00e3o consta do rol estabelecido pela Resolu\u00e7\u00e3o Normativa ANS n. 465\/2021 como de cobertura obrigat\u00f3ria para o tratamento da condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em quest\u00e3o, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o se configura abusiva a recusa da operadora em custear sua cobertura.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, sendo o medicamento de uso domiciliar e n\u00e3o sendo uma das hip\u00f3teses de exce\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em obrigatoriedade de custeio por parte do plano de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STJ - Edi\u00e7\u00e3o 876\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YVC_nyysFho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-liberdade-de-precificacao-venda-a-vista-e-a-prazo-pelo-mesmo-valor\"><span id=\"10-liberdade-de-precificacao-venda-a-vista-e-a-prazo-pelo-mesmo-valor\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Liberdade de precifica\u00e7\u00e3o \u2013 venda \u00e0 vista e a prazo pelo mesmo valor<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de precifica\u00e7\u00e3o, como express\u00e3o da autonomia privada e da livre iniciativa, <strong>permite ao fornecedor manter o mesmo pre\u00e7o para vendas \u00e0 vista e a prazo<\/strong>, desde que respeitados os deveres de informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>REsp 1.876.423-SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Geremias, consumidor atento, notou que a loja de eletrodom\u00e9sticos Feir\u00e3o do J\u00e3oJ\u00e3o vendia uma geladeira por R$ 3.000 tanto \u00e0 vista quanto em 12 parcelas de R$ 250 &#8216;sem juros&#8217;. Geremias registrou reclama\u00e7\u00e3o no Procon alegando publicidade enganosa: para ele, era imposs\u00edvel vender a prazo pelo mesmo pre\u00e7o sem embutir juros, o que configuraria viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o do CDC. O Minist\u00e9rio P\u00fablico tamb\u00e9m ajuizou a\u00e7\u00e3o coletiva contra Feir\u00e3o do J\u00e3oJ\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CF, arts. 1\u00ba, IV, e 170<\/strong><em> (livre iniciativa e ordem econ\u00f4mica).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 6\u00ba, III<\/strong><em> (direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CDC, art. 52<\/strong><em> (informa\u00e7\u00f5es sobre opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Lei n. 13.455\/2017<\/strong><em> (diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os conforme prazo ou meio de pagamento).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A Lei 13.455\/2017 autoriza a diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os conforme o prazo, mas <strong>n\u00e3o <u>obriga<\/u> o fornecedor a diferenciar<\/strong>. A op\u00e7\u00e3o por pre\u00e7o \u00fanico \u00e9 express\u00e3o leg\u00edtima da autonomia empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A aus\u00eancia de diferencia\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7o \u00e0 vista e a prazo <strong>n\u00e3o configura publicidade enganosa<\/strong>, desde que n\u00e3o haja cobran\u00e7a oculta de encargos e que a informa\u00e7\u00e3o ao consumidor seja clara e transparente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A liberdade econ\u00f4mica (CF, arts. 1\u00ba, IV, e 170) assegura ao fornecedor <strong>autonomia para definir sua pol\u00edtica de pre\u00e7os<\/strong>, incluindo a decis\u00e3o de n\u00e3o diferenciar pre\u00e7os entre vendas \u00e0 vista e a prazo. Essa escolha empresarial pode decorrer de estrat\u00e9gia comercial, absor\u00e7\u00e3o do custo financeiro ou composi\u00e7\u00e3o da margem de lucro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A Lei 13.455\/2017 <strong>autoriza, mas n\u00e3o obriga, a diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os<\/strong> conforme o prazo ou instrumento de pagamento. Da facultatividade decorre que a manuten\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00fanico \u00e9 conduta l\u00edcita. O legislador n\u00e3o imp\u00f4s ao fornecedor o dever de repassar ao consumidor o custo financeiro do parcelamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A conduta do fornecedor somente configuraria pr\u00e1tica abusiva se houvesse <strong>cobran\u00e7a oculta de encargos financeiros<\/strong> ou se a informa\u00e7\u00e3o ao consumidor fosse deficiente. No caso, o pre\u00e7o anunciado \u00e9 o pre\u00e7o efetivamente cobrado, sem acr\u00e9scimos ocultos, e a oferta \u00e9 clara quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de pagamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O reconhecimento da liberdade de precifica\u00e7\u00e3o como express\u00e3o leg\u00edtima da autonomia privada <strong>equilibra a prote\u00e7\u00e3o do consumidor com o princ\u00edpio da livre iniciativa<\/strong>. O CDC protege o consumidor contra pr\u00e1ticas abusivas e informa\u00e7\u00f5es enganosas, mas n\u00e3o substitui a autonomia empresarial na defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os, desde que respeitados os deveres de transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No que toca \u00e0 precifica\u00e7\u00e3o no mercado de consumo, em especial a pr\u00e1tica de vender produtos \u00e0 vista e a prazo pelo mesmo pre\u00e7o, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A manuten\u00e7\u00e3o do mesmo pre\u00e7o para vendas \u00e0 vista e a prazo configura pr\u00e1tica abusiva por embutir juros ocultos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A Lei 13.455\/2017 obriga o fornecedor a conceder desconto para pagamento \u00e0 vista.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A pr\u00e1tica de pre\u00e7o \u00fanico para vendas \u00e0 vista e a prazo \u00e9 l\u00edcita, desde que observados os deveres de informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>D) O fornecedor que n\u00e3o diferencia pre\u00e7os entre modalidades de pagamento viola o art. 52 do CDC.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A defini\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os uniformes entre pagamento \u00e0 vista e a prazo depende de autoriza\u00e7\u00e3o do Procon.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00fanico insere-se na autonomia empresarial e n\u00e3o implica juros ocultos.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. A Lei 13.455\/2017 autoriza, mas n\u00e3o obriga a diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>C) <strong>Correta.<\/strong> A Quarta Turma reconheceu a legitimidade da pr\u00e1tica no exerc\u00edcio da livre iniciativa.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. O art. 52 do CDC trata de informa\u00e7\u00f5es em opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, n\u00e3o de pol\u00edtica de precifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o se exige autoriza\u00e7\u00e3o administrativa para defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Liberdade de precifica\u00e7\u00e3o \u2013 pre\u00e7o \u00fanico<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Livre iniciativa e autonomia privada (CF, arts. 1\u00ba, IV, e 170)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Lei 13.455\/2017: faculta, n\u00e3o obriga, diferencia\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Aus\u00eancia de cobran\u00e7a oculta de encargos<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Dever de informa\u00e7\u00e3o e transpar\u00eancia (CDC)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Prote\u00e7\u00e3o do consumidor \u2260 substitui\u00e7\u00e3o da autonomia empresarial<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-8\"><span id=\"inteiro-teor-10\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se a pr\u00e1tica comercial de vender produtos a prazo &#8220;sem juros&#8221;, com pre\u00e7o id\u00eantico ao da venda \u00e0 vista, configura publicidade enganosa e viola\u00e7\u00e3o ao dever de informar, nos termos do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor &#8211; CDC (art. 6\u00ba, III; art. 31; art. 37, \u00a7 1\u00ba; e art. 52), de modo a configurar abusividade na conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No ponto, a liberdade econ\u00f4mica, consagrada constitucionalmente nos arts. 1\u00ba, IV, e 170 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, assegura, ao fornecedor, a autonomia para definir sua pol\u00edtica de pre\u00e7os, desde que respeitados os limites legais e contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por sua vez, a Lei n. 13.455\/2017 autoriza a diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os conforme o prazo ou o instrumento de pagamento utilizado, mas n\u00e3o imp\u00f5e a obrigatoriedade de repasse de encargos financeiros ao consumidor final.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assim, a fixa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o \u00fanico, ainda que aplic\u00e1vel indistintamente a vendas \u00e0 vista ou parceladas, insere-se no \u00e2mbito da autonomia privada do fornecedor e na livre iniciativa de organiza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica comercial, n\u00e3o configurando, por si s\u00f3, viola\u00e7\u00e3o ao dever de informa\u00e7\u00e3o ou pr\u00e1tica abusiva \u00e0 luz do CDC, devendo ser preservada, portanto, a liberdade de precifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aus\u00eancia de diferencia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os entre as modalidades \u00e0 vista e a prazo n\u00e3o configura publicidade enganosa ou pr\u00e1tica abusiva, desde que n\u00e3o haja cobran\u00e7a oculta de encargos financeiros e que a oferta seja clara e transparente. Tal pr\u00e1tica, inclusive, mostra-se ben\u00e9fica ao consumidor, pois facilita o acesso ao produto\/servi\u00e7o, ao lhe permitir a aquisi\u00e7\u00e3o do bem sem qualquer acr\u00e9scimo no custo final da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, a defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de precifica\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os permite ao vendedor estabelecer o pre\u00e7o a ser cobrado pelo produto\/servi\u00e7o oferecido ao consumidor, conforme crit\u00e9rios pr\u00f3prios do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, o reconhecimento da liberdade de precifica\u00e7\u00e3o como express\u00e3o leg\u00edtima da autonomia privada, sobretudo a possibilidade de escolher o valor atribu\u00eddo aos bens e servi\u00e7os ofertados, representa manifesta\u00e7\u00e3o concreta da liberdade econ\u00f4mica e da livre iniciativa, devendo ser preservada quando n\u00e3o se evidenciar les\u00e3o \u00e0 boa-f\u00e9 ou omiss\u00e3o quanto ao dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-pornografia-infantil-valoracao-negativa-da-culpabilidade-e-non-bis-in-idem\"><span id=\"11-pornografia-infantil-valoracao-negativa-da-culpabilidade-e-non-bis-in-idem\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pornografia infantil \u2013 valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade e non bis in idem<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No crime do art. 240 do ECA, a produ\u00e7\u00e3o clandestina de pornografia infantil no ambiente dom\u00e9stico, com viola\u00e7\u00e3o da intimidade da v\u00edtima por pessoa de confian\u00e7a, <strong>justifica a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade<\/strong> sem configurar bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>AREsp 3.032.889-SP, Rel. Ministra Maria Marluce Caldas, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Creosvaldo produziu clandestinamente v\u00eddeos pornogr\u00e1ficos envolvendo crian\u00e7a de idade reduzida que vivia em sua resid\u00eancia, filmando-a em momentos de vulnerabilidade sem seu conhecimento (banho). Condenado pelos arts. 240 e 241-A do ECA, a defesa alegou que a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade na dosimetria configuraria bis in idem, pois a idade da v\u00edtima e o ambiente dom\u00e9stico j\u00e1 seriam elementares dos respectivos tipos penais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ECA, art. 240, \u00a7 2\u00ba, II<\/strong><em> (produ\u00e7\u00e3o de pornografia infantil).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>ECA, art. 241-A<\/strong><em> (disponibiliza\u00e7\u00e3o de pornografia infantil).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 59<\/strong><em> (circunst\u00e2ncias judiciais na dosimetria).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A culpabilidade do art. 59 do CP refere-se ao <strong>grau de reprovabilidade<\/strong> da conduta nas circunst\u00e2ncias concretas, n\u00e3o se confundindo com os elementos constitutivos do tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Circunst\u00e2ncias como a idade especialmente reduzida da v\u00edtima dentro da faixa et\u00e1ria t\u00edpica (crian\u00e7a pr\u00e9-adolescente vs. crian\u00e7a de tenra idade) e a produ\u00e7\u00e3o furtiva em ambiente dom\u00e9stico revelam <strong>maior censurabilidade<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 Os tipos dos arts. 240 e 241-A do ECA descrevem condutas gen\u00e9ricas envolvendo &#8216;crian\u00e7a ou adolescente&#8217;. Dentro dessa faixa et\u00e1ria, por\u00e9m, <strong>a idade <u>especialmente reduzida<\/u> da v\u00edtima revela maior desvalor da conduta<\/strong>, pois o impacto sobre crian\u00e7a de tenra idade \u00e9 substancialmente mais grave do que sobre adolescente pr\u00f3ximo \u00e0 maioridade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O contexto global da conduta \u2013 filmagens <strong>realizadas de forma furtiva no ambiente dom\u00e9stico, por pessoa da confian\u00e7a da v\u00edtima<\/strong> \u2013 demonstra reprovabilidade acentuada que transcende os elementos t\u00edpicos. O tipo penal n\u00e3o exige que a produ\u00e7\u00e3o seja dom\u00e9stica ou clandestina; quando isso ocorre, revela trai\u00e7\u00e3o \u00e0 confian\u00e7a e viola\u00e7\u00e3o da intimidade que agravam a censura.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A culpabilidade, na acep\u00e7\u00e3o do art. 59 do CP, permite ao julgador avaliar <strong>circunst\u00e2ncias que, embora compat\u00edveis com o tipo, revelam especial reprovabilidade<\/strong>. A valora\u00e7\u00e3o negativa considera o conjunto concreto dos fatos, n\u00e3o a mera reitera\u00e7\u00e3o de elementares. No caso, n\u00e3o se puniu &#8216;por ser crian\u00e7a&#8217; (elementar), mas pelo grau de vulnerabilidade e pela forma especialmente insidiosa da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f N\u00e3o se verifica bis in idem quando o julgador <strong>identifica circunst\u00e2ncias espec\u00edficas que, dentro da moldura t\u00edpica, revelam grada\u00e7\u00e3o diferenciada de censura<\/strong>. O tipo penal prev\u00ea conduta gen\u00e9rica; a dosimetria individualiza a pena conforme as particularidades do caso concreto, em estrita observ\u00e2ncia ao princ\u00edpio da individualiza\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a dosimetria nos crimes de pornografia infantil do ECA, assinale a alternativa correta:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A idade da v\u00edtima, por ser elementar do tipo penal do art. 240 do ECA, n\u00e3o pode ser considerada na dosimetria sob pena de bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>B) A valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade \u00e9 leg\u00edtima quando a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 dom\u00e9stica e furtiva, com viola\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O ambiente dom\u00e9stico \u00e9 elementar do tipo do art. 240 do ECA e n\u00e3o pode ser valorado na dosimetria.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade \u00e9 de rigor quando as circunst\u00e2ncias concretas n\u00e3o assoalham especial reprovabilidade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>A culpabilidade do art. 59 do CP e os elementos do tipo penal possuem id\u00eantico conte\u00fado, impedindo dupla valora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A produ\u00e7\u00e3o clandestina de pornografia infantil constitui causa de aumento de pena prevista no ECA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. A idade reduzida dentro da faixa et\u00e1ria t\u00edpica constitui circunst\u00e2ncia concreta de maior reprovabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) <strong>Correta.<\/strong> A Quinta Turma reconheceu que essas circunst\u00e2ncias transcendem as elementares do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. O tipo n\u00e3o exige produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica; quando ocorre, revela circunst\u00e2ncia agravante da culpabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. A culpabilidade do art. 59 refere-se ao grau de reprova\u00e7\u00e3o logo, a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade \u00e9 leg\u00edtima quando circunst\u00e2ncias concretas, como a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e furtiva com viola\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a, assoalham (<em>revelam<\/em>) especial reprovabilidade da conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 causa de aumento espec\u00edfica para produ\u00e7\u00e3o clandestina; trata-se de circunst\u00e2ncia judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Pornografia infantil \u2013 dosimetria \u2013 culpabilidade<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Culpabilidade (art. 59\/CP) \u2260 elementares do tipo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Idade especialmente reduzida: maior desvalor<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e furtiva: viola\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Individualiza\u00e7\u00e3o da pena: circunst\u00e2ncias concretas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Sem bis in idem: grada\u00e7\u00e3o dentro da moldura t\u00edpica<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-9\"><span id=\"inteiro-teor-11\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em definir se a valora\u00e7\u00e3o negativa da culpabilidade nos tipos penais dos artigos 240 e 241-A do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente violou o princ\u00edpio do non bis in idem.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A culpabilidade, na acep\u00e7\u00e3o do art. 59 do C\u00f3digo Penal, n\u00e3o se confunde com os elementos constitutivos do tipo. Refere-se ao grau de reprovabilidade da conduta \u00e0 luz das circunst\u00e2ncias concretas. Embora qualquer pornografia infantil mere\u00e7a reprova\u00e7\u00e3o, a intensidade dessa reprova\u00e7\u00e3o varia conforme a idade das v\u00edtimas, a natureza dos atos retratados e as circunst\u00e2ncias de produ\u00e7\u00e3o ou difus\u00e3o do material.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quanto ao crime do art. 241-A do ECA, o tipo penal efetivamente descreve conduta gen\u00e9rica de oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir ou publicar pornografia envolvendo &#8220;crian\u00e7a ou adolescente&#8221;. A amplitude dessa formula\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o impede que o julgador, ao analisar a culpabilidade, considere a gravidade concreta revelada pelo conte\u00fado espec\u00edfico do material compartilhado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, a per\u00edcia identificou material envolvendo sexo expl\u00edcito com crian\u00e7as de idade bastante reduzida. Esse elemento n\u00e3o constitui simples reitera\u00e7\u00e3o da elementar &#8220;crian\u00e7a&#8221;, mas circunst\u00e2ncia concreta que revela maior desvalor da conduta dentro do amplo espectro de condutas abrangidas pelo tipo. Reconhecer essa grada\u00e7\u00e3o n\u00e3o implica punir duas vezes pelo mesmo fato, mas adequar a resposta penal \u00e0 gravidade espec\u00edfica revelada pela prova.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Relativamente ao crime do art. 240 do ECA, a fundamenta\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a n\u00e3o valorou isoladamente a idade de 11 anos ou o n\u00famero de v\u00eddeos produzidos. Considerou o contexto global da conduta: filmagens clandestinas realizadas no ambiente dom\u00e9stico, com viola\u00e7\u00e3o da intimidade da v\u00edtima durante ato fisiol\u00f3gico, por pessoa que se aproveitou da rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a e coabita\u00e7\u00e3o. Esse conjunto de circunst\u00e2ncias revela culpabilidade acentuada, que transcende a simples adequa\u00e7\u00e3o t\u00edpica.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; De fato, a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e furtiva de pornografia infantil, envolvendo crian\u00e7a pr\u00e9-adolescente filmada em momento de vulnerabilidade por pessoa que deveria zelar por sua prote\u00e7\u00e3o, justifica a conclus\u00e3o de que a culpabilidade superou o padr\u00e3o ordin\u00e1rio do tipo penal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Portanto, n\u00e3o se verifica utiliza\u00e7\u00e3o de elementos inerentes ao tipo para fundamentar a exaspera\u00e7\u00e3o, pois o julgador considerou circunst\u00e2ncias espec\u00edficas que, dentro da moldura t\u00edpica, revelaram maior gravidade concreta da conduta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-pale-pink-background-color has-background\" id=\"h-faca-seu-download-2\"><span id=\"faca-seu-download-4\">Fa\u00e7a seu download<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02194322\/stj_info_876.pdf\" target=\"_blank\" >Download do PDF<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-correicao-parcial-cabimento-excepcional-em-substituicao-a-apelacao\"><span id=\"12-correicao-parcial-cabimento-excepcional-em-substituicao-a-apelacao\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Correi\u00e7\u00e3o parcial \u2013 cabimento excepcional em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 apela\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A correi\u00e7\u00e3o parcial \u00e9 admiss\u00edvel em <strong>situa\u00e7\u00f5es extremamente excepcionais<\/strong>, quando h\u00e1 evidente invers\u00e3o tumultu\u00e1ria do processo e risco de preju\u00edzo \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sendo censur\u00e1vel o seu manejo pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de justi\u00e7a, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante investiga\u00e7\u00e3o criminal, o MP requereu ao juiz busca e apreens\u00e3o e quebra de sigilo com contradit\u00f3rio diferido (sem ci\u00eancia pr\u00e9via do investigado). O juiz indeferiu as medidas. O MP, em vez de interpor apela\u00e7\u00e3o (art. 593, II, do CPP), manejou correi\u00e7\u00e3o parcial diretamente ao Tribunal, que deferiu as medidas inaudita altera parte. A defesa alegou erro grosseiro na escolha do recurso e nulidade por cerceamento de defesa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 593, II<\/strong><em> (apela\u00e7\u00e3o contra decis\u00f5es definitivas ou com for\u00e7a de definitivas).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CPP, art. 563<\/strong><em> (princ\u00edpio pas de nullit\u00e9 sans grief).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Regimentos internos dos Tribunais<\/strong><em> (previs\u00e3o da correi\u00e7\u00e3o parcial).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A correi\u00e7\u00e3o parcial tem <strong>natureza h\u00edbrida<\/strong> (administrativa\/jurisdicional) e destina-se a corrigir invers\u00e3o tumultu\u00e1ria dos atos processuais, sendo admiss\u00edvel apenas em situa\u00e7\u00f5es excepcionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd O <strong>contradit\u00f3rio diferido<\/strong> \u00e9 admiss\u00edvel em medidas cautelares penais quando a ci\u00eancia pr\u00e9via do investigado puder frustrar a efic\u00e1cia da dilig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A correi\u00e7\u00e3o parcial, embora n\u00e3o seja recurso em sentido estrito, \u00e9 instrumento <strong>admiss\u00edvel em situa\u00e7\u00f5es de urg\u00eancia em que a via recursal ordin\u00e1ria se mostra inadequada<\/strong>. No caso, a apela\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria efeito suspensivo e seu tr\u00e2mite regular poderia comprometer irreversivelmente as investiga\u00e7\u00f5es, tornando ineficazes as medidas cautelares requeridas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O contexto de urg\u00eancia e excepcionalidade \u2013 investiga\u00e7\u00e3o criminal em andamento com risco de perecimento de provas \u2013 <strong>autorizou o contradit\u00f3rio diferido<\/strong>, dispensando a intima\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do investigado. Trata-se de hip\u00f3tese reconhecida em mat\u00e9ria processual penal, em que a ci\u00eancia antecipada da parte poderia frustrar a finalidade da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 O manejo da correi\u00e7\u00e3o parcial pelo MP, no caso concreto, <strong>n\u00e3o configurou erro grosseiro<\/strong>, pois a situa\u00e7\u00e3o era embrion\u00e1ria e excepcional. A pr\u00f3pria jurisprud\u00eancia do STJ reconhece a natureza h\u00edbrida do instituto, que pode ser manejado quando h\u00e1 evidente invers\u00e3o tumultu\u00e1ria, especialmente quando a demora na via recursal ordin\u00e1ria comprometeria o resultado \u00fatil do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A aus\u00eancia de preju\u00edzo concreto \u00e0 defesa inviabiliza a declara\u00e7\u00e3o de nulidade, conforme o princ\u00edpio <strong>pas de nullit\u00e9 sans grief (CPP, art. 563)<\/strong>. A defesa alegou cerceamento em abstrato, sem demonstrar dano efetivo decorrente da escolha processual do MP, o que impede o acolhimento da tese de nulidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A respeito da correi\u00e7\u00e3o parcial no processo penal, \u00e9 correto afirmar que:<\/p>\n\n\n\n<p>A) A correi\u00e7\u00e3o parcial \u00e9 cab\u00edvel como suped\u00e2neo recursal nas hip\u00f3teses de indeferimento de medidas cautelares.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O contradit\u00f3rio diferido \u00e9 vedado nas medidas cautelares penais, exigindo-se a ci\u00eancia pr\u00e9via do investigado ou manifesta\u00e7\u00e3o de curador especial em caso de risco de perecimento da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>C) O manejo da correi\u00e7\u00e3o parcial configura erro grosseiro quando cab\u00edvel recurso de apela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Em situa\u00e7\u00f5es excepcionais de urg\u00eancia e invers\u00e3o tumultu\u00e1ria, a correi\u00e7\u00e3o parcial \u00e9 admiss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>E) A correi\u00e7\u00e3o parcial tem natureza administrativa, sem efic\u00e1cia jurisdicional, motivo pela qual n\u00e3o pode ser manejada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) Incorreta. O cabimento \u00e9 excepcional, restrito a situa\u00e7\u00f5es de invers\u00e3o tumultu\u00e1ria e urg\u00eancia, n\u00e3o podendo servir de substitutivo recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O contradit\u00f3rio diferido \u00e9 admiss\u00edvel quando a ci\u00eancia pr\u00e9via puder frustrar a medida cautelar. Curador especial? oO Nah!!<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. Em situa\u00e7\u00f5es excepcionais e urgentes, o manejo da correi\u00e7\u00e3o parcial n\u00e3o \u00e9 censur\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>D) <strong>Correta.<\/strong> A Quinta Turma reconheceu o cabimento excepcional da correi\u00e7\u00e3o parcial no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A correi\u00e7\u00e3o parcial tem natureza h\u00edbrida, com componentes administrativos e jurisdicionais, podendo ser proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Correi\u00e7\u00e3o parcial \u2013 cabimento excepcional<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Natureza h\u00edbrida (administrativa\/jurisdicional)<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Invers\u00e3o tumultu\u00e1ria do processo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Urg\u00eancia: risco de perecimento de provas<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Contradit\u00f3rio diferido admiss\u00edvel<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Pas de nullit\u00e9 sans grief (CPP, art. 563)<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-10\"><span id=\"inteiro-teor-12\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A controv\u00e9rsia consiste em saber se o manejo da correi\u00e7\u00e3o parcial pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, em substitui\u00e7\u00e3o ao recurso de apela\u00e7\u00e3o, previsto no art. 593, II, do C\u00f3digo de Processo Penal, configura erro grosseiro capaz de afastar o princ\u00edpio da fungibilidade recursal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; No caso, o Tribunal de origem entendeu ser cab\u00edvel a interposi\u00e7\u00e3o de correi\u00e7\u00e3o parcial contra decis\u00e3o do ju\u00edzo de primeiro grau que havia indeferido pedido de liminar de busca e apreens\u00e3o, considerando: (i) a urg\u00eancia da medida, cuja demora natural do tr\u00e2mite processual poderia acarretar preju\u00edzo irrepar\u00e1vel \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es; e (ii) a fase incipiente do feito origin\u00e1rio, antes mesmo do estabelecimento de rela\u00e7\u00e3o processual com os suspeitos, com o objetivo de colher elementos iniciais de convic\u00e7\u00e3o relacionados aos crimes sob apura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verifica-se que o caso em an\u00e1lise tratava de situa\u00e7\u00e3o urgente e excepcional, a justificar n\u00e3o apenas o cabimento da correi\u00e7\u00e3o parcial, mas tamb\u00e9m o deferimento da medida cautelar de forma inaudita altera pars.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O contexto de urg\u00eancia autorizou a dispensa de intima\u00e7\u00e3o pr\u00e9via da parte atingida pelas medidas assecurat\u00f3rias, pois se estava diante de hip\u00f3tese que admite o contradit\u00f3rio diferido, indispens\u00e1vel \u00e0 efic\u00e1cia das provid\u00eancias investigativas em momento anterior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o processual entre as partes.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m disso, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se manifestou no sentido de que &#8220;A correi\u00e7\u00e3o parcial \u00e9 esp\u00e9cie de impugna\u00e7\u00e3o de atos judiciais de natureza h\u00edbrida (administrativa\/jurisdicional). Da\u00ed n\u00e3o ser censur\u00e1vel o seu conhecimento em hip\u00f3teses que tais &#8211; \u00e0 luz, ainda, da fungibilidade recursal &#8211; n\u00e3o se afigurando teratologia&#8221; (HC 662.690\/RJ, Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 19\/5\/2022).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dessa forma, tratando-se de situa\u00e7\u00e3o excepcional e embrion\u00e1ria, conforme reconhecido pelo Tribunal de origem, n\u00e3o se verifica erro grosseiro nem ilegalidade no manejo da correi\u00e7\u00e3o parcial pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico, sobretudo diante do risco de preju\u00edzo \u00e0s investiga\u00e7\u00f5es decorrente do indeferimento inicial das medidas assecurat\u00f3rias, circunst\u00e2ncia que configurou invers\u00e3o tumultu\u00e1ria do processo origin\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por fim, n\u00e3o se verifica qualquer preju\u00edzo concreto \u00e0 defesa, o que inviabiliza a declara\u00e7\u00e3o de qualquer nulidade processual, conforme o princ\u00edpio pas de nullit\u00e9 sans grief, inscrito no art. 563 do CPP, j\u00e1 que, dentro da situa\u00e7\u00e3o excepcional de urg\u00eancia e imposi\u00e7\u00e3o de contradit\u00f3rio diferido, ainda permaneceu assegurado o direito da defesa de impugnar, a qualquer tempo, a legalidade das medidas cautelares, inclusive via habeas corpus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-estupro-de-vulneravel-atipicidade-material-por-distinguishing-derrotabilidade-da-norma\"><span id=\"13-estupro-de-vulneravel-atipicidade-material-por-distinguishing-derrotabilidade-da-norma\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estupro de vulner\u00e1vel \u2013 atipicidade material por distinguishing (derrotabilidade da norma)<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Destaque<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando as peculiaridades do caso \u2013 nascimento de filho e constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar \u2013, bem como a aus\u00eancia de efetiva vulnera\u00e7\u00e3o ao bem jur\u00eddico tutelado, \u00e9 poss\u00edvel reconhecer a <strong>atipicidade material da conduta<\/strong> no crime de estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Processo em segredo de Justi\u00e7a, Rel. Ministro Sebasti\u00e3o Reis J\u00fanior, Sexta Turma, por maioria, julgado em 3\/2\/2026.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Caso F\u00e1tico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tib\u00farcio, maior de idade, iniciou relacionamento amoroso com Josefina, que \u00e0 \u00e9poca tinha 14 anos rec\u00e9m-completados. O casal passou a conviver, tiveram um filho e constitu\u00edram n\u00facleo familiar est\u00e1vel. Quando a fam\u00edlia de Josefina descobriu o relacionamento, denunciou Tib\u00farcio por estupro de vulner\u00e1vel (art. 217-A do CP). Josefina e sua m\u00e3e, em ju\u00edzo, declararam que o relacionamento era consensual e que Josefina j\u00e1 tinha 14 anos quando come\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conte\u00fado-Base<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>CP, art. 217-A<\/strong><em> (estupro de vulner\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>REsp 2.015.310\/MG<\/strong><em> (distinguishing em estupro de vulner\u00e1vel).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcce <strong>Teoria da derrotabilidade do enunciado normativo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udcda A tipicidade material exige, al\u00e9m da subsun\u00e7\u00e3o formal ao tipo penal, efetivo <strong>desvalor do resultado<\/strong> e <strong>les\u00e3o ou perigo concreto<\/strong> ao bem jur\u00eddico tutelado pela norma.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd A teoria da derrotabilidade permite <strong>afastar a incid\u00eancia da norma penal<\/strong> quando circunst\u00e2ncias excepcionais demonstram que sua aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica violaria os princ\u00edpios da proporcionalidade e da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Discuss\u00e3o e Entendimento Aplicado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A tipicidade penal n\u00e3o se esgota na subsun\u00e7\u00e3o formal da conduta ao tipo. \u00c9 necess\u00e1rio avaliar o <strong>desvalor do resultado e a efetiva ofensa ao bem jur\u00eddico tutelado<\/strong>. No caso, a v\u00edtima tinha 14 anos (acima do limite de vulnerabilidade absoluta fixado pelo STF em 14 anos), o relacionamento era consensual, e houve constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia com nascimento de filho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f A teoria da derrotabilidade do enunciado normativo permite, em <strong>situa\u00e7\u00f5es excepcionais, afastar a aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da norma penal<\/strong> quando as circunst\u00e2ncias concretas demonstram aus\u00eancia de lesividade material. N\u00e3o se trata de revogar a norma, mas de reconhecer que sua incid\u00eancia no caso espec\u00edfico produziria resultado desproporcional e contr\u00e1rio \u00e0 finalidade protetiva do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udce3 A manuten\u00e7\u00e3o da condena\u00e7\u00e3o, nas circunst\u00e2ncias do caso, <strong>puniria a pr\u00f3pria v\u00edtima que a norma visa proteger<\/strong>: a jovem ficaria sem o companheiro e pai de seu filho, e a crian\u00e7a cresceria com o pai encarcerado. A aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da norma penal produziria resultado mais danoso do que a conduta que se pretende reprimir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2696\ufe0f O STJ j\u00e1 havia reconhecido esse distinguishing no REsp 2.015.310\/MG, admitindo que <strong>particularidades do contexto f\u00e1tico podem afastar a tipicidade material<\/strong> do estupro de vulner\u00e1vel. A Sexta Turma, por maioria, aplicou esse precedente ao caso, ressaltando o car\u00e1ter excepcional\u00edssimo da medida e a necessidade de an\u00e1lise cuidadosa das circunst\u00e2ncias concretas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como Ser\u00e1 Cobrado em Prova<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 correto afirmar sobre o crime estupro de vulner\u00e1vel e sua atipicidade material:<\/p>\n\n\n\n<p>A) \u00c9 poss\u00edvel reconhecer a atipicidade material da conduta no estupro de vulner\u00e1vel circunstancialmente, ainda que preenchidos os requisitos formais da tipicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>B) O consentimento da v\u00edtima menor de 14 anos afasta a tipicidade do estupro de vulner\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>C) A teoria da derrotabilidade revoga a norma penal quando aplicada pelos tribunais.<\/p>\n\n\n\n<p>D) A constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia entre o agente e a v\u00edtima constitui causa extintiva de punibilidade prevista no C\u00f3digo Penal.<\/p>\n\n\n\n<p>E) H\u00e1 atipicidade material quando a v\u00edtima declara em ju\u00edzo que o relacionamento era consensual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Coment\u00e1rios:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A) <strong>Correta.<\/strong> A Sexta Turma, por maioria, aplicou o distinguishing reconhecido no REsp 2.015.310\/MG.<\/p>\n\n\n\n<p>B) Incorreta. O consentimento do menor de 14 anos \u00e9 irrelevante para a tipicidade formal, conforme o STF.<\/p>\n\n\n\n<p>C) Incorreta. A derrotabilidade afasta a incid\u00eancia da norma no caso concreto, sem revog\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>D) Incorreta. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal de extin\u00e7\u00e3o da punibilidade pela constitui\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>E) Incorreta. A mera declara\u00e7\u00e3o da v\u00edtima n\u00e3o basta; \u00e9 necess\u00e1rio o conjunto excepcional de circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vers\u00e3o Esquematizada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc Estupro de vulner\u00e1vel \u2013 atipicidade material<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Tipicidade material \u2260 tipicidade formal<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Teoria da derrotabilidade do enunciado normativo<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Circunst\u00e2ncias excepcionais: fam\u00edlia, filho, aus\u00eancia de les\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Distinguishing: REsp 2.015.310\/MG<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccd Proporcionalidade e dignidade humana<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inteiro-teor-11\"><span id=\"inteiro-teor-13\">Inteiro Teor<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; As inst\u00e2ncias ordin\u00e1rias condenaram o paciente, maior de idade, pela pr\u00e1tica de estupro de vulner\u00e1vel contra a v\u00edtima, com quem mantinha relacionamento amoroso, em raz\u00e3o de conjun\u00e7\u00e3o carnal com jovem que, nos termos da prova pericial, teria 13 anos, 10 meses e 21 dias na data dos fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em contraste, registre-se que os depoimentos prestados em ju\u00edzo pela v\u00edtima e pela sua m\u00e3e assentaram que a adolescente j\u00e1 tinha 14 anos quando aconteceram as rela\u00e7\u00f5es sexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O contexto f\u00e1tico em an\u00e1lise se assemelha ao distinguishing reconhecido no REsp 2.015.310\/MG, desta Corte, segundo o qual, considerando as particularidades do caso concreto, n\u00e3o houve afeta\u00e7\u00e3o relevante do bem jur\u00eddico a resultar em atua\u00e7\u00e3o punitiva estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Com efeito, &#8220;para que o fato seja considerado criminalmente relevante, n\u00e3o basta a mera subsun\u00e7\u00e3o formal a um tipo penal. Deve ser avaliado o desvalor representado pela conduta humana, bem como a extens\u00e3o da les\u00e3o causada ao bem jur\u00eddico tutelado, com o intuito de aferir se h\u00e1 necessidade e merecimento da san\u00e7\u00e3o, \u00e0 luz dos princ\u00edpios da fragmentariedade e da subsidiariedade&#8221; (RHC 126.272\/MG, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 15\/6\/2021).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O reconhecimento da atipicidade material da conduta encontra amparo na teoria da derrotabilidade do enunciado normativo, segundo a qual \u00e9 poss\u00edvel afastar excepcionalmente a aplica\u00e7\u00e3o de uma norma quando as circunst\u00e2ncias concretas revelam incompatibilidade com os fundamentos que a justificam (ADPF 54\/STF).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando as particularidades do caso, especialmente o nascimento de filho do casal e a constitui\u00e7\u00e3o de n\u00facleo familiar, bem como a aus\u00eancia de efetiva vulnera\u00e7\u00e3o ao bem jur\u00eddico tutelado, verifica-se que n\u00e3o houve afeta\u00e7\u00e3o relevante da dignidade sexual a justificar a atua\u00e7\u00e3o punitiva estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em casos an\u00e1logos, este Superior Tribunal tem-se orientado no sentido de que a manuten\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade acabaria por deixar a jovem e o filho de ambos desamparados n\u00e3o apenas materialmente, mas tamb\u00e9m emocionalmente, desestruturando entidade familiar constitucionalmente protegida. Nesse sentido, REsp 1.524.494\/RN e AREsp 1.555.030\/GO, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 21\/5\/2021.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; A aplica\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da norma penal, desconsiderando o contexto sociocultural e as peculiaridades do caso concreto, violaria os princ\u00edpios da proporcionalidade e razoabilidade, resultando em maior les\u00e3o aos direitos fundamentais do que a pr\u00f3pria conduta originariamente censurada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"cs-embed cs-embed-responsive\"><iframe title=\"Informativo Estrat\u00e9gico STJ - Edi\u00e7\u00e3o 876\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YVC_nyysFho?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-leia-tambem\"><span id=\"leia-tambem\">Leia tamb\u00e9m:<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-874-comentado\/\">Informativo STJ 874 Comentado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stj-873-comentado\/\">Informativo STJ 873 Comentado<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stf-revisao-2025-parte-1\/\">Informativo STF \u2013 Revis\u00e3o 2025 Parte 1<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quer-saber-tudo-sobre-concursos-previstos-confira-nossos-artigos\"><span id=\"quer-saber-tudo-sobre-concursos-previstosconfira-nossos-artigos\">Quer saber tudo sobre concursos previstos?<br>Confira nossos artigos!<\/span><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-abertos-carreiras-juridicas\/\" target=\"_blank\" ><strong>Concursos jur\u00eddicos abertos<\/strong><\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-juridicos-2026-prepare-se-para-os-proximos-editais\/\"><strong>Concursos Jur\u00eddicos 2026<\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"cursos-ficha\"><span id=\"quer-estudar-para-concursos-de-direito\">Quer estudar para Concursos de Direito?<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O Estrat\u00e9gia Carreira Jur\u00eddica \u00e9 campe\u00e3o de aprova\u00e7\u00f5es nos concursos para Carreiras Jur\u00eddicas com um corpo docente qualificado e materiais completos. 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