{"id":172764,"date":"2026-01-07T00:31:00","date_gmt":"2026-01-07T03:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/?p=172764"},"modified":"2026-01-07T08:32:42","modified_gmt":"2026-01-07T11:32:42","slug":"informativo-stf-revisao-2025-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/informativo-stf-revisao-2025-parte-1\/","title":{"rendered":"Informativo STF \u2013 Revis\u00e3o 2025 Parte 1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center has-background has-medium-font-size\" style=\"background-color:#ebebeb\"><strong><a href=\"https:\/\/dhg1h5j42swfq.cloudfront.net\/2026\/01\/07023357\/stf-rev-2025-1.pdf\">DOWNLOAD do PDF<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-1-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-lei-municipal-que-proibe-linguagem-neutra-no-ensino\"><span id=\"1-lei-municipal-que-proibe-linguagem-neutra-no-ensino\">1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lei municipal que pro\u00edbe \u201clinguagem neutra\u201d no ensino<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque\"><span id=\"destaque\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 inconstitucional \u2014 por usurpar a compet\u00eancia privativa da Uni\u00e3o para legislar sobre as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional (CF\/1988, art. 22, XXIV) \u2014 lei municipal que pro\u00edbe o uso da denominada linguagem neutra na grade curricular e no material did\u00e1tico das suas institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablicas ou privadas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADPF 1.165\/MG, relatora Ministra C\u00e1rmen L\u00facia, julgamento virtual finalizado em 03.02.2025 (Info 1164)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entenda o Julgado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Lei municipal vedou o uso da chamada linguagem neutra na grade curricular e no material did\u00e1tico de institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas situadas no munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A norma imp\u00f4s padr\u00e3o lingu\u00edstico obrigat\u00f3rio \u00e0s escolas, interferindo diretamente no conte\u00fado pedag\u00f3gico e na organiza\u00e7\u00e3o do processo educativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF enquadrou a disciplina do curr\u00edculo e das diretrizes pedag\u00f3gicas no n\u00facleo das diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A Constitui\u00e7\u00e3o atribui \u00e0 Uni\u00e3o compet\u00eancia privativa para legislar sobre essa mat\u00e9ria (CF\/1988, art. 22, XXIV).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Munic\u00edpios n\u00e3o podem criar proibi\u00e7\u00f5es curriculares ou lingu\u00edsticas que alterem ou condicionem pol\u00edticas educacionais de alcance nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A motiva\u00e7\u00e3o cultural, moral ou ideol\u00f3gica da lei n\u00e3o afasta a inconstitucionalidade por v\u00edcio de compet\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A inconstitucionalidade alcan\u00e7a tanto a rede p\u00fablica quanto as institui\u00e7\u00f5es privadas de ensino.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: lei municipal declarada inconstitucional por usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia legislativa privativa da Uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-2-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-descentralizacao-da-execucao-de-servicos-publicos-de-saude-ao-terceiro-setor\"><span id=\"2-descentralizacao-da-execucao-de-servicos-publicos-de-saude-ao-terceiro-setor\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Descentraliza\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade ao terceiro setor<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-0\"><span id=\"destaque-2\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 constitucional \u2014 e n\u00e3o ofende a diretriz constitucional da participa\u00e7\u00e3o popular no \u00e2mbito do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (CF\/1988, art. 198, III) \u2014 lei estadual que disp\u00f5e sobre programa de descentraliza\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o exclusivos para as entidades do terceiro setor, desde que esse modelo de gest\u00e3o seja conduzido de forma p\u00fablica, objetiva e impessoal (CF\/1988, art. 37, caput), sem preju\u00edzo da fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Tribunal de Contas correspondentes quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de verbas p\u00fablicas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 7.629\/MG, relator Ministro Dias Toffoli, julgamento virtual finalizado em 14.02.2025 (Info 1165)<\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado\"><span id=\"entenda-o-julgado\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-nbsp\"><span id=\"\">&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 Lei estadual instituiu programa de descentraliza\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o exclusivos, inclusive na \u00e1rea da sa\u00fade, mediante parcerias com entidades do terceiro setor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O modelo manteve com o Estado a titularidade das pol\u00edticas p\u00fablicas, o financiamento e a supervis\u00e3o dos servi\u00e7os, transferindo apenas a execu\u00e7\u00e3o material.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o exige que servi\u00e7os p\u00fablicos n\u00e3o exclusivos sejam prestados diretamente pelo Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A diretriz da participa\u00e7\u00e3o popular no SUS (CF\/1988, art. 198, III) n\u00e3o impede a ado\u00e7\u00e3o de modelos gerenciais descentralizados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A participa\u00e7\u00e3o popular permanece assegurada por conselhos, inst\u00e2ncias de controle social e mecanismos institucionais do SUS.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A constitucionalidade do modelo depende de sua condu\u00e7\u00e3o conforme os princ\u00edpios da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, especialmente publicidade, objetividade e impessoalidade (CF\/1988, art. 37, caput).<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A escolha das entidades parceiras deve seguir crit\u00e9rios p\u00fablicos e objetivos, vedada a atua\u00e7\u00e3o discricion\u00e1ria ou opaca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A descentraliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o afasta o controle externo, permanecendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico e dos Tribunais de Contas sobre a aplica\u00e7\u00e3o dos recursos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: lei estadual considerada constitucional, desde que o programa seja executado com transpar\u00eancia, impessoalidade e controle efetivo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-3-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-aplicacao-analogica-da-lei-maria-da-penha-a-homens-gbti-e-mulheres-trans-e-travestis\"><span id=\"3-aplicacao-analogica-da-lei-maria-da-penha-a-homens-gbti-e-mulheres-trans-e-travestis\">3.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da Lei Maria da Penha a homens GBTI+ e mulheres trans e travestis<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-1\"><span id=\"destaque-3\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Diante da omiss\u00e3o legislativa na regulamenta\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o contra viol\u00eancia dom\u00e9stica para homens GBTI+ e mulheres trans e travestis, \u00e9 cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da Lei Maria da Penha a esses grupos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>MI 7.452\/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgamento virtual finalizado em 21\/02\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-0\"><span id=\"entenda-o-julgado-2\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso tratou de omiss\u00e3o legislativa na regulamenta\u00e7\u00e3o de mecanismos espec\u00edficos de prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar direcionados a homens GBTI+ e a mulheres trans e travestis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Reconheceu-se a exist\u00eancia de lacuna normativa quanto \u00e0 tutela efetiva desses grupos em contextos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, apesar de sua comprovada vulnerabilidade social e estrutural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A aus\u00eancia de disciplina legal espec\u00edfica foi considerada incompat\u00edvel com os deveres constitucionais de prote\u00e7\u00e3o da dignidade da pessoa humana, da igualdade material e da veda\u00e7\u00e3o \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF afirmou que a Lei Maria da Penha possui natureza protetiva e final\u00edstica, voltada ao enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica baseada em rela\u00e7\u00f5es de poder e vulnerabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Essa finalidade autoriza interpreta\u00e7\u00e3o ampliativa e aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da lei a situa\u00e7\u00f5es estruturalmente equivalentes, ainda que n\u00e3o expressamente previstas pelo legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica n\u00e3o implica cria\u00e7\u00e3o de novo tipo penal, mas extens\u00e3o de medidas protetivas e mecanismos processuais j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O Tribunal destacou que a atua\u00e7\u00e3o jurisdicional supre provisoriamente a omiss\u00e3o legislativa, sem afastar a compet\u00eancia do Congresso Nacional para editar norma espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A decis\u00e3o preserva a centralidade do g\u00eanero e da vulnerabilidade como crit\u00e9rios materiais de incid\u00eancia da prote\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: diante da omiss\u00e3o legislativa, \u00e9 cab\u00edvel a aplica\u00e7\u00e3o anal\u00f3gica da Lei Maria da Penha a homens GBTI+ e a mulheres trans e travestis em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-4-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-precedencia-da-remocao-sobre-a-promocao-por-antiguidade-na-magistratura-estadual\"><span id=\"4-precedencia-da-remocao-sobre-a-promocao-por-antiguidade-na-magistratura-estadual\">4.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o sobre a promo\u00e7\u00e3o por antiguidade na magistratura estadual<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-2\"><span id=\"destaque-4\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 constitucional a preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o sobre a promo\u00e7\u00e3o por antiguidade na magistratura estadual, desde que observadas as normas do art. 93 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 6.757\/RR, Rel. Min. Nunes Marques, Plen\u00e1rio, julgado em 20\/02\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-1\"><span id=\"entenda-o-julgado-3\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 A a\u00e7\u00e3o questionou norma estadual que estabelecia a preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o sobre a promo\u00e7\u00e3o por antiguidade na carreira da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Sustentou-se que a regra violaria garantias da magistratura e o regime constitucional de promo\u00e7\u00f5es previsto na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que a Constitui\u00e7\u00e3o confere aos tribunais margem de conforma\u00e7\u00e3o para organizar a carreira judicial, desde que respeitados os par\u00e2metros do art. 93 da CF.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O art. 93 disciplina os crit\u00e9rios de promo\u00e7\u00e3o, remo\u00e7\u00e3o e acesso aos tribunais, sem impor hierarquia r\u00edgida que inviabilize a preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o foi compreendida como mecanismo leg\u00edtimo de gest\u00e3o da carreira, voltado \u00e0 racionaliza\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o de magistrados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A constitucionalidade da op\u00e7\u00e3o normativa depende da observ\u00e2ncia dos crit\u00e9rios objetivos, da altern\u00e2ncia entre antiguidade e merecimento e das garantias institucionais da magistratura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A norma n\u00e3o pode servir como instrumento de discricionariedade indevida ou de esvaziamento do direito \u00e0 promo\u00e7\u00e3o por antiguidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 constitucional a preced\u00eancia da remo\u00e7\u00e3o sobre a promo\u00e7\u00e3o por antiguidade na magistratura estadual, desde que respeitadas as balizas do art. 93 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-5-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-policiamento-ostensivo-e-comunitario-pelas-guardas-municipais\"><span id=\"5-policiamento-ostensivo-e-comunitario-pelas-guardas-municipais\">5.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Policiamento ostensivo e comunit\u00e1rio pelas guardas municipais<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-3\"><span id=\"destaque-5\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 constitucional o exerc\u00edcio de policiamento ostensivo e comunit\u00e1rio pelas guardas municipais, desde que respeitadas as atribui\u00e7\u00f5es dos demais \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica e observadas as normas gerais estabelecidas pelo Congresso Nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RE 608.588\/SP (Tema 656 RG), Rel. Min. Luiz Fux, Plen\u00e1rio, julgado em 20\/02\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-2\"><span id=\"entenda-o-julgado-4\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso discutiu a possibilidade de as guardas municipais exercerem atividades de policiamento ostensivo e comunit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Questionou-se se tais atribui\u00e7\u00f5es extrapolariam a fun\u00e7\u00e3o constitucional das guardas municipais, prevista no art. 144, \u00a7 8\u00ba, da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF afirmou que as guardas municipais n\u00e3o se limitam \u00e0 prote\u00e7\u00e3o patrimonial, podendo atuar na preven\u00e7\u00e3o de il\u00edcitos e na seguran\u00e7a comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O policiamento ostensivo e comunit\u00e1rio foi reconhecido como compat\u00edvel com a finalidade constitucional das guardas municipais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Essa atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode implicar usurpa\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas das pol\u00edcias civil e militar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Deve haver respeito \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o de compet\u00eancias entre os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A atua\u00e7\u00e3o das guardas est\u00e1 condicionada \u00e0 observ\u00e2ncia das normas gerais editadas pelo Congresso Nacional sobre seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A Corte destacou a necessidade de coordena\u00e7\u00e3o institucional e atua\u00e7\u00e3o integrada no sistema de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 constitucional o exerc\u00edcio de policiamento ostensivo e comunit\u00e1rio pelas guardas municipais, desde que respeitadas as atribui\u00e7\u00f5es dos demais \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica e as normas gerais fixadas pelo legislador federal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-6-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-creditos-superpreferenciais-e-regime-de-pagamento\"><span id=\"6-creditos-superpreferenciais-e-regime-de-pagamento\">6.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cr\u00e9ditos superpreferenciais e regime de pagamento<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-4\"><span id=\"destaque-6\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>O pagamento de cr\u00e9ditos superpreferenciais deve ser feito por meio de precat\u00f3rio, salvo se o valor total estiver dentro do limite legal para RPV; \u00e9 inconstitucional o fracionamento para permitir pagamento parcial por RPV.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RE 1.326.178\/SC (Tema 1.156 RG), Rel. Min. Cristiano Zanin, Plen\u00e1rio, julgado em 23\/5\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-3\"><span id=\"entenda-o-julgado-5\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso discutiu a forma de pagamento de cr\u00e9ditos superpreferenciais, especialmente aqueles decorrentes de idade avan\u00e7ada, doen\u00e7a grave ou defici\u00eancia do credor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Questionou-se a possibilidade de fracionamento do cr\u00e9dito para permitir o pagamento parcial por RPV, com o remanescente submetido ao regime de precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que a superprefer\u00eancia n\u00e3o altera o regime constitucional de pagamento das condena\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Cr\u00e9ditos superpreferenciais devem observar, como regra, o pagamento por precat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O pagamento por RPV somente \u00e9 admiss\u00edvel quando o valor total do cr\u00e9dito estiver integralmente dentro do limite legal previsto para requisi\u00e7\u00f5es de pequeno valor.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O fracionamento do cr\u00e9dito para enquadramento artificial em RPV foi considerado incompat\u00edvel com o sistema constitucional de precat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A pr\u00e1tica viola a isonomia entre credores e desestrutura a ordem constitucional de pagamentos da Fazenda P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A prefer\u00eancia assegura prioridade cronol\u00f3gica no pagamento do precat\u00f3rio, mas n\u00e3o autoriza a modifica\u00e7\u00e3o do regime jur\u00eddico aplic\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: o pagamento de cr\u00e9ditos superpreferenciais deve ocorrer por precat\u00f3rio, salvo se o valor total se enquadrar no limite legal da RPV, sendo inconstitucional o fracionamento para permitir pagamento parcial por RPV.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-7-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-imunidade-material-parlamentar-e-responsabilidade-civil\"><span id=\"7-imunidade-material-parlamentar-e-responsabilidade-civil\">7.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Imunidade material parlamentar e responsabilidade civil<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-5\"><span id=\"destaque-7\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>(1) A imunidade material parlamentar constitui excludente da responsabilidade civil objetiva do Estado, afastando qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria por opini\u00f5es, palavras e votos. (2) Se a conduta do parlamentar extrapolar os limites da imunidade material, a responsabilidade civil subjetiva recair\u00e1 de forma pessoal e exclusiva sobre o pr\u00f3prio parlamentar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RE 632.115\/CE (Tema 950 RG), Rel. Min. Lu\u00eds Roberto Barroso, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 26\/9\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-4\"><span id=\"entenda-o-julgado-6\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso discutiu a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o civil do Estado por danos decorrentes de opini\u00f5es, palavras ou votos proferidos por parlamentar no exerc\u00edcio do mandato.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que a imunidade material parlamentar possui natureza funcional e ampla, protegendo o parlamentar por manifesta\u00e7\u00f5es vinculadas ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o legislativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Essa imunidade atua como excludente da responsabilidade civil objetiva do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o h\u00e1 dever de indenizar por parte do ente p\u00fablico quando o dano alegado decorre de opini\u00f5es, palavras ou votos acobertados pela imunidade material.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A prote\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a tanto a esfera penal quanto a civil, impedindo qualquer pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria fundada nesses atos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Caso a conduta do parlamentar extrapole os limites da imunidade material, afasta-se a prote\u00e7\u00e3o constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Nessa hip\u00f3tese, n\u00e3o se transfere a responsabilidade ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A responsabilidade civil passa a ser subjetiva, pessoal e exclusiva do pr\u00f3prio parlamentar, condicionada \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de dolo ou culpa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: a imunidade material parlamentar exclui a responsabilidade civil objetiva do Estado; havendo excesso n\u00e3o coberto pela imunidade, eventual responsabilidade civil recai diretamente sobre o parlamentar, em car\u00e1ter pessoal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-8-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nomeacao-de-servidor-efetivo-para-cargo-em-comissao-no-judiciario\"><span id=\"8-nomeacao-de-servidor-efetivo-para-cargo-em-comissao-no-judiciario\">8.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nomea\u00e7\u00e3o de servidor efetivo para cargo em comiss\u00e3o no Judici\u00e1rio<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-6\"><span id=\"destaque-8\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 constitucional a nomea\u00e7\u00e3o de servidor efetivo de carreira judici\u00e1ria para o cargo em comiss\u00e3o de assistente jur\u00eddico de desembargador, mesmo que c\u00f4njuge ou parente de magistrado, desde que o cargo n\u00e3o seja subordinado ao parente e que sejam observadas a qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e a compatibilidade com o cargo de origem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 3.496\/SP, Rel. Min. Nunes Marques, Red. p\/ o ac\u00f3rd\u00e3o Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 10\/10\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-5\"><span id=\"entenda-o-julgado-7\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 A a\u00e7\u00e3o questionou a constitucionalidade da nomea\u00e7\u00e3o de servidor efetivo da carreira judici\u00e1ria para o cargo em comiss\u00e3o de assistente jur\u00eddico de desembargador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O ponto central foi a possibilidade de nomea\u00e7\u00e3o quando o servidor for c\u00f4njuge ou parente de magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF distinguiu nepotismo de aproveitamento funcional de servidor concursado j\u00e1 integrante da estrutura do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A veda\u00e7\u00e3o constitucional ao nepotismo n\u00e3o incide automaticamente quando se trata de servidor efetivo de carreira, desde que atendidos requisitos objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 \u00c9 indispens\u00e1vel que o cargo em comiss\u00e3o n\u00e3o seja hierarquicamente subordinado ao magistrado com o qual exista v\u00ednculo de parentesco.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A nomea\u00e7\u00e3o deve observar a qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do servidor e a compatibilidade entre as atribui\u00e7\u00f5es do cargo comissionado e o cargo efetivo de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O modelo n\u00e3o pode servir como mecanismo de favorecimento pessoal ou desvio da finalidade administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Permanecem aplic\u00e1veis os princ\u00edpios da moralidade, impessoalidade e efici\u00eancia na gest\u00e3o do quadro funcional (CF\/1988, art. 37, caput).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 constitucional a nomea\u00e7\u00e3o de servidor efetivo da carreira judici\u00e1ria para cargo em comiss\u00e3o de assistente jur\u00eddico de desembargador, ainda que parente de magistrado, desde que ausente subordina\u00e7\u00e3o direta e observados crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e funcionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-9-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-emenda-parlamentar-e-aumento-de-despesa-em-projeto-de-iniciativa-do-executivo\"><span id=\"9-emenda-parlamentar-e-aumento-de-despesa-em-projeto-de-iniciativa-do-executivo\">9.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Emenda parlamentar e aumento de despesa em projeto de iniciativa do Executivo<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-7\"><span id=\"destaque-9\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 inconstitucional emenda parlamentar que aumenta despesa em projeto de lei de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo, sem estimativa de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 7.145\/MG, Rel. Min. Lu\u00eds Roberto Barroso, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 10\/10\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-6\"><span id=\"entenda-o-julgado-8\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 A a\u00e7\u00e3o examinou emenda parlamentar apresentada a projeto de lei de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A emenda promoveu aumento de despesa p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao texto originalmente proposto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o houve apresenta\u00e7\u00e3o de estimativa do impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou a reserva de iniciativa do chefe do Poder Executivo em mat\u00e9rias que impliquem cria\u00e7\u00e3o ou aumento de despesa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A atua\u00e7\u00e3o parlamentar n\u00e3o pode desfigurar o projeto nem ampliar gastos sem observ\u00e2ncia das exig\u00eancias constitucionais e fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A aus\u00eancia de estimativa de impacto viola o dever de responsabilidade fiscal e o processo legislativo constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A pr\u00e1tica compromete o equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio e a separa\u00e7\u00e3o de poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O v\u00edcio \u00e9 formal e material, insan\u00e1vel por posterior convalida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conclus\u00e3o: \u00e9 inconstitucional emenda parlamentar que aumenta despesa em projeto de lei de iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo sem estimativa pr\u00e9via de impacto or\u00e7ament\u00e1rio e financeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-10-nbsp-nbsp-nbsp-reserva-de-lei-complementar-em-constituicao-estadual\"><span id=\"10-reserva-de-lei-complementar-em-constituicao-estadual\">10.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Reserva de lei complementar em Constitui\u00e7\u00e3o estadual<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-8\"><span id=\"destaque-10\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 inconstitucional norma de Constitui\u00e7\u00e3o estadual que cria hip\u00f3teses de reserva de lei complementar n\u00e3o previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, por impor restri\u00e7\u00e3o indevida ao processo legislativo e romper o princ\u00edpio da simetria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 7.436\/SP, Rel. Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Plen\u00e1rio, julgamento finalizado em 15\/10\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-7\"><span id=\"entenda-o-julgado-9\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 A a\u00e7\u00e3o questionou norma de Constitui\u00e7\u00e3o estadual que criou hip\u00f3teses de reserva de lei complementar n\u00e3o previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A regra estadual condicionou determinadas mat\u00e9rias \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de lei complementar, ampliando exig\u00eancias formais para o processo legislativo local.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que as Constitui\u00e7\u00f5es estaduais devem observar o modelo constitucional federal quanto \u00e0s esp\u00e9cies normativas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A cria\u00e7\u00e3o de reservas de lei complementar al\u00e9m daquelas expressamente previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal viola o princ\u00edpio da simetria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A exig\u00eancia adicional imp\u00f5e restri\u00e7\u00e3o indevida \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do legislador ordin\u00e1rio estadual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A medida compromete a racionalidade e a funcionalidade do processo legislativo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O v\u00edcio decorre de incompatibilidade estrutural com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 inconstitucional norma de Constitui\u00e7\u00e3o estadual que institui hip\u00f3teses de reserva de lei complementar n\u00e3o previstas na Constitui\u00e7\u00e3o Federal, por restringir indevidamente o processo legislativo e violar o princ\u00edpio da simetria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-11-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-onus-da-prova-na-responsabilidade-subsidiaria-da-administracao-publica\"><span id=\"11-onus-da-prova-na-responsabilidade-subsidiaria-da-administracao-publica\">11.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u00d4nus da prova na responsabilidade subsidi\u00e1ria da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-9\"><span id=\"destaque-11\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>Cabe ao autor da a\u00e7\u00e3o \u2014 para fins de defini\u00e7\u00e3o da responsabilidade subsidi\u00e1ria da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica \u2014 o \u00f4nus da prova sobre eventual conduta culposa na fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas devidas aos trabalhadores terceirizados pela empresa contratada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RE 1.298.647\/SP, relator Ministro Nunes Marques, julgamento finalizado em 13.02.2025 (Info 1165)<\/em>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-8\"><span id=\"entenda-o-julgado-10\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso tratou da defini\u00e7\u00e3o do \u00f4nus da prova para fins de responsabiliza\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica em contratos de terceiriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Discutiu-se se caberia ao ente p\u00fablico ou ao trabalhador comprovar a falha na fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas pela empresa contratada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que a responsabilidade subsidi\u00e1ria da Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Exige-se a demonstra\u00e7\u00e3o de conduta culposa do poder p\u00fablico, especialmente quanto \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O simples inadimplemento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas pela empresa terceirizada n\u00e3o gera, por si s\u00f3, responsabilidade estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O \u00f4nus da prova da culpa administrativa recai sobre o autor da a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Compete ao trabalhador demonstrar a aus\u00eancia ou defici\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A decis\u00e3o preserva o equil\u00edbrio entre a prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador e o regime jur\u00eddico das contrata\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: cabe ao autor da a\u00e7\u00e3o o \u00f4nus de provar a conduta culposa da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na fiscaliza\u00e7\u00e3o do contrato para fins de responsabiliza\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-12-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-verbas-remuneratorias-e-teto-constitucional\"><span id=\"12-verbas-remuneratorias-e-teto-constitucional\">12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Verbas remunerat\u00f3rias e teto constitucional<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-10\"><span id=\"destaque-12\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 inconstitucional a inclus\u00e3o de verbas remunerat\u00f3rias como exce\u00e7\u00e3o ao teto constitucional, pois a natureza indenizat\u00f3ria de um valor deve ser definida com base no fato gerador que enseja sua percep\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podendo servir para burlar o limite de subs\u00eddio estabelecido pela Constitui\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADI 7.402\/GO, Rel. Min. Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, Plen\u00e1rio, julgado em 21\/02\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-9\"><span id=\"entenda-o-julgado-11\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 A a\u00e7\u00e3o questionou norma que incluiu determinadas verbas remunerat\u00f3rias como exce\u00e7\u00e3o ao teto constitucional de remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que o teto constitucional incide sobre todas as parcelas de natureza remunerat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da verba depende do seu fato gerador, e n\u00e3o da denomina\u00e7\u00e3o atribu\u00edda pelo legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Apenas parcelas de efetiva natureza indenizat\u00f3ria podem ser exclu\u00eddas do teto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Verbas pagas de forma habitual, vinculadas ao exerc\u00edcio do cargo ou fun\u00e7\u00e3o, possuem car\u00e1ter remunerat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A cria\u00e7\u00e3o artificial de exce\u00e7\u00f5es permite burla ao limite constitucional de subs\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A pr\u00e1tica compromete a moralidade administrativa e o regime constitucional de remunera\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A Corte vedou o uso de categorias formais para afastar a incid\u00eancia do teto constitucional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 inconstitucional a inclus\u00e3o de verbas remunerat\u00f3rias como exce\u00e7\u00e3o ao teto constitucional, devendo a natureza indenizat\u00f3ria ser aferida a partir do fato gerador do pagamento. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-13-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp-cargos-em-comissao-e-atribuicoes-tecnicas\"><span id=\"13-cargos-em-comissao-e-atribuicoes-tecnicas\">13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cargos em comiss\u00e3o e atribui\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-11\"><span id=\"destaque-13\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>\u00c9 inconstitucional a cria\u00e7\u00e3o de cargos comissionados com atribui\u00e7\u00f5es meramente t\u00e9cnicas ou operacionais sem v\u00ednculo de confian\u00e7a com a autoridade nomeante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>ADIs 6.887\/SP e 6.918\/GO, rel. Min. Edson Fachin, red. p\/ ac\u00f3rd\u00e3o Min. Alexandre de Moraes, julgamento finalizado em 22\/5\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-nbsp-nbsp-nbsp-nbsp\"><span id=\"entenda-o-julgado-12\">Entenda o Julgado&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 As a\u00e7\u00f5es impugnaram leis que criaram cargos em comiss\u00e3o no \u00e2mbito da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Os cargos institu\u00eddos possu\u00edam atribui\u00e7\u00f5es predominantemente t\u00e9cnicas ou operacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que cargos em comiss\u00e3o destinam-se exclusivamente a fun\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o, chefia ou assessoramento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Essas fun\u00e7\u00f5es pressup\u00f5em rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a especial entre o nomeante e o nomeado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Atividades t\u00e9cnicas, burocr\u00e1ticas ou operacionais devem ser exercidas por servidores efetivos, aprovados em concurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A cria\u00e7\u00e3o de cargos comissionados para fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas burla a exig\u00eancia constitucional do concurso p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A aus\u00eancia de v\u00ednculo de confian\u00e7a descaracteriza a natureza constitucional do cargo em comiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O v\u00edcio \u00e9 material e decorre de afronta direta ao modelo constitucional de provimento de cargos p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: \u00e9 inconstitucional a cria\u00e7\u00e3o de cargos em comiss\u00e3o com atribui\u00e7\u00f5es meramente t\u00e9cnicas ou operacionais, sem v\u00ednculo de confian\u00e7a com a autoridade nomeante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-14-nbsp-nbsp-nbsp-direito-a-nomeacao-e-superveniencia-de-restricoes-fiscais\"><span id=\"14-direito-a-nomeacao-e-superveniencia-de-restricoes-fiscais\">14.&nbsp;&nbsp;&nbsp; Direito \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o e superveni\u00eancia de restri\u00e7\u00f5es fiscais<\/span><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destaque-12\"><span id=\"destaque-14\">Destaque<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><em>O direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de candidato aprovado dentro do n\u00famero de vagas pode ser afastado quando houver extin\u00e7\u00e3o superveniente dos cargos ou a extrapola\u00e7\u00e3o do limite prudencial de gastos com pessoal, desde que tais circunst\u00e2ncias sejam devidamente motivadas e ocorram antes do t\u00e9rmino do prazo de validade do concurso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>RE 1.316.010\/PA (Tema 1.164 RG), Rel. Min. Fl\u00e1vio Dino, Plen\u00e1rio, julgamento virtual finalizado em 10\/10\/2025.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-entenda-o-julgado-10\"><span id=\"entenda-o-julgado-13\">Entenda o Julgado<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>\u2022 O caso tratou do alcance do direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o de candidato aprovado dentro do n\u00famero de vagas previsto em edital.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Discutiu-se a possibilidade de afastamento desse direito em raz\u00e3o de fatos supervenientes \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do edital.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 O STF reafirmou que a aprova\u00e7\u00e3o dentro do n\u00famero de vagas gera, em regra, direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Esse direito n\u00e3o \u00e9 absoluto e pode ser excepcionalmente afastado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A extin\u00e7\u00e3o superveniente dos cargos constitui causa leg\u00edtima para a n\u00e3o nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 A extrapola\u00e7\u00e3o do limite prudencial de gastos com pessoal tamb\u00e9m pode justificar a restri\u00e7\u00e3o, em respeito \u00e0 responsabilidade fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 As circunst\u00e2ncias impeditivas devem ser reais, supervenientes, imprevis\u00edveis e alheias \u00e0 vontade da Administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 \u00c9 indispens\u00e1vel motiva\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, formal e transparente da decis\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 Os fatos justificadores devem ocorrer antes do t\u00e9rmino do prazo de validade do concurso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2022 N\u00e3o se admite uso gen\u00e9rico ou retroativo de restri\u00e7\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias para frustrar a nomea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong>: o direito subjetivo \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o pode ser afastado diante de extin\u00e7\u00e3o superveniente dos cargos ou extrapola\u00e7\u00e3o do limite prudencial de gastos com pessoal, desde que haja motiva\u00e7\u00e3o id\u00f4nea e os fatos ocorram dentro do prazo de validade do concurso.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"DOWNLOAD do PDF 1.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lei municipal que pro\u00edbe \u201clinguagem neutra\u201d no ensino Destaque \u00c9 inconstitucional \u2014 por usurpar&hellip;\n","protected":false},"author":12,"featured_media":169863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"tax_estado":[],"class_list":{"0":"post-172764","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-carreiras-juridicas"},"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v27.4 (Yoast SEO v27.4) - 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