{"id":167856,"date":"2025-12-09T22:48:09","date_gmt":"2025-12-10T01:48:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/?p=167856"},"modified":"2025-12-26T16:28:49","modified_gmt":"2025-12-26T19:28:49","slug":"lei-15280-medidas-protetivas-protecao-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/lei-15280-medidas-protetivas-protecao-vitimas\/","title":{"rendered":"Lei 15.280\/2025: mudan\u00e7a na prote\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas de crime sexual"},"content":{"rendered":"\n<p>Prof. Gustavo Cordeiro<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-introducao-a-tutela-processual-que-faltava-aos-crimes-sexuais\"><span id=\"introducao-a-tutela-processual-que-faltava-aos-crimes-sexuais\">Introdu\u00e7\u00e3o: a tutela processual que faltava aos crimes sexuais<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>A Lei 15.280\/25 n\u00e3o se limitou ao endurecimento das penas dos crimes contra a dignidade sexual. Reconhecendo que a prote\u00e7\u00e3o efetiva das v\u00edtimas exige instrumentos processuais imediatos e san\u00e7\u00f5es penais para seu descumprimento, o legislador criou um sistema integrado de tutela que replica, para os crimes sexuais, a bem-sucedida arquitetura protetiva da Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p>A inova\u00e7\u00e3o normativa tem dupla dimens\u00e3o: processual e penal. No plano processual, o novo <strong>T\u00edtulo IX-A do <a href=\"https:\/\/www.estrategiaconcursos.com.br\/assinaturas-ecj\/\" target=\"_blank\" >C\u00f3digo de Processo Penal<\/a><\/strong>&nbsp;(arts. 350-A e 350-B) estabelece rol de medidas protetivas de urg\u00eancia aplic\u00e1veis desde a fase investigat\u00f3ria. No plano penal, o <strong>art. 338-A do CPP<\/strong>&nbsp;tipifica como crime aut\u00f4nomo o descumprimento dessas medidas, com pena de reclus\u00e3o de 2 a 5 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para candidatos a concursos jur\u00eddicos de elite, compreender a estrutura t\u00edpica desse novo delito n\u00e3o \u00e9 apenas atualiza\u00e7\u00e3o legislativa \u2014 \u00e9 dominar tema que certamente ser\u00e1 explorado em provas de segunda fase, pareceres do Minist\u00e9rio P\u00fablico e senten\u00e7as simuladas. A an\u00e1lise doutrin\u00e1ria minuciosa do tipo penal, seus elementos objetivos e subjetivos, e sua rela\u00e7\u00e3o com o art. 24-A da Lei Maria da Penha constituem conhecimento estrat\u00e9gico diferenciador.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-as-medidas-protetivas-de-urgencia-a-dimensao-processual-da-reforma\"><span id=\"as-medidas-protetivas-de-urgencia-a-dimensao-processual-da-reforma\">As medidas protetivas de urg\u00eancia: a dimens\u00e3o processual da reforma<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>A Lei 15.280\/25 inseriu no C\u00f3digo de Processo Penal o <strong>T\u00edtulo IX-A<\/strong>, criando sistema espec\u00edfico de <strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">medidas protetivas de urg\u00eancia<\/mark><\/strong>&nbsp;para v\u00edtimas de crimes contra a dignidade sexual (art. 350-A do CPP). O novo dispositivo permite ao juiz, constatada a exist\u00eancia de ind\u00edcios da pr\u00e1tica de crime sexual, aplicar de imediato ao investigado ou r\u00e9u medidas como suspens\u00e3o de porte de armas, afastamento do lar, proibi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o e contato, restri\u00e7\u00e3o de visitas, presta\u00e7\u00e3o de alimentos, comparecimento a programas de recupera\u00e7\u00e3o, acompanhamento psicossocial e <strong>monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica obrigat\u00f3ria<\/strong>&nbsp;com dispositivo de alerta \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p>O art. 350-B permite ainda que o juiz, em qualquer fase da persecu\u00e7\u00e3o penal, determine a proibi\u00e7\u00e3o do autor de exercer atividades que envolvam contato direto com pessoas vulner\u00e1veis \u2014 medida de enorme relev\u00e2ncia para profissionais que atuam com crian\u00e7as e adolescentes. Essas medidas, embora essenciais, ser\u00e3o objeto de artigo espec\u00edfico. O presente estudo concentra-se no tipo penal criado para garantir sua efetividade: o crime de descumprimento de medidas protetivas de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-crime-de-descumprimento-de-medidas-protetivas-estrutura-normativa\"><span id=\"o-crime-de-descumprimento-de-medidas-protetivas-estrutura-normativa\">O crime de descumprimento de medidas protetivas: estrutura normativa<\/span><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Art. 338-A do CPP:<\/strong>&nbsp;\"Descumprir decis\u00e3o judicial que defere medidas protetivas de urg\u00eancia: Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. \u00a7 1\u00ba A configura\u00e7\u00e3o do crime independe da compet\u00eancia civil ou criminal do juiz que deferiu as medidas. \u00a7 2\u00ba Na hip\u00f3tese de pris\u00e3o em flagrante, apenas a autoridade judicial pode conceder fian\u00e7a. \u00a7 3\u00ba O disposto neste artigo n\u00e3o exclui a aplica\u00e7\u00e3o de outras san\u00e7\u00f5es cab\u00edveis.\"<\/pre>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-objetividade-juridica-o-bem-juridico-tutelado\"><span id=\"objetividade-juridica-o-bem-juridico-tutelado\">Objetividade jur\u00eddica: o bem jur\u00eddico tutelado<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>O crime de descumprimento de medidas protetivas configura <strong>tipo penal complexo<\/strong>, com prote\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de dois bens jur\u00eddicos hierarquicamente distintos:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-bem-juridico-primario-a-administracao-da-justica\"><span id=\"bem-juridico-primario-a-administracao-da-justica\">Bem jur\u00eddico prim\u00e1rio: a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>O tipo visa primordialmente resguardar a <strong>autoridade das decis\u00f5es judiciais<\/strong>&nbsp;e a <strong>efetividade do sistema jurisdicional<\/strong>. A desobedi\u00eancia a ordens judiciais compromete a credibilidade institucional do Poder Judici\u00e1rio, minando a confian\u00e7a social na capacidade estatal de fazer cumprir suas determina\u00e7\u00f5es. Quando decis\u00f5es judiciais podem ser descumpridas impunemente, instala-se clima de inseguran\u00e7a jur\u00eddica que corr\u00f3i os fundamentos do Estado Democr\u00e1tico de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p>A inser\u00e7\u00e3o topogr\u00e1fica do tipo no C\u00f3digo de Processo Penal (e n\u00e3o no C\u00f3digo Penal, onde est\u00e3o os crimes contra a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a do T\u00edtulo XI) ressalta sua natureza processual, vinculando-o diretamente ao exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o jurisdicional na tutela de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-bem-juridico-secundario-a-integridade-da-vitima\"><span id=\"bem-juridico-secundario-a-integridade-da-vitima\">Bem jur\u00eddico secund\u00e1rio: a integridade da v\u00edtima<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Secundariamente, o tipo protege a <strong>integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e sexual da v\u00edtima<\/strong>&nbsp;cuja prote\u00e7\u00e3o motivou a interven\u00e7\u00e3o judicial. O descumprimento da medida protetiva coloca em risco concreto a pessoa vulner\u00e1vel, potencializando sua revitimiza\u00e7\u00e3o e expondo-a a novos ataques \u00e0 sua dignidade sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa dualidade de objetos jur\u00eddicos \u00e9 caracter\u00edstica dos delitos que, embora primariamente tutelem a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, repercutem diretamente sobre direitos individuais. A interpreta\u00e7\u00e3o teleol\u00f3gica deve considerar ambas as dimens\u00f5es, evitando reducionismos que enfatizem exclusivamente a tutela estatal em detrimento da prote\u00e7\u00e3o concreta \u00e0 v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-preceito-primario-o-nucleo-tipico\"><span id=\"preceito-primario-o-nucleo-tipico\">Preceito prim\u00e1rio: o n\u00facleo t\u00edpico<\/span><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>\"Descumprir decis\u00e3o judicial que defere medidas protetivas de urg\u00eancia\"<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>A estrutura t\u00edpica \u00e9 deliberadamente sint\u00e9tica, centrada no verbo nuclear <strong>descumprir<\/strong>, que exige complementa\u00e7\u00e3o normativa pela refer\u00eancia ao objeto da conduta: decis\u00e3o judicial concessiva de medidas protetivas previstas no art. 350-A do CPP.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-preceito-secundario-a-sancao-penal-e-seus-efeitos\"><span id=\"preceito-secundario-a-sancao-penal-e-seus-efeitos\">Preceito secund\u00e1rio: a san\u00e7\u00e3o penal e seus efeitos<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Pena:<\/strong>&nbsp;Reclus\u00e3o de 2 a 5 anos e multa<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha legislativa por <strong>reclus\u00e3o<\/strong>&nbsp;(n\u00e3o deten\u00e7\u00e3o) revela op\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-criminal por tratamento severo, permitindo regime inicial fechado em determinadas circunst\u00e2ncias e afastando benef\u00edcios aplic\u00e1veis apenas a crimes apenados com deten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto nos institutos despenalizadores:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acordo de N\u00e3o Persecu\u00e7\u00e3o Penal (ANPP):<\/strong>&nbsp;<strong>Invi\u00e1vel<\/strong>. Embora a pena m\u00ednima de 2 anos atenda ao requisito objetivo do art. 28-A do CPP (inferior a 4 anos), o tipo envolve crimes praticados no \u00e2mbito de viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar, ou praticados contra a mulher por raz\u00f5es da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino, afastando a possibilidade de acordo, conforme o inciso IV do \u00a72\u00ba do artigo 28-A, do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Suspens\u00e3o condicional do processo:<\/strong>&nbsp;<strong>Invi\u00e1vel<\/strong>. O art. 89 da Lei 9.099\/95 exige pena m\u00ednima n\u00e3o superior a 1 ano, requisito n\u00e3o satisfeito pelo tipo penal em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Suspens\u00e3o condicional da pena (sursis):<\/strong>&nbsp;<strong>Poss\u00edvel<\/strong>&nbsp;se a pena aplicada n\u00e3o for superior a 2 anos e presentes os demais requisitos do art. 77 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regime inicial de cumprimento:<\/strong>&nbsp;Com pena m\u00ednima de 2 anos, o regime inicial ser\u00e1 ordinariamente <strong>aberto<\/strong>&nbsp;para r\u00e9us prim\u00e1rios com circunst\u00e2ncias judiciais favor\u00e1veis, <strong>semiaberto <\/strong>para<strong>&nbsp;<\/strong>reincidentes quando as circunst\u00e2ncias do art. 59 do CP forem favor\u00e1veis (S\u00famula 269, do STJ) ou <strong>fechado<\/strong>&nbsp;para reincidentes, quando as circunst\u00e2ncias do art. 59 do CP forem preponderantemente desfavor\u00e1veis (art. 33, \u00a7\u00a7 2\u00ba e 3\u00ba do CP).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sujeito-ativo-crime-comum\"><span id=\"sujeito-ativo-crime-comum\">Sujeito ativo: crime comum<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Trata-se de <strong>crime comum<\/strong>, pratic\u00e1vel por qualquer pessoa que figure como destinat\u00e1rio da ordem judicial protetiva. N\u00e3o h\u00e1 exig\u00eancia de qualidade ou condi\u00e7\u00e3o especial do agente, caracterizando tipo penal de sujeito ativo indeterminado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipicamente ser\u00e1:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O investigado no inqu\u00e9rito policial por crime sexual<\/li>\n\n\n\n<li>O r\u00e9u no processo penal por crime contra a dignidade sexual<\/li>\n\n\n\n<li>Qualquer pessoa sobre quem recaia medida protetiva, independentemente de ter sido formalmente denunciada<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>\ud83c\udfaf <strong>Observa\u00e7\u00e3o relevante para concursos:<\/strong>&nbsp;O \u00a7 1\u00ba do art. 338-A esclarece que a configura\u00e7\u00e3o do crime independe da compet\u00eancia civil ou criminal do juiz que deferiu as medidas. Isso significa que mesmo medidas deferidas em processos de compet\u00eancia c\u00edvel (por exemplo, a\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia envolvendo v\u00edtimas de crimes sexuais) vinculam criminalmente o destinat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sujeito-passivo-a-dupla-dimensao-da-ofensa\"><span id=\"sujeito-passivo-a-dupla-dimensao-da-ofensa\">Sujeito passivo: a dupla dimens\u00e3o da ofensa<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>Coerentemente com a objetividade jur\u00eddica complexa, o crime apresenta dois sujeitos passivos:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sujeito-passivo-primario-o-estado\"><span id=\"sujeito-passivo-primario-o-estado\">Sujeito passivo prim\u00e1rio: o Estado<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Representado pelo Poder Judici\u00e1rio, cuja autoridade decis\u00f3ria \u00e9 desrespeitada pelo descumprimento da ordem protetiva. A ofensa atinge a fun\u00e7\u00e3o jurisdicional e compromete a efetividade do sistema de justi\u00e7a como um todo. N\u00e3o se trata de ofensa pessoal ao magistrado que proferiu a decis\u00e3o, mas de les\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o estatal de administrar justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sujeito-passivo-secundario-a-vitima-protegida\"><span id=\"sujeito-passivo-secundario-a-vitima-protegida\">Sujeito passivo secund\u00e1rio: A v\u00edtima protegida<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 a pessoa em cuja prote\u00e7\u00e3o foi deferida a medida protetiva \u2014 tipicamente a v\u00edtima do crime sexual que motivou a instaura\u00e7\u00e3o da persecu\u00e7\u00e3o penal. Sua integridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e sexual resta amea\u00e7ada ou efetivamente violada pelo descumprimento, configurando ofensa concreta a direitos fundamentais individuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tipo-objetivo-analise-do-verbo-nuclear-e-seus-elementos\"><span id=\"tipo-objetivo-analise-do-verbo-nuclear-e-seus-elementos\">Tipo objetivo: an\u00e1lise do verbo nuclear e seus elementos<\/span><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-verbo-descumprir-alcance-semantico\"><span id=\"o-verbo-descumprir-alcance-semantico\">O verbo &#8220;descumprir&#8221;: alcance sem\u00e2ntico<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Descumprir<\/strong>&nbsp;significa <strong>desobedecer<\/strong>, <strong>violar<\/strong>, <strong>infringir<\/strong>, <strong>transgredir<\/strong>&nbsp;ordem judicial espec\u00edfica. O verbo exige interpreta\u00e7\u00e3o que concilie taxatividade penal com efetividade da tutela jurisdicional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Elementos constitutivos do descumprimento:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conhecimento da decis\u00e3o:<\/strong>&nbsp;O agente deve ter sido regularmente intimado da ordem judicial. Sem intima\u00e7\u00e3o v\u00e1lida, inexiste possibilidade de dolo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Compreens\u00e3o do conte\u00fado:<\/strong>&nbsp;A decis\u00e3o deve ser suficientemente clara quanto \u00e0 conduta exigida ou vedada. Ordens gen\u00e9ricas ou amb\u00edguas n\u00e3o atendem ao princ\u00edpio da taxatividade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Conduta violadora:<\/strong>&nbsp;Pr\u00e1tica efetiva de ato que contrarie o comando judicial, seja por a\u00e7\u00e3o (fazer o proibido) ou omiss\u00e3o (n\u00e3o fazer o determinado).<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-objeto-material-a-decisao-judicial-protetiva\"><span id=\"objeto-material-a-decisao-judicial-protetiva\">Objeto material: a decis\u00e3o judicial protetiva<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Requisitos cumulativos da decis\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Decis\u00e3o judicial v\u00e1lida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Deve emanar de autoridade judici\u00e1ria competente, em processo regular. O \u00a7 1\u00ba esclarece que a configura\u00e7\u00e3o do crime independe da compet\u00eancia civil ou criminal do juiz, ampliando o espectro de prote\u00e7\u00e3o e reconhecendo que medidas protetivas podem ser deferidas tanto em processos criminais quanto em a\u00e7\u00f5es c\u00edveis conexas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Conte\u00fado espec\u00edfico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o deve deferir <strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">medidas protetivas de urg\u00eancia<\/mark> previstas no art. 350-A do CPP<\/strong>. Esta \u00e9 a delimita\u00e7\u00e3o normativa essencial para configura\u00e7\u00e3o da tipicidade. Medidas diversas, ainda que protetivas, n\u00e3o se subsumem ao tipo penal em an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Determina\u00e7\u00e3o concreta e espec\u00edfica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ordem deve indicar com clareza e precis\u00e3o a conduta exigida ou vedada. Exemplos de determina\u00e7\u00f5es concretas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>&#8220;Fica o r\u00e9u proibido de aproximar-se da v\u00edtima em raio inferior a 500 metros&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Determino o afastamento do r\u00e9u do domic\u00edlio comum situado na Rua X, n\u00ba Y&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Pro\u00edbo qualquer contato do investigado com a v\u00edtima por telefone, mensagens eletr\u00f4nicas ou redes sociais&#8221;<\/li>\n\n\n\n<li>&#8220;Determino a suspens\u00e3o do porte de arma do investigado, oficiando-se \u00e0 Pol\u00edcia Federal&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Determina\u00e7\u00f5es vagas (&#8220;o r\u00e9u deve manter dist\u00e2ncia da v\u00edtima&#8221;) ou gen\u00e9ricas (&#8220;o r\u00e9u n\u00e3o pode importunar a v\u00edtima&#8221;) n\u00e3o atendem \u00e0 taxatividade exigida pelo Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-modalidades-de-descumprimento-condutas-tipicas\"><span id=\"modalidades-de-descumprimento-condutas-tipicas\">Modalidades de descumprimento: condutas t\u00edpicas<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Por a\u00e7\u00e3o (comissivas):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Aproximar-se da v\u00edtima em desrespeito \u00e0 dist\u00e2ncia m\u00ednima fixada<\/li>\n\n\n\n<li>Contactar a v\u00edtima por telefone, mensagens, redes sociais ou pessoalmente<\/li>\n\n\n\n<li>Permanecer ou retornar ao domic\u00edlio ap\u00f3s determina\u00e7\u00e3o de afastamento<\/li>\n\n\n\n<li>Frequentar locais expressamente proibidos (escola da v\u00edtima, local de trabalho, resid\u00eancia de familiares)<\/li>\n\n\n\n<li>Manter porte de arma ap\u00f3s suspens\u00e3o judicial<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Por omiss\u00e3o (omissivas pr\u00f3prias):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>N\u00e3o comparecer aos programas de recupera\u00e7\u00e3o determinados judicialmente<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o se submeter ao acompanhamento psicossocial imposto<\/li>\n\n\n\n<li>Deixar de prestar alimentos provisionais fixados na decis\u00e3o protetiva<\/li>\n\n\n\n<li>N\u00e3o permitir a instala\u00e7\u00e3o de equipamento de monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tipo-subjetivo-o-elemento-animico\"><span id=\"tipo-subjetivo-o-elemento-animico\">Tipo subjetivo: o elemento an\u00edmico<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O crime \u00e9 <strong>exclusivamente doloso<\/strong>, n\u00e3o admitindo modalidade culposa. O dolo se manifesta em duas dimens\u00f5es essenciais:<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-elemento-cognitivo-aspecto-intelectual\"><span id=\"elemento-cognitivo-aspecto-intelectual\">Elemento cognitivo (aspecto intelectual)<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>O agente deve ter <strong>conhecimento efetivo<\/strong>&nbsp;de dois elementos:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Exist\u00eancia da decis\u00e3o judicial:<\/strong>&nbsp;Saber que o juiz deferiu medidas protetivas contra ele<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Conte\u00fado da ordem:<\/strong>&nbsp;Compreender especificamente o que lhe \u00e9 proibido fazer ou o que lhe \u00e9 determinado fazer<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p>A intima\u00e7\u00e3o pessoal do investigado\/r\u00e9u \u00e9 pressuposto inafast\u00e1vel para configura\u00e7\u00e3o do elemento cognitivo. Intima\u00e7\u00e3o ficta, por edital, ou mera publica\u00e7\u00e3o no Di\u00e1rio Oficial sem comprova\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia pessoal n\u00e3o suprem esse requisito.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-elemento-volitivo-aspecto-conativo\"><span id=\"elemento-volitivo-aspecto-conativo\">Elemento volitivo (aspecto conativo)<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>O agente deve <strong>querer descumprir<\/strong>&nbsp;a ordem judicial ou <strong>assumir conscientemente o risco de descumpri-la<\/strong>&nbsp;(dolo eventual). N\u00e3o se exige finalidade espec\u00edfica al\u00e9m da vontade de violar o comando judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esp\u00e9cies de dolo aplic\u00e1veis:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dolo direto:<\/strong>&nbsp;O agente quer descumprir a ordem. Exemplo: Ap\u00f3s ser intimado da proibi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o, dirige-se deliberadamente \u00e0 resid\u00eancia da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dolo eventual:<\/strong>&nbsp;O agente n\u00e3o quer necessariamente descumprir, mas assume o risco de faz\u00ea-lo. Exemplo: Ap\u00f3s ser proibido de frequentar determinado bairro, vai a local pr\u00f3ximo sabendo que pode encontrar a v\u00edtima, assumindo esse risco.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-erro-sobre-elementos-do-tipo\"><span id=\"erro-sobre-elementos-do-tipo\">Erro sobre elementos do tipo<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Erro de tipo essencial (art. 20 do CP):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Erro escus\u00e1vel:<\/strong>&nbsp;Exclui dolo e culpa, afastando a tipicidade. Exemplos:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Agente n\u00e3o foi regularmente intimado da decis\u00e3o (erro sobre a exist\u00eancia)<\/li>\n\n\n\n<li>Ordem judicial redigida de forma amb\u00edgua gera d\u00favida razo\u00e1vel sobre seu alcance (erro sobre o conte\u00fado)<\/li>\n\n\n\n<li>Terceiro informa incorretamente que a medida foi revogada (erro provocado)<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Erro inescus\u00e1vel:<\/strong>&nbsp;Exclui o dolo, mas permite responsabiliza\u00e7\u00e3o culposa se houver previs\u00e3o legal \u2014 o que n\u00e3o ocorre neste tipo penal. Portanto, mesmo erro inescus\u00e1vel afasta a punibilidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-consumacao-e-tentativa\"><span id=\"consumacao-e-tentativa\">Consuma\u00e7\u00e3o e tentativa<\/span><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-consumacao\"><span id=\"consumacao\">Consuma\u00e7\u00e3o<\/span><\/h4>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:38% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-1024x1024.jpg\" alt=\"v\u00edtimas\" class=\"wp-image-156074 size-full\" srcset=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-300x300.jpg 300w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-150x150.jpg 150w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-768x768.jpg 768w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-80x80.jpg 80w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-380x380.jpg 380w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-800x800.jpg 800w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-1160x1160.jpg 1160w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-24x24.jpg 24w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-48x48.jpg 48w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia-96x96.jpg 96w, https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/06224755\/crime-lei-justica-jurisprudencia.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>O crime se consuma com o <strong>efetivo descumprimento da medida protetiva<\/strong>, independentemente de resultado natural\u00edstico. Trata-se de <strong>crime formal ou de mera conduta<\/strong>, que se aperfei\u00e7oa com a pr\u00e1tica do ato violador da ordem judicial.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Momento consumativo espec\u00edfico por tipo de conduta:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proibi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o:<\/strong>&nbsp;No instante em que o agente ingressa no raio de dist\u00e2ncia proibido. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio contato f\u00edsico com a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proibi\u00e7\u00e3o de contato:<\/strong>&nbsp;Na realiza\u00e7\u00e3o da tentativa de contato, mesmo que a v\u00edtima n\u00e3o atenda telefone ou n\u00e3o leia mensagem. O crime se consuma com o ato de discar, enviar mensagem ou tentar qualquer comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Afastamento do lar:<\/strong>&nbsp;Com a perman\u00eancia ou retorno ao domic\u00edlio ap\u00f3s intima\u00e7\u00e3o da ordem. Trata-se de <strong>crime permanente<\/strong>&nbsp;\u2014 a consuma\u00e7\u00e3o se protrai enquanto perdurar a situa\u00e7\u00e3o de descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Obriga\u00e7\u00e3o de comparecimento:<\/strong>&nbsp;Com o n\u00e3o comparecimento na data, hor\u00e1rio e local determinados para programa de recupera\u00e7\u00e3o ou acompanhamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-crime-instantaneo-permanente-ou-continuado\"><span id=\"crime-instantaneo-permanente-ou-continuado\">Crime instant\u00e2neo, permanente ou continuado?<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Instant\u00e2neo de efeitos permanentes:<\/strong>&nbsp;Aproxima\u00e7\u00e3o pontual da v\u00edtima \u2014 consuma-se no momento do ingresso no raio proibido.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Permanente:<\/strong>&nbsp;Perman\u00eancia no domic\u00edlio ap\u00f3s ordem de afastamento \u2014 a consuma\u00e7\u00e3o se protrai no tempo, cessando apenas com o cumprimento tardio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Continuado (poss\u00edvel):<\/strong>&nbsp;M\u00faltiplas viola\u00e7\u00f5es da mesma ordem protetiva, nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de tempo, lugar e modo de execu\u00e7\u00e3o, podem configurar continuidade delitiva (art. 71 do CP), com exaspera\u00e7\u00e3o da pena.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tentativa\"><span id=\"tentativa\">Tentativa<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>A forma tentada \u00e9 <strong>admiss\u00edvel<\/strong>, embora de configura\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica menos frequente que a consuma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-fianca-restricao-a-competencia-da-autoridade-policial\"><span id=\"fianca-restricao-a-competencia-da-autoridade-policial\">Fian\u00e7a: restri\u00e7\u00e3o \u00e0 compet\u00eancia da autoridade policial<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O \u00a7 2\u00ba do art. 338-A estabelece <strong>exce\u00e7\u00e3o importante ao regime geral de arbitramento de fian\u00e7a<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>\"Na hip\u00f3tese de pris\u00e3o em flagrante, apenas a autoridade judicial pode conceder fian\u00e7a.\"<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-regime-geral-de-fianca-art-322-do-cpp\"><span id=\"regime-geral-de-fianca-art-322-do-cpp\">Regime geral de fian\u00e7a (art. 322 do CPP)<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p>Pela regra ordin\u00e1ria, nos crimes com pena privativa de liberdade m\u00e1xima n\u00e3o superior a 4 anos, a <strong>autoridade policial<\/strong>&nbsp;pode conceder fian\u00e7a diretamente no auto de pris\u00e3o em flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o art. 338-A prev\u00ea pena m\u00e1xima de 5 anos (reclus\u00e3o), n\u00e3o haveria possibilidade de fian\u00e7a policial mesmo pelo regime geral. <strong>Mas o legislador quis refor\u00e7ar a veda\u00e7\u00e3o<\/strong>, garantindo que at\u00e9 mesmo em reformas legislativas futuras que alterem os patamares de fian\u00e7a policial, este crime permanecer\u00e1 sob an\u00e1lise exclusivamente judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Consequ\u00eancias pr\u00e1ticas para a autoridade policial:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Lavrar o auto de pris\u00e3o em flagrante <strong>sem arbitrar fian\u00e7a<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>Constar expressamente que a compet\u00eancia para fian\u00e7a \u00e9 exclusiva da autoridade judicial (art. 338-A, \u00a7 2\u00ba, do CPP)<\/li>\n\n\n\n<li>Encaminhar o preso para audi\u00eancia de cust\u00f3dia em at\u00e9 24 horas<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aplicabilidade-exclusiva-medidas-do-art-350-a-do-cpp\"><span id=\"aplicabilidade-exclusiva-medidas-do-art-350-a-do-cpp\">Aplicabilidade exclusiva: medidas do art. 350-A do CPP<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>O tipo penal do art. 338-A apresenta <strong>\u00e2mbito de incid\u00eancia espec\u00edfico e delimitado<\/strong>: aplica-se exclusivamente ao descumprimento das <strong>medidas protetivas de urg\u00eancia previstas no art. 350-A do CPP<\/strong>, institu\u00eddas pela Lei 15.280\/25 para prote\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas de crimes contra a dignidade sexual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crit\u00e9rio diferenciador essencial:<\/strong>&nbsp;A natureza do crime que motivou a medida protetiva determina qual tipo penal se aplica ao descumprimento.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-principio-da-especialidade-e-a-relacao-com-a-lei-maria-da-penha\"><span id=\"o-principio-da-especialidade-e-a-relacao-com-a-lei-maria-da-penha\">O princ\u00edpio da especialidade e a rela\u00e7\u00e3o com a Lei Maria da Penha<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p>A Lei Maria da Penha (Lei 11.340\/06) prev\u00ea tipo penal espec\u00edfico para descumprimento de suas medidas protetivas, recentemente equiparado em gravidade ao art. 338-A:<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><strong>Art. 24-A da Lei 11.340\/06:<\/strong>&nbsp;\"Descumprir decis\u00e3o judicial que defere medidas protetivas de urg\u00eancia previstas nesta Lei: Pena \u2013 reclus\u00e3o, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.\"<\/pre>\n\n\n\n<p>A coexist\u00eancia de dois tipos penais com <strong>penas id\u00eanticas<\/strong>&nbsp;exige solu\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica pelo <strong>princ\u00edpio da especialidade<\/strong>&nbsp;no conflito aparente de normas. A identidade sancionat\u00f3ria revela op\u00e7\u00e3o legislativa deliberada: <strong>equiparar a gravidade do descumprimento de medidas protetivas<\/strong>&nbsp;tanto no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica quanto no contexto de crimes sexuais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quadro-comparativo-art-338-a-do-cpp-art-24-a-da-lei-maria-da-penha\"><span id=\"quadro-comparativo-art-338-a-do-cpp-x-art-24-a-da-lei-maria-da-penha\">Quadro comparativo: art. 338-A do CPP \u00d7 art. 24-A da Lei Maria da Penha<\/span><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Elemento<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Art. 338-A do CPP<\/strong><strong><\/strong><\/td><td><strong>Art. 24-A da Lei 11.340\/06<\/strong><strong><\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>M.P.U. protegida<\/strong><\/td><td>Art. 350-A do CPP<\/td><td>Art. 22 da Lei 11.340\/06<\/td><\/tr><tr><td><strong>Contexto f\u00e1tico<\/strong><\/td><td>Crimes contra dignidade sexual<\/td><td>Viol\u00eancia dom\u00e9stica\/familiar contra mulher<\/td><\/tr><tr><td><strong>Objeto de prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/td><td>V\u00edtimas de crimes sexuais (qualquer g\u00eanero)<\/td><td>Mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/td><\/tr><tr><td><strong>Tipo de pena<\/strong><\/td><td><strong>Reclus\u00e3o<\/strong><\/td><td><strong>Reclus\u00e3o<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Quantum<\/strong><\/td><td><strong>2 a 5 anos + multa<\/strong><\/td><td><strong>2 a 5 anos + multa<\/strong><\/td><\/tr><tr><td><strong>Fian\u00e7a<\/strong><\/td><td>Exclusiva do juiz (\u00a7 2\u00ba)<\/td><td>Regime geral do CPP*<\/td><\/tr><tr><td><strong>ANPP<\/strong><\/td><td>Invi\u00e1vel<\/td><td>Invi\u00e1vel<\/td><\/tr><tr><td><strong>Sursis processual<\/strong><\/td><td>Invi\u00e1vel<\/td><td>Invi\u00e1vel<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p>\ud83d\udccc <strong>Observa\u00e7\u00e3o<\/strong>: Embora o art. 24-A n\u00e3o contenha dispositivo expresso sobre fian\u00e7a, a Lei Maria da Penha cont\u00e9m outras restri\u00e7\u00f5es processuais que podem limitar a concess\u00e3o de liberdade provis\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-criterios-de-aplicacao-evitando-bis-in-idem\"><span id=\"criterios-de-aplicacao-evitando-bis-in-idem\">Crit\u00e9rios de aplica\u00e7\u00e3o: evitando <em>bis in idem<\/em><\/span><\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-situacao-1-crime-sexual-com-violencia-domestica\"><span id=\"situacao-1-crime-sexual-com-violencia-domestica\">Situa\u00e7\u00e3o 1: crime sexual COM viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Exemplo:<\/strong>&nbsp;Marido pratica estupro contra esposa no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Juiz defere medidas protetivas de afastamento do lar <strong>com base no art. 22 da Lei Maria da Penha<\/strong>. Marido descumpre e retorna ao domic\u00edlio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipo penal aplic\u00e1vel:<\/strong>&nbsp;<strong>Art. 24-A da Lei Maria da Penha<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fundamento:<\/strong>&nbsp;Quando a medida protetiva \u00e9 deferida com fundamento no art. 22 da Lei 11.340\/06, aplica-se o tipo penal correspondente (art. 24-A), ainda que o crime subjacente seja sexual. A Lei Maria da Penha constitui diploma especial voltado \u00e0 tutela espec\u00edfica da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas, familiares ou \u00edntimas de afeto.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-situacao-2-crime-sexual-sem-violencia-domestica\"><span id=\"situacao-2-crime-sexual-sem-violencia-domestica\">Situa\u00e7\u00e3o 2: crime sexual SEM viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Exemplo:<\/strong>&nbsp;Professor pratica estupro de vulner\u00e1vel contra aluno de 12 anos. Juiz defere medidas protetivas <strong>com base no art. 350-A do CPP<\/strong>, proibindo aproxima\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e suspendendo porte de arma. Professor descumpre e tenta contato com a v\u00edtima na escola.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipo penal aplic\u00e1vel:<\/strong>&nbsp;<strong>Art. 338-A do CPP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fundamento:<\/strong>&nbsp;N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, familiar ou \u00edntima de afeto. A medida protetiva foi deferida exclusivamente no contexto do crime sexual previsto no art. 350-A do CPP, aplicando-se o tipo penal correspondente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-situacao-3-crimes-sobrepostos-o-criterio-do-fundamento-legal\"><span id=\"situacao-3-crimes-sobrepostos-o-criterio-do-fundamento-legal\">Situa\u00e7\u00e3o 3: crimes sobrepostos \u2014 o crit\u00e9rio do fundamento legal<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Exemplo:<\/strong>&nbsp;Pai pratica estupro de vulner\u00e1vel contra filha de 10 anos. O caso envolve simultaneamente crime sexual e viol\u00eancia dom\u00e9stica\/familiar. O juiz pode deferir medidas protetivas com base no art. 22 da Lei Maria da Penha OU no art. 350-A do CPP.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tipo penal aplic\u00e1vel:<\/strong>&nbsp;Depende do <strong>fundamento legal explicitado na decis\u00e3o judicial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se a decis\u00e3o fundamentar-se no art. 22 da Lei Maria da Penha:<\/strong>&nbsp;Aplica-se o <strong>art. 24-A da Lei 11.340\/06<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se a decis\u00e3o fundamentar-se no art. 350-A do CPP:<\/strong>&nbsp;Aplica-se o <strong>art. 338-A do CPP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Crit\u00e9rio decisivo:<\/strong>&nbsp;O que determina qual tipo penal incide n\u00e3o \u00e9 exclusivamente o contexto f\u00e1tico, mas sim <strong>qual dispositivo legal a autoridade judicial invocou como fundamento para deferir a medida protetiva descumprida<\/strong>. Esta \u00e9 a chave interpretativa que resolve o conflito aparente de normas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-posicionamento-tecnico-para-concursos\"><span id=\"posicionamento-tecnico-para-concursos\">Posicionamento t\u00e9cnico para concursos<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p><strong>Regra pr\u00e1tica:<\/strong>&nbsp;Identifique o <strong>fundamento normativo da medida protetiva<\/strong>&nbsp;na decis\u00e3o judicial:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Decis\u00e3o baseada no <strong>art. 350-A do CPP<\/strong>&nbsp;\u2192 Crime do <strong>art. 338-A do CPP<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li>Decis\u00e3o baseada no <strong>art. 22 da Lei Maria da Penha<\/strong>&nbsp;\u2192 Crime do <strong>art. 24-A da Lei 11.340\/06<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Impossibilidade de concurso de crimes:<\/strong>&nbsp;Os tipos n\u00e3o concorrem materialmente. Trata-se de <strong>conflito aparente de normas<\/strong>&nbsp;resolvido pelo princ\u00edpio da especialidade. Um \u00fanico descumprimento n\u00e3o pode configurar simultaneamente ambos os crimes \u2014 aplica-se apenas o tipo penal correspondente ao fundamento legal da medida descumprida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vantagem da equipara\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria:<\/strong>&nbsp;Como as penas s\u00e3o id\u00eanticas (reclus\u00e3o de 2 a 5 anos), eventual erro na identifica\u00e7\u00e3o do tipo penal aplic\u00e1vel n\u00e3o gera preju\u00edzo concreto ao r\u00e9u, reduzindo discuss\u00f5es recursais sobre nulidades e respeitando o princ\u00edpio da consun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-isso-cai-em-prova-questao-simulada-comentada\"><span id=\"como-isso-cai-em-prova-questao-simulada-comentada\">Como isso cai em prova: quest\u00e3o simulada comentada<\/span><\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">(FCC\/Concurso Hipot\u00e9tico - Defensoria P\u00fablica) Marcos, investigado pela pr\u00e1tica do crime de estupro de vulner\u00e1vel contra sua enteada de 13 anos, foi intimado de decis\u00e3o judicial que, com fundamento no art. 350-A do CPP, deferiu medidas protetivas de urg\u00eancia determinando seu afastamento do lar, proibi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o em raio inferior a 300 metros e suspens\u00e3o de porte de arma. Tr\u00eas dias ap\u00f3s a intima\u00e7\u00e3o, Marcos retornou ao domic\u00edlio comum e foi preso em flagrante. Na delegacia, o delegado arbitrou fian\u00e7a no valor de 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos, determinando a libera\u00e7\u00e3o de Marcos mediante pagamento.<br><br><strong>Diante da situa\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, assinale a alternativa correta:<\/strong><br><br>(A) O arbitramento de fian\u00e7a pela autoridade policial foi correto, pois o crime do art. 338-A possui pena m\u00e1xima de 5 anos, enquadrando-se na compet\u00eancia policial do art. 322 do CPP.<br><br>(B) O delegado agiu corretamente ao arbitrar fian\u00e7a, pois se trata de crime de menor potencial ofensivo, aplicando-se o rito da Lei 9.099\/95.<br><br>(C) O arbitramento de fian\u00e7a foi ilegal, pois o \u00a7 2\u00ba do art. 338-A estabelece que, na hip\u00f3tese de pris\u00e3o em flagrante por descumprimento de medida protetiva, apenas a autoridade judicial pode conceder fian\u00e7a.<br><br>(D) O crime praticado por Marcos \u00e9 o previsto no art. 24-A da Lei Maria da Penha, pois houve viol\u00eancia no contexto de rela\u00e7\u00e3o familiar, sendo correta a fian\u00e7a policial.<br><br>(E) N\u00e3o h\u00e1 crime no caso concreto, pois Marcos apenas retornou \u00e0 sua pr\u00f3pria resid\u00eancia, sendo desproporcional a imposi\u00e7\u00e3o de afastamento do lar.<\/pre>\n\n\n\n<p><strong>GABARITO: Alternativa (C)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-explicacoes\"><span id=\"explicacoes\">Explica\u00e7\u00f5es<\/span><\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa correta (C):<\/strong>&nbsp;O \u00a7 2\u00ba do art. 338-A do CPP estabelece expressamente que &#8220;na hip\u00f3tese de pris\u00e3o em flagrante, apenas a autoridade judicial pode conceder fian\u00e7a&#8221;. Trata-se de exce\u00e7\u00e3o ao regime geral do art. 322 do CPP, que centraliza na autoridade judicial a compet\u00eancia para an\u00e1lise da fian\u00e7a em crimes de descumprimento de medidas protetivas de urg\u00eancia relacionadas a crimes sexuais. O delegado deveria ter lavrado o auto de pris\u00e3o em flagrante sem arbitrar fian\u00e7a e encaminhado o preso para audi\u00eancia de cust\u00f3dia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa (A):<\/strong>&nbsp;Embora a pena m\u00e1xima seja de 5 anos, o \u00a7 2\u00ba do art. 338-A afasta expressamente a compet\u00eancia policial para fian\u00e7a neste crime espec\u00edfico, independentemente da pena cominada. A compet\u00eancia \u00e9 exclusivamente judicial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa (B):<\/strong>&nbsp;O crime n\u00e3o \u00e9 de menor potencial ofensivo. A Lei 9.099\/95 define como infra\u00e7\u00f5es de menor potencial ofensivo aquelas com pena m\u00e1xima n\u00e3o superior a 2 anos (art. 61). O art. 338-A prev\u00ea pena m\u00e1xima de 5 anos, afastando o rito especial dos Juizados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa (D):<\/strong>&nbsp;Aplica-se o art. 338-A do CPP (n\u00e3o o art. 24-A da Lei Maria da Penha) porque a medida protetiva foi expressamente deferida <strong>com fundamento no art. 350-A do CPP<\/strong>, no contexto espec\u00edfico de crime contra a dignidade sexual. O crit\u00e9rio decisivo \u00e9 o fundamento legal da medida descumprida, n\u00e3o apenas o contexto familiar. Al\u00e9m disso, ambos os tipos t\u00eam a mesma pena (reclus\u00e3o de 2 a 5 anos), mas o art. 338-A cont\u00e9m restri\u00e7\u00e3o expressa \u00e0 fian\u00e7a policial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alternativa (E):<\/strong>&nbsp;A conduta de Marcos configura crime t\u00edpico. O retorno ao domic\u00edlio em descumprimento de ordem judicial protetiva viola simultaneamente a administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e a integridade da v\u00edtima vulner\u00e1vel. A proporcionalidade da medida de afastamento n\u00e3o \u00e9 analisada pelo agente, mas sim pelo juiz que a deferiu, vinculando criminalmente seu destinat\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-fechamento-estrategico-o-que-memorizar-para-a-prova\"><span id=\"fechamento-estrategico-o-que-memorizar-para-a-prova\">Fechamento estrat\u00e9gico: o que memorizar para a prova<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do art. 338-A do CPP representa consolida\u00e7\u00e3o do sistema protetivo de v\u00edtimas de crimes sexuais, equiparando-o \u00e0 estrutura da Lei Maria da Penha. Para fins de concurso, cinco conclus\u00f5es estrat\u00e9gicas devem ser fixadas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Equipara\u00e7\u00e3o sancionat\u00f3ria total:<\/strong>&nbsp;O art. 338-A do CPP e o art. 24-A da Lei Maria da Penha preveem <strong>penas id\u00eanticas<\/strong>&nbsp;(reclus\u00e3o de 2 a 5 anos e multa), revelando op\u00e7\u00e3o legislativa por prote\u00e7\u00e3o ison\u00f4mica de v\u00edtimas de crimes sexuais e de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Ambos vedam ANPP e sursis processual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Bem jur\u00eddico complexo:<\/strong>&nbsp;Prote\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e secund\u00e1ria da integridade da v\u00edtima. N\u00e3o se trata de crime exclusivamente contra a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u2014 h\u00e1 dimens\u00e3o protetiva individual essencial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Fian\u00e7a exclusivamente judicial:<\/strong>&nbsp;O \u00a7 2\u00ba do art. 338-A veda o arbitramento policial de fian\u00e7a, exigindo apresenta\u00e7\u00e3o do preso \u00e0 autoridade judicial em audi\u00eancia de cust\u00f3dia para an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es de liberdade provis\u00f3ria. Esta \u00e9 regra expressa no CPP, enquanto na Lei Maria da Penha decorre do sistema protetivo geral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Princ\u00edpio da especialidade \u2014 Crit\u00e9rio do fundamento legal:<\/strong>&nbsp;O art. 338-A aplica-se quando a medida descumprida foi deferida <strong>com base no art. 350-A do CPP<\/strong>&nbsp;(crimes sexuais); o art. 24-A da Lei Maria da Penha aplica-se quando a medida foi deferida <strong>com base no art. 22 da Lei 11.340\/06<\/strong>&nbsp;(viol\u00eancia dom\u00e9stica). <strong>O crit\u00e9rio diferenciador n\u00e3o \u00e9 apenas o contexto f\u00e1tico, mas o fundamento legal explicitado na decis\u00e3o judicial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Crime doloso formal:<\/strong>&nbsp;Consuma-se com o efetivo descumprimento, independentemente de dano \u00e0 v\u00edtima. Exige-se dolo (conhecimento da ordem + vontade de descumprir), sendo essencial a intima\u00e7\u00e3o pessoal v\u00e1lida. Tentativa admiss\u00edvel, mas rara na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">\ud83c\udfaf <strong>Dica de ouro para a prova:<\/strong>&nbsp;A equipara\u00e7\u00e3o das penas entre art. 338-A do CPP e art. 24-A da Lei Maria da Penha \u00e9 atualiza\u00e7\u00e3o legislativa recente que certamente ser\u00e1 explorada. Quest\u00f5es tentar\u00e3o confundir os candidatos sugerindo que um crime \u00e9 mais grave que o outro \u2014 <strong>mas ambos t\u00eam exatamente a mesma pena<\/strong>. O diferencial est\u00e1 no <strong>fundamento legal da medida protetiva descumprida<\/strong>: se art. 350-A do CPP \u2192 crime do art. 338-A; se art. 22 da Lei Maria da Penha \u2192 crime do art. 24-A. Memorize: <strong>o fundamento legal da decis\u00e3o judicial determina o tipo penal aplic\u00e1vel, n\u00e3o apenas o contexto dos fatos<\/strong>. Al\u00e9m disso, aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 veda\u00e7\u00e3o expressa da fian\u00e7a policial no \u00a7 2\u00ba do art. 338-A \u2014 pegadinha cl\u00e1ssica em quest\u00f5es sobre pris\u00e3o em flagrante.<\/pre>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\" id=\"h-quer-saber-quais-serao-os-proximos-concursos\"><span id=\"quer-saber-quais-serao-os-proximos-concursos\">Quer saber quais ser\u00e3o os pr\u00f3ximos concursos?<\/span><\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse has-text-align-center\">Confira nossos&nbsp;<a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/\" target=\"_blank\" >artigos para Carreiras Jur\u00eddicas<\/a>!<\/pre>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-716048724b1fc85bc1e5871fe52119f1\"><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-abertos-carreiras-juridicas\/\" target=\"_blank\" >Concursos jur\u00eddicos abertos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-white-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background has-link-color wp-elements-66d22adac87d011c3f0365f265d9f9fa\"><a href=\"https:\/\/cj.estrategia.com\/portal\/concursos-juridicos-2026\/\" target=\"_blank\" >Concursos jur\u00eddicos 2025<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prof. Gustavo Cordeiro Introdu\u00e7\u00e3o: a tutela processual que faltava aos crimes sexuais A Lei 15.280\/25 n\u00e3o se 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